sexta-feira, maio 29, 2009

Ô lôco meu, sai da internet e vê mais TV, meu!

(Outra arte tosca do autor do blog. Clique na imagem para melhor visualização.)

Muito interessante a declaração do ministro das comunicações, Hélio Costa, na abertura do Congresso Brasileiro de Radiofusão que ocorreu na semana passada ( dia 20) e que passou um tanto despercebida. Segundo o ministro, “essa juventude tem que parar de só ficar pendurada na internet. Tem que assistir mais rádio e televisão”.

Tal declaração não causa estranhamento, afinal o tal congresso foi promovido pela Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e o próprio Ministro é um homem da TV - era repórter da Rede Globo e, segundo as teorias conspiratórias (ou não), trabalha dentro do governo em prol da emissora carioca. Como ele é cruel, como a Globo é manipuladora, abaixo a Rede Globo!

O acesso à internet no Brasil vem crescendo de forma tímida mas consistente e incomoda bastante os meios de comunicação ditos “tradicionais”, tanto que nas classes A e B a grande rede já é a principal fonte de informações e a classe C começa a navegar com maior freqüência. E vá a qualquer povoado no sertão que tenha energia elétrica: tem lan house a 50 centavos a hora. Tem pedofilia, sexo, pirataria, apologia ao racismo e bobagens de todo o tipo, também; e a menos que você acredite em Duendes, CPI's e Azeredo, tudo isso já existia no há muito tempo no "mundo real". Inclusive na Ilha de Malta.

Alienações orkutianas, pornográficas e criminosas à parte, a juventude tem oportunidade de ser protagonista com a internet. Hoje não é preciso rastejar nas gravadoras, estúdios ou editoras para divulgar seus trabalhos. Os jovens (e não tão jovens) escrevem e acessam blogs, lêem e comentam notícias, trocam informações sobre músicas, bandas independentes, shows, produzem e publicam pequenos filmes, enfim, fazem tudo o que é limitado na TV e nas emissoras de rádio ( com o jabá viciado e a “participação do ouvinte” aparecendo na hora de escolher uma música em listinha já elaborada pela emissora), embora estes meios procurem desesperadamente incluir o “cidadão comum” na grade de programação. Isso explica em parte o grande sucesso de um programa como o Big Brother Brasil, que junta a fome com a vontade de comer: “gente comum” sendo submetida à votação de “gente comum”, né, Bial?

Se quiser uma opinião acadêmica, fique com a professora Vani Moreira Kensky, em seu livro “Educação e Tecnologias – o novo ritmo da Informação”: “Quando imersos na realidade televisiva, acessível em 97% dos lares brasileiros, crianças e jovens já não aceitam a dependência diante da programação oferecida. Como os jovens de todo o mundo, já não querem ficar passivos diante da televisão ou sendo simples usuários e visitantes dos sites da internet. Eles querem participar”.

O apelo quase que desesperado do sr. Ministro das comunicações não irá surtir efeito. A televisão, que teve sua primeira transmissão no Brasil em 1950, continua sendo a principal fonte de informação e entretenimento dos brasileiros, mas a tão procurada “interatividade” hoje na TV se restringe a escolher a melhor vídeo cassetada ou quem dançou melhor na dança do gelo. Quem sabe fazer pedidos de graça e orações pela madrugada...

Orra meu, aí fica difícil, não tem domingo legal e nem espetacular que prenda a atenção com tanta babaquice, meu. De “fantástico” o aparelho de TV torna-se “cansástico”e, como dizia o mestre Alfred Hitchcock, "a televisão é como as torradeiras: carrega-se no botão e sai sempre a mesma coisa." A solução para muitos é assinar canais fechados com séries enlatadas americanas, filmes e jogos de todas as partes do mundo. Quem pode, paga, quem não pode, miau (se é que entendem). Melhor ler um bom livro. Ou, quem é fã do entretenimento eletrônico, espere pela tal TV Digital Interativa. Até lá...tem MSN, Ministro?

terça-feira, maio 26, 2009

Papo de bar e...uma boa ideia?


Outra arte tosca do autor do blog. Clique na imagem se tiver coragem para vê-la maior.

- Rapaz, você viu essa notícia?
- O que foi? O Lula viajou de novo? O preço do tomate aumentou? Apreenderam outro carregamento de drogas? O Ronaldo fez gol e pegou outro travesti?Ah, eu não leio mais jornal, é sempre a mesma coisa...Ô Manolo, desce outra cerveja!
- É por isso que tu é um ignorante. Olha só: acusado de corrupção, ex-presidente da Coréia do Sul se joga de montanha!
- Ah, isso aí eu assisti na TV. É mentira, pô...vai ver o sujeito estava era escalando uma montanha, perdeu o equilíbrio e caiu, simples assim. E dizem que é invenção lá daqueles malucos comunistas da Coréia do Norte que soltam bombas atômicas por aí. Cê acha que político vai se matar de vergonha por ser acusado de corrupção?
- No Brasil, não, porque aqui só tem político sem-vergonha. Mas isso é comum lá por esses lados do Japão, da Coréia...lembra de um ex primeiro ministro japonês que se matou porque estaria envolvido em esquemas de corrupção?
- Eu lembro, mas isso é exceção, não é regra.
- Eu sei, mas esse não é o ponto. A verdade é que ainda tem gente que se envergonha em roubar dinheiro público e chega ao ponto de se matar.
- Se é que esse ex-presidente coreano se matou mesmo...
- Já pensou se essa prática pegasse no Brasil? Seria suicídio em massa de político!
- Pô, cara...tudo bem que eu acho esses caras uns safados, mas daí a desejar que eles se matem é dose...eles tem família que às vezes nem sabe dos podres que estes safados cometem no poder. Tu é radical, bicho, tava bom pra morar em Cuba...
- E você também, pois em Cuba você ao menos teria educação e não seria um analfabeto! Onde é que eu disse que desejo o passamento destes infelizes? Mas não posso negar: eu pensei mesmo em algumas figuras...por exemplo, hoje estaríamos livres do Collor!
- Bom, isso lá é...mas não consigo imaginar esse cara se matando.
- Provavelmente seria em uma praia de Maceió, vestido de marajá e pilotando um jet-ski, que afundaria com ele junto. Sua última frase seria “ não me deixem só”.
- Hum...e o Maluf? Esse aí é osso duro...
- O Maluf provavelmente se mataria no cofre do Banco Central. Tomaria uma dose reforçada de estricinina, teria delírios e morreria dizendo “é tudo meu, é tudo meu, foi o Maluf quem fez”.
- Rapaz, esse tipo de coisa é muito perigoso. Esses caras tem adeptos, eleitores fiéis. Vai que isso cause uma espécie de suicídio coletivo...
- Ih, como você é ingênuo! Esse povo tem é bajulador, isso sim. Lembra quando o ACM morreu? Não tinha aquela quantidade toda de gente que se imaginava, não. Aqueles cantores todos de axé, que pediam “ bença painho” nem apareceram no velório do Toninho Malvadeza! Os puxa-sacos sumiram todos!
- Mas aí foi outra coisa, a morte que já era esperada... no caso do suicídio é diferente, pois é uma coisa inesperada, algo terrível. Por exemplo, se o Sarney se matasse seria uma comoção...
- ...pros pistoleiros e agregados, só se for. Acho que muita gente não sentiria a falta dele não, que se mataria saltando do alto do prédio do congresso nacional, afinal o cara tem “amor à vida pública”.
- Haha! Você é podre, cara. O coreano lá, se é que se matou mesmo, ao menos foi de forma romântica, poética até: se jogou da montanha. E vamos mudar de assunto que isso tá muito mórbido e já ando até assustado com suas idéias! Vou pedir pro Manolo mandar outra cerveja, você anda muito violento...
- Tá certo, tá certo...acho até que você tem razão, vou deixar de ler jornal, tá complicado mesmo. Olha isso, deputados vão manter todos seus privilégios de verbas e viagens para os parentes e assessores...
- Esses canalhas sem-vergonha! Merecem ser linchados em praça pública e sangrar como porcos até a morte, desgraçados!

sexta-feira, maio 22, 2009

Bom exemplo: quando a educação é tratada com seriedade e critério!

Outra obra tosca do autor do blog. Clique na imagem para melhor "apreciação"

Quanta saudade de São Paulo, a locomotiva do Brasil, a vanguarda brasileira, o centro financeiro e industrial do país! Há 10 anos deixei Sampa para aventurar-me na terra da alegria e dos blocos de axé que saem até durante as festas juninas! Sai do chão, São João!

Por reunir todas essas características – mais do que justificadas, diga-se de passagem - as pessoas de outros estados não conseguem entender que SP está à frente de nosso tempo em vários aspectos e o exemplo mais evidente deste avanço está no setor educacional.

Ora, ninguém entendeu e todo mundo condenou o mapa da América do Sul distribuído nos livros de Geografia nas escolas paulistas: existem dois Paraguais e o Equador literalmente “sumiu do mapa”. Mas quem liga pro Equador, né? Aliás, quem conhece o Equador? Só a torcida do Fluminense, talvez. E o Paraguai está tão entranhado, tão presente em nosso dia a dia que apenas um Paraguai torna-se insuficiente para atender a demanda do consumo nacional. E ninguém entendeu a proposta, uma pena...!

Agora está todo mundo chiando sobre o livro de apoio (em formato de Histórias em Quadrinhos – HQ’s) para crianças da 3ª série do ensino fundamental ( o velho primário, com alunos na faixa entre 7 e 10 anos de idade) que é repleto de “palavrões”, “piadas de duplo sentido” e “conotações sexuais”. Tem frases do tipo “chupa rola”, “chupava ela todinha” e “porra ceis viram as bunda das mina do sabadão sertanejo?”.

Absurdo? Que nada. A parte da equipe pedagógica responsável pela recomendação deste livro para as crianças está de parabéns! Certamente tal equipe demagógica, digo, pedagógica seguiu o que está previsto nos PCN’s ( Parâmetros Curriculares Nacional). Estes parâmetros servem como orientações para que professores e pedagogos melhorem a qualidade de ensino e formem cidadãos com espírito crítico, autônomos, conscientes e participativos, abandonando, assim, os modelos “decoreba” nas salas da aula com o aprendizado partindo da realidade do aluno. Bonito, né?

Então, por que está todo mundo chiando? Esta parte da equipe demagógica, digo, dermatológica nem deve ter lido o livro, no que estão cobertos de razão. Esse negócio de avaliar se o conteúdo do livro é adequado ou não para o ensino fundamental I é coisa para pedagogos chatos e que querem enrolar no serviço. O negócio hoje é a eficiência: é história em quadrinhos? Então é coisa de criança. Pode mandar pra escola, tá resolvido o problema de ìncentivo à leitura!

Não sei como anda o cenário musical em São Paulo, mas em Salvador a molecada de seus 8, 9 anos já dança e canta coisas do tipo “esfrega a xana no asfalto”, “chupa toda” e músicas similares com um grande potencial pedagógico. É a realidade do aluno, não é? Ora, se há algum culpado nessa história em SP são as HQ’s, claro, instrumentos de alienação e delinqüência juvenil segundo o grande psiquiatra Fredric Wertham!

Não tem jeito. Por isso São Paulo e Rio de Janeiro estão muito à frente dos outros estados da federação. Tratam a educação com seriedade seguindo os parâmetros curriculares e assim os alunos aprendem muito mais. Basta trazer a realidade para dentro da sala de aula: o Rio leva o funk carioca para a sala de aula com aprovação automática e São Paulo adota HQ recheada de palavrões para alunos da terceira série.

Eu fico imaginando como seria aplicada a prova...

segunda-feira, maio 18, 2009

Ronaldo, o malandrinho!


E isso aí, malandragem! Que beleza é espreguiçar na rede à noite e olhar para um céu com algumas estrelas brilhando. Não sei onde li, mas algumas destas estrelas no céu já estão extintas há anos... o que vemos é apenas o seu brilho que ainda “viaja” pelo espaço. Sabe Matrix? Então, tá lá, mas não do modo como você pensa.

É, eu sei, essas coisas dão um nó na cabeça, tanto quanto o futebol. Futebol? Pois é. Bons tempos que jogadores de futebol só jogavam bola e ponto final. Hoje temos “estrelas” e a maior delas no Brasil é o Ronaldo Fenômeno (de marketing).

O jogador foi sabatinado por jornalistas da Folha de S.Paulo e suas declarações renderam algum blá-blá-blá. E não é nem por conta do caso dos travestis, que no fundo (ui!) é uma bobagem, mas serve de assunto para charges e piadas. O que causou polêmica mesmo foi o Fenômeno dizer que seu filho é “praticamente europeu” por conta da educação e que os brasileiros “são malandros”.

Ronaldo deve entender do que fala, afinal foi para a Europa aos 17 anos e jogou na Holanda, Espanha e Itália antes de voltar ao Brasil. Passar 15 anos na Europa deve ter rendido algumas impressões ao jogador e é normal que ele queira o melhor para o filho Ronald – e se o melhor, segundo seu ponto de vista e o da mãe ( a “jogadora” de futebol Milene Domingues) é viver no velho continente, quem somos para julgá-los? Eu adoraria viver na Riviera Francesa, mas acertando apenas 1 número na mega-sena fica difícil.

Se parasse aí em sua declaração o Ronaldo Fenômeno teria sido perfeito, afinal os pais sempre querem o melhor para os filhos. Mas dizer que “os brasileiros são malandros” é falta de malandragem, mermão! Perguntei ao seu Aurélio ( o porteiro aqui do prédio, gente finíssima) o que ele entende por “malandro”. E ele me disse que trata-se de um sujeito que costuma abusar da confiança dos outros ou que não trabalha e vive de expedientes; também pode ser considerado “vadio, gatuno, ladrão”.

Mas será que é isso mesmo? 15 anos de Europa fizeram com que o Ronaldo Brahmeiro rotulasse os brasileiros como “malandros” e os europeus como “refinados e puros”? Sem dúvida os Incas e demais povos pré-colombianos achavam o mesmo. E Ronald Biggs era um amor de pessoa. O antropólogo Roberto DaMatta explica o seguinte em seu livro “O que faz o brasil, Brasil?”:

“Nos Estados Unidos, na França e na Inglaterra, somente para citar três bons exemplos, as regras ou são obedecidas ou não existem. (...) Ficamos, pois, sempre confundidos e, ao mesmo tempo, fascinados com a chamada disciplina existente nesse países (...) quando na verdade ela é decorrente de uma simples e direta adequação entre a prática social e o mundo constitucional e jurídico”.

Comparem as palavras acima com uma repartição pública brasileira, com a política, com as relações sociais. A “malandragem” – ou o “jeitinho brasileiro”- seria uma espécie de “instrumento de navegação” por estes setores que escorcham e humilham o cidadão diariamente. Evidente que isso não pode servir como justificativa para a malandragem em geral, mas apenas para pontuar que embora tais ambientes sejam propícios para o "jeitinho" ou a chamada “malandragem”, não necessariamente a pessoa deve tornar-se um “malandro” para sobreviver nele – e é neste ponto que a declaração tipicamente estereotipada do Ronaldo sobre os brasileiros foi infeliz.

O próprio jogador deu uma de “malandro” abusando da confiança dos outros e tentando explicar o porquê faz propaganda de cerveja (que destrói famílias e eleva as estatísticas de acidentes e mortes no trânsito, apenas para lembrar ao "Brahmeiro"): “É uma propaganda para adulto, até porque criança não vê esse anúncio, pelo horário que passa”.

Pobre Ronaldo, de fato um europeu.

quarta-feira, maio 13, 2009

Papo (grampeado) do deputado no tele sexo!

Mais uma arte tosca do autor do blog. Clique na imagem para vê-la melhor (ou pior).


Atendendo a inúmeros pedidos (na verdade foram apenas dois), está de volta a emocionante e reveladora seção do grampo telefônico!

Como vocês sabem, tem deputado por aí que afirma estar “se lixando” pra opinião pública. Na verdade todos eles estão “se lixando” para qualquer coisa que não seja o salário e as verbas de gabinete, mas houve um deputado que foi corajoso e falou mesmo, pra todo mundo ouvir. Gosto de gente assim!

Eu também nem deveria estar “me lixando” pro deputado, mas o grampo que tenho aqui é nitroglicerina pura e deve ser compartilhado com meus 49 seguidores fidelíssimos do Grooeland: o nobre parlamentar andou ligando pro tele sexo e pagando com o seu, o meu, o nosso dinheiro! Não é gozado?

ATENÇÃO: Devido ao fato da conversa conter palavras inapropriadas para menores de 18 anos e com o intuito de manter intacta a inocência das crianças e adolescentes que acessam este blog, utilizei-me da censura.

TELE SEXO: Oi, gostosão, você ligou para o tele sexo. Aguarde na linha para que uma de nossas deliciosas garotas possa atendê-lo. Para liberar o acesso digite o número de seu cartão de crédito no teclado do seu telefone e aguarde a confirmação.

DEPUTADO: Cadê o cartão corporativo, cadê...ah, tá aqui. Pronto. Vai começar a diversão!

TELE SEXO: Acesso liberado. Seja bem-vindo ao bate-papo mais quente do momento!

FÊ: Alô, aqui é a Fê, toda CENSURADO e toda CENSURADO só pra você, meu CENSURADO!

DEPUTADO: Oi, gostosa! E eu já estou aqui CENSURADO prontinho pra CENSURADO.

: Ai, que delícia, adoro sua voz, fala mais pra mim, fala, meu CENSURADO.

DEPUTADO: Não CENSURADO, quero ouvir você falando...mas parece que já ouvi essa voz antes. Me diz aí como é que você é, gatona CENSURADO e CENSURADO?

FÊ: Aiii...assim você me mata de CENSURADO gato! Eu sou morena queimadinha de sol, com marquinha de biquíni só pra você, com 1,65m, 55 kg, 110 cm de quadril e 96 de busto, meu CENSURADO. Tô louquinha pra CENSURADO CENSURADO CENSURADO.

DEPUTADO: Peraê, porra! Lógico! Eu falei com a mesma morena ontem. E anteontem também. E a semana toda! Por isso reconheci a voz! Ei, você também é a ruiva daquele dia...e a mulata também! Porra, só tem você aí, é? Eu quero uma loira hoje!

: Ai, gato, eu sou o que você quiser, eu sou sua loira, pronto, mas vem matar meu CENSURADO porque tô CENSURADO CENSURADO pra CENSURADO e quero CENSURADO CENSURADO CENSURADO.

DEPUTADO: Nada disso, nada disso, eu quero outra! Eu exijo outra gata! Você sabe com quem está falando? Que absurdo! Quero falar com o cafetão, digo, o gerente disso aí.

MARCÃO, O GERENTE: Qualé o galho?

DEPUTADO: Qualé o galho? Pô, só tem “morena com marquinha de biquíni” aí, é? Eu quero loira hoje. Todos os outros dias só tem morena, a mesma morena, a mesma voz, aliás ela é morena, ruiva, mulata, o diabo...

MARCÃO, O GERENTE: Ah, tá, o senhor é do ****-*****, que liga pra cá todos os dias. Muito obrigado pela sua preferência, senhor.

DEPUTADO: Eu tô me lixando pro que você pensa. Quero uma loira e quero desconto naqueles minutos que gastei com a tal morena! Tudo bem que o dinheiro não é meu mesmo, tô me lixando pra isso também, mas quero desconto. Você não sabe com quem está lidando!

MARCÃO, O GERENTE: Sei sim. Essa linha é exclusiva do Congresso Nacional. Tenho vários clientes daí, muita gente mesmo. Aliás tenho advertido a estes clientes que tomem cuidado com essas ligações por causa de grampo, essas coisas.

DEPUTADO:
Eu tô me lixando pra grampo e pra imprensa! Eles batem mas a gente acaba sendo reeleito. Mas cadê a mulé? Eu quero mulé filé! Quero a loira! Só tem essa morena aí é? Nem disfarçar a voz ela disfarça!

MARCÃO, O GERENTE: Infelizmente, senhor, nós estamos apenas com a Fê para atender nossos clientes. As outras meninas estão impossibilitadas de atender e...

DEPUTADO: O CENSURADO do CENSURADO que estou me lixando pra isso! E cadê as mulé? Pra onde elas foram?

MARCÃO, O GERENTE: Ué, o senhor não está sabendo? Foram todas pro castelo de um deputado lá em Minas Gerais. Eu pensei que o senhor estava sabendo, afinal seus colegas ligam pra cá direto e chamaram todas as garotas pra uma festa de uma semana inteirinha...mandaram até passagens de avião, veja que luxo! Só a Fê que é novata não pode ir, mas se o senhor quiser bancar a passagem dela, a moça ficaria muito agradecida e te pagaria de um jeitinho muito especial, porque ela faz um CENSURADO de enlouquecer!

domingo, maio 10, 2009

Reflexões amargas


"O saque, porém, continuava. Toda noite eram duas, três sepulturas abertas e esvaziadas de seu fúnebre conteúdo. (...) Houve espanto e houve esperanças. Como fazer ouro com ossos? Seria possível? Mas aquele homem rico, respeitado, como desceria ao papel de ladrão de mortos se a cousa não fosse verdade! Se fosse possível fazer, se daqueles míseros despojos fúnebres se pudessem fazer alguns contos de réis, como não seria bom para todos eles!"

Este é um trecho do conto “A Nova Califórnia”, do genial Lima Barreto ( não conhece? Herege! Leia Harry Potter, Paulo Coelho, o que quiser, mas procure os contos e crônicas deste fantástico escritor carioca), no qual ele faz uma paródia com a “corrida do ouro” na Califórnia ao mesmo tempo que expõe as hipocrisias da sociedade carioca ( e brasileira, por extensão) no início do século XX.

Peço desculpas aos meus eventuais e parcos leitores e também aos aventureiros que chegam neste blog à procura de algum conteúdo inteligente, mas tenho adotado um tom bastante amargo ultimamente em relação às observações no cotidiano. Isso passa, mas fica aqui o conselho: procurem os blogs nos links relacionados ao lado, eles certamente estarão com textos melhores e bem mais inteligentes do que este aqui hoje ( na verdade estes blogs sempre estão com escritos melhores, pois são ótimos).

Chove muito em Salvador, conforme já foi tratado no texto anterior. E com tanta chuva em uma cidade sem estrutura, sem poder público efetivo e com parte da população mal educada e cuja consciência seja restrita ao "fique na sua", as tragédias acontecem. Ruas são inundadas, famílias perdem suas casas, pessoas perdem a vida e até prédio desaba. E mesmo neste cenário terrível, há quem aproveite para “se dar de bem”.

Como dito, um prédio de oito andares em fase final de construção desabou. Felizmente ou infelizmente, dependendo do ponto de vista, havia apenas 1 apartamento ocupado por três pessoas neste prédio – estão internadas no hospital, mas sem risco de morte. Para completar o quadro tenebroso, populares se arriscavam nos escombros em busca de objetos, peças, dinheiro, materiais que pudessem ser reutilizados ou vendidos, enfim, qualquer coisa que “valesse a pena”. A “farra” só acabou depois que a polícia apareceu e isolou a área.

E em alguns outros pontos da cidade onde trânsito estava completamente parado por conta dos alagamentos na pista, bandidos fizeram verdadeiros arrastões assaltando os motoristas dentro de seus carros. A “farra” foi total: os carros não podiam se mover, a polícia não podia chegar e desta forma agiram livre e impunemente à luz do dia fechado e chuvoso.

Tal como no conto “A nova Califórnia”, muitas pessoas desprezam os valores morais e éticos (embora atualmente assemelhem-se mais a reles convenções ultrapassadas) em busca dos valores materiais. Aproveitando-se de uma situação de caos em que o poder público ou quaisquer outras instituições “reguladoras” estejam ausentes, várias atitudes encontram supostas justificativas. Os assaltos, os saques, as omissões de socorro, os privilégios aos mais abastados, os condomínios fechados com seguranças armados até os dentes, os assassinatos de trabalhadores inocentes por bandidos, os escândalos na política... para tudo isso há argumentos: Exclusão social, pobreza, segurança, a legislação, o consumo, o mercado, Deus e o diabo.

Será que realmente chegamos a este ponto? Os fins justificam os meios? Ziriguidum Bauman (sei que o nome é Zygmunt, mas não resisto) fala em “fragilidade crescente dos laços humanos”. Em tempos em que a vida é banalizada e mata-se tão facilmente e sem remorsos, parece que o sociólogo polonês acertou em cheio.

quinta-feira, maio 07, 2009

Fique na sua!

Outra "arte" do autor do blog. Clique na imagem para visualizá-la maior, se tiver coragem.

Choveu em Salvador. Mas não foi uma chuvinha à toa, não. Foi um verdadeiro toró, que me deixou “ilhado” no trabalho e no trânsito. As "águas de Maio” fizeram muitos estragos na capital baiana, que sempre sofre com as chuvas neste período do ano - todo mundo já sabe disso, menos o prefeito e os nossos extraordinários vereadores.

Mas ali, do alto do terceiro andar de um prédio no centro da cidade, protegido e a salvo dos alagamentos onde os carros boiavam, das árvores que despencavam sobre veículos, de arrastões realizados por bandidos enquanto o trânsito estava congestionado (a ocasião faz o ladrão, já dizia vovó), estranhamente pensei em uma pessoa que não conheço.

Ora, claro que penso em você, querido leitor, querida leitora. Você é a razão destes escritos, um escritor ( “hahahahaha! Tá se achando escritor, coitado!”) precisa de leitores. Mas voltando ao assunto, pensei realmente em uma pessoa que vi apenas uma vez e provavelmente jamais a verei. E esta pessoa tem atuação decisiva para contribuir neste caos que a cidade viveu e vive nestes dias chuvosos. Senta que lá vem história.

Em um belíssimo dia ensolarado na cidade do Salvador, trafegava pelas vias com trânsito livre e tranquilo enquanto curtia “Here Comes the Sun”, do George. Os pássaros cantavam, as crianças brincavam e sorriam na pracinha e eu parei meu carro no semáforo. Tudo muito bonito até que uma discoteca ambulante ( com pagodão da melhor qualidade para que todos pudessem apreciar excelente gosto musical) emparelhou ao lado do meu poisé. Pobre George! Pobres passarinhos!

Pois bem, o carona acabara de entornar uma latinha de cerveja. E sem pensar duas vezes, jogou fora, na rua mesmo. E eu, que estava ao lado do educadíssimo cidadão soteropolitano, falei numa boa:

- Pô, irmão, jogar a latinha na rua? Faz isso não, entope os bueiros...

Talvez tenha sido pelo fato de eu não ter me expressado corretamente, mas o sujeito respondeu com toda a civilidade do mundo:

- Fique na sua mermão, fique na sua.

O semáforo deu verde e a discoteca ambulante disparou à toda. Percebi que “Here Comes the Sun” dera lugar à faixa “Happiness is a warm gun” do John. Fiquei na minha e segui para casa, onde me olhei no espelho e ainda recebi uma bronca: “Burro! Foi bem-feito: quem sabe agora aprende a não falar besteira?”

E no alto daquele prédio onde observava todo o estrago da inundação e mais tarde, quando enfrentei grandes congestionamentos e pistas já parcialmente alagadas, quando vi na televisão que pessoas morreram por conta dos desabamentos causados pela chuva e quando soube que pessoas tiveram horas descontadas em seus salários por terem chegado atrasadas ao trabalho ( e ainda tendo que agradecer à patroa por não ser mandada embora) só pensava no que disse este exemplo de cidadão consciente e de educação ímpar:

Fique na sua, fique na sua. Quem diria, foi uma espécie de corvo...

segunda-feira, maio 04, 2009

Será que o Comitê Olímpico Internacional cai nessa?

outra "arte" grotesca do autor do blog. Quer ver isso aí em tamanho maior? Clique na imagem.

Vejam só como a prefeitura e o governo do Rio de Janeiro pretendem sediar os jogos olímpicos de 2016:

Uma ação da prefeitura do Rio de Janeiro, tendo em vista a passagem da comissão de avaliação do Comitê Olímpico Internacional na cidade, recolheu os sem-teto da trajetória da visita.

O comitê organizador da candidatura carioca à Olimpíada de 2016 apresentou à Comissão de Avaliação do COI um filmete de cinco minutos e fotografias aéreas que mostram um Rio de Janeiro sem favelas nas áreas vizinhas aos locais em que as competições serão disputadas, caso a cidade seja escolhida.

Como é mesmo aquele velho ditado? O que os olhos não vêem o coração não sente. Esse tipo de coisa me faz lembrar até os velhos processos de eugenia que tentaram praticar em alguns países (inclusive no Brasil) em busca da “purificação” da população. Os pobres, os negros, os indigentes, os sem-teto, as favelas só servem mesmo para incomodar.

Tudo bem, tudo bem: eu sou ingênuo e o que conta mesmo é o marketing positivo, o negócio é impressionar o COI (Comitê Olímpico Internacional) para que escolham o Rio de Janeiro como sede das olimpíadas e que todas as cidades do mundo fazem a mesma coisa, ou seja, empurram a “sujeira” pra debaixo do tapete.

Acontece que os jogos ocorrerão em um período de 1 mês e depois os atletas e delegações dos países irão embora. E a população permanecerá - ao menos aqueles que sobreviverem à guerra civil não declarada no Brasil. A maquiagem será feita, mas as favelas dominadas por traficantes e milícias continuarão no mesmo lugar ( e não adianta a Globo utilizar “novos ângulos de cenas” da cidade maravilhosa nas novelas do Manoel “Leblon” Carlos) e os sem-teto continuarão nas ruas, porque neste país a prioridade é manter privilégio de verbas para deputados inúteis viajarem com suas amantes, e não educação e moradia, dois detalhezinhos à toa, eita povinho que reclama!

Na época dos jogos Pan-Americanos foi a mesma ladainha: que os tais jogos ( equivalente a uma “terceira divisão” do esporte mundial) seriam um “marco” para o Rio de Janeiro, que o legado à cidade seria inestimável, que o esporte seria incentivado e poderíamos ser finalmente uma potência esportiva e blá-blá-blá. A estrutura física está lá, o Engenhão (todo pichado recebeu uma “pintura de última hora”), o complexo aquático Maria Lencke ( terão que construir outro?), o velódromo... mas há políticas públicas de incentivo ao esporte? Existe ao menos educação física nas escolas e quadras disponíveis? Qual foi o verdadeiro legado que os jogos pan-americanos deixaram ao Rio de Janeiro e à sua população? Terá sido, de fato, uma enganação?

Peço que algum leitor carioca deste humilde blog tenha a paciência de responder a estas questões ( só não vale dizer que o legado foi o rombo nos cofres públicos, pois isso já é “comum” no Brasil). Talvez assim eu me convença de que a maquiagem é realmente necessária. Só não pode chover.

sexta-feira, maio 01, 2009

"Onde você estava no dia da morte de Ayrton Senna?"

Esta é a pergunta do dia 1º de Maio, este é o assunto recorrente nas emissoras de TV, nos sites pela internet, nas rodinhas do boteco e até na minha caixa de mensagens já recebi os arquivos power points de sempre ( e com a música “tema da vitória” que não agüento mais escutar) lamentando mais um “aniversário da morte” de Ayrton Senna, ídolo brasileiro.

Opa, peraí. Ídolo de quem? Meu mesmo é que não. Aliás, nunca foi. Na verdade, nunca liguei para o que o Senna, o Piquet, o Fittipaldi, o Rubinho ou seja lá quem for faz ou já fez nas pistas de corrida. O fato de um sujeito pilotar um carro a 300 km/h não o torna meu herói ou ídolo que “leva o nome do Brasil ao lugar mais alto do pódio”. Exemplo de superação e dedicação? Ora, corta essa!

Também não consigo entender por que cargas da água o brasileiro precisaria de ídolos como pilotos de corrida. Fórmula 1 não é um esporte como o futebol, onde qualquer grupinho de crianças num canto qualquer chutando uma lata já é final no Maracanã. Dá para entender a identificação que o brasileiro tem com o Pelé, com o Ronaldo, com o Romário: uns moleques que fugiam da escola ou brincavam lá no campinho de terra e tornaram-se milionários. Se eles puderam, teu moleque também pode vencer na vida batendo uma bolinha, sacou a ideia?

Vai ver aquela propaganda comercial de uma distribuidora de combustíveis esteja certa: “apaixonados por carro como todo o brasileiro”. Fórmula 1 é elite. Automobilismo, em geral, é para que tenha boas condições financeiras, como o pai do Senna. Mas graças a um “empurrãozinho” da Globo ( o brasileiro gosta de F1 ou gostava só do Senna?) e a esta referida “paixão” por carros, o Senna virou ídolo máximo no Brasil, virou até referência de bom motorista, do tipo “ o cara é um Senna no volante”.

Pensando bem, o automóvel por estas terras é um modelo de ascensão social. Carro, por aqui, é status, é "poder". E ver um cara a 300 km/h ultrapassando todo mundo, fazendo manobras arriscadas e sendo admirado por tudo isso talvez faça parte do imaginário daqueles que adorariam fazer o mesmo mas não podem por conta dos congestionamentos, motoristas lerdos, ruas esburacadas e, ah, a lei...

Eu sei, eu sei, tem muitos fãs do Ayrton Senna que de alguma forma chegarão aqui e contestarão esses meus pobres e sinceros escritos. Não faz mal. É justo que xinguem, esperneiem, me mandem para el paredón de Tamburello ou roguem praga. Só não vale xingar a mãe, que aliás é fã do Ayrton Senna, daquelas que passavam a madrugada assistindo os grandes prêmios disputados lá no Japão ou Austrália, sei lá.

Mas deixo a sugestão: no dia dos Trabalhadores, seria muito justo que a rodovia em São Paulo volte a ser chamada de “Rodovia dos Trabalhadores” ao invés de Ayrton Senna. Ou até “Rodovia Tamburello”, para lembrar aos “Senna do volante” o que o excesso de velocidade faz.

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