segunda-feira, novembro 24, 2008

CHINESE DEMOCRACY ( finally!!!) STARTS NOW!

Peço licença aos corajosos 3 ou 4 leitores deste tosco blog para tratar de um assunto banal desta vez, mesmo com discussões sobre cotas para afro-descendentes e para alunos de escolas da rede pública estarem na pauta de vários veículos e serem infinitamente mais importantes do que será tratado aqui.

Mas é que o ano de 2008 foi – e continua sendo - estranho. Estados Unidos e Inglaterra estatizando bancos, Eurico Miranda deixando a presidência do Vasco, terremoto em São Paulo, polícia x polícia, José Serra aclamado como “líder carismático”, a morte da Dercy Gonçalves e por aí vai. Quando pensamos que nada mais surpreendente poderia acontecer, eis que Axl Rose resolve lançar o lendário Chinese Democracy, já disponibilizado para audição no MYSPACE.

O álbum que vem sendo prometido há mais de uma década e que consumiu a fábula de US$ 15 milhões ao longo dos anos finalmente é lançado de forma oficial no último dia 23. De forma oficial, pois diversas músicas (mesmo em suas versões “demo”) do álbum já “vazaram” pela internet nos últimos anos e davam uma idéia do que poderia ser Chinese Democracy.

IRREGULARIDADE
É o que marca o novo álbum do Guns n’ Roses, que agora se resume a Axl Rose e um punhado de (bons) músicos. Na verdade, talvez esse seja o problema de Chinese: é um álbum que leva o nome do Guns n’ Roses e não do remanescente, o egocêntrico Axl Rose.

Quando se fala em Guns n’ Roses logo vem à mente grandes canções como Welcome to the Jungle, Sweet Child O’ Mine, Rocket Queen, You Could be Mine e mais uma coletânea de músicas com riffs certeiros e solos de guitarra envenenados. Cortesia dos ex-guitarristas Slash e Izzy Stradlin, base de quase tudo de bom que o Guns já lançou até hoje. Slash deixou a banda justamente pelo motivo do vocalista querer “mudar a direção e buscar novas sonoridades”, fascinado com Nine Inch Nails e seu rock industrial.

Ao ouvir Chinese..., a primeira coisa que qualquer fã ou simpatizante da banda faz é comparar este álbum de 2008 com qualquer outro que o GN’R tenha feito anteriormente. Quem fizer isso vai chegar à conclusão que o disco é ruim; mas quem ouvir Chinese e comparar com o que vem sendo atualmente no cenário rock, pode até chegar à conclusão de que o disco tem suas virtudes, podendo até ser classificado como bom.

Claro, há bons momentos: a faixa-título, a despeito de sua longa e cansativa introdução “repleta de suspense”, traz um bom riff de guitarra e é bem pesada; a música “Better” tem refrão ganchudo, boas guitarras e uns rococós eletrônicos que Axl tanto perseguiu ao longo dos anos para tentar soar “moderno”. Estes mesmos rococós acabam soando exagerados e desnecessários em músicas como “Shackler’s Revenge” (que soa como um Nine Inch Nails embolorado) e “If the World”.

“If the World”, falando nela, é uma das músicas mais singulares do álbum e até mesmo do que ouve-se por aí. Uma guitarra flamenca, uma base funkeada (não confundir com o batidão carioca!), os rococós eletrônicos aqui e ali. E a voz esganiçada de Axl temperando tudo. A música é uma herança do estranho e genial guitarrista Buckethead, que deixou o GN’R em 2005. Quem ouve os trabalhos solo do guitarrista não se surpreende com esse tipo de som. É incomum. Não é ruim, pelo contrário, mas a voz de Axl não “casou” com esse estilo.

Continuando com os bons momentos, eles reaparecem em “There Was a Time”, “The Street of Dreams” (que já era tocada ao vivo desde o Rock in Rio 2001 com o nome “The Blues e é uma belíssima canção, talvez a que mais lembre o Guns n’ Roses da época dos álbuns “Use your Illusion”) e “Madagascar” (outra velha conhecida dos fãs e uma música bastante interessante).

Há boas idéias que foram desperdiçadas por excesso de produção. “Catcher in the Rye” é uma música de altos e baixos que começa muito bem, mas torna-se uma confusão de solos e a voz do Axl da metade pra frente, deixando-a cansativa; “Sorry” é outra balada que tem potencial, mas a introdução nada inspirada acaba comprometendo o resultado; “IRS” era bem melhor e mais pesada nas versões “demo”.

Nota-se em outras baladas do álbum ( Prostitute e This I Love) toda a influência que bandas como Queen , Electric Light Orchestra e o cantor Elton John exerceram em Axl Rose. Infelizmente são músicas descartáveis, assim como as pesadas “Rhiad and the Bedouins” ( apesar dos bons solos) e “Scraped” ( o coral de vozes sobrepostas de Axl na introdução mata a música).
AXL ROSE SÉCULO XXI
Chinese Democracy vai tocar nas rádios e será sucesso comercial (já bateu recordes de execução no myspace: em 48 horas foram 1,3 milhões de execuções). Como disse o guitarrista Zakk Wilde ( ex-Ozzy Osbourne), Axl Rose é um cara muito esperto. A lenda de Chinese Democracy e suas jogadas de marketing quase deixaram a música em segundo plano. As demos “vazadas” na internet para o público se acostumar ao “novo GN’R”, sem Slash e cia...
Chinese Democracy entrou para a história, mais pela lenda e marketing do que pela música em si. Ao contrário do que dizem, Axl soube adequar-se a estes tempos onde tudo é fugaz e descartável. 15 anos sem gravar nada inédito é suicídio para qualquer artista. Mas Axl conseguiu manter fãs ávidos por um novo material durante esse tempo todo e provavelmente consiga mais alguns com essas novas músicas. Pra quem já falou que a Internet parecia uma "lata de lixo", Mr. Rose saiu-se muito bem.

Com tudo isso houve um superdimensionamento do álbum. Expressões como "o mais aguardado de todos os tempos" e "o lançamento mais desejado da história da música" estão aí. Não é revolucionário, não é um Apettite for destruction e tampouco um volume de Use Your Illusion. Não é ótimo, mas também não é péssimo e nem ruim. É apenas um álbum muito bem produzido com algumas boas músicas de rock e experimentalismos. Diante do que temos atualmente, está até bom demais.

5 comentários:

  1. Em fase de testes:

    http://grooeland2.wordpress.com

    Mas já tem um texto tosco lá.

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  2. eu achei o ultimo album do guns uma grande merda coisa totalmente produzida pra radios =/
    quemera fã se decepcionou

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  3. Concordo plenamente com você. Em vista dessas bandinhas emos coloridas, o Chinese Democracy é praticamente a trilogia Led Zeppelin. Parabéns pelo seu blog!

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  4. Achei por aqui uma postagem mencionando o Axl... como curto Guns pra caramba, vim dar uma espiada. Comprei o Chinese e não achei ruim... só é totalmente diferente do que me acostumei quando Guns foi me apresentado através de álbuns como Appetite for Destruction, Use Your Illusion I e II, enfim... o fato é que sempre considerei o Axl um artista extremamente talentoso e quis acompanhá-lo nessa nova produção... mas não chegou a ser marcante como as músicas antigas que ainda insisto em escutar seguidamente e que pra mim representam o melhor do nome Guns N' Roses...

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  5. Quando vc escreveu esse post, eu não tinha blogue. Nunca ouvi rock, mas um vizinho ou via "bring me back to the paradise city, where the grass is green and the girls are pretty".
    Eu não tenho as manha de fazer crítica musical, mas percebi que vc fez legal. Quando criança, eu ouvia Michael Jakson. Aos 12 anos, entrei na banda da escola, aprendi um monte samba, sintonizei a MEC-AM RJ, e, desde então até hoje só gosto mesmo de samba. Mas tenho 4 LP do Raul Seixas, por influência de um primo que viveu na minha casa, e gostava do Raul. Eu também gostei, mas vejo hoje que ele era meio maluco, maluco belezaaaa! hehe

    =D

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