
(outra charge antiga. Não é que faltem ideias, falta é tempo mesmo. Mas vale!)
A morte do escritor português José Saramago, prêmio Nobel em Literatura, causou grande comoção nos fãs do autor de “Ensaio sobre a Cegueira” – e até naqueles que não apreciam o estilo literário do português, mas que compreendem a importância do escritor no mundo das letras. Eu me incluo neste último grupo.
E até quem nunca leu um livro de Saramago se manifestou. E dentre diversas declarações, houve uma que me chamou a atenção. Uma modelo quase desconhecida chamada Solange Gomes soltou a seguinte pérola em seu twitter: “Pergunta que não quer calar...rs, será que aqui todo mundo sabe quem é Saramago? Ou foram correndo falar com o Tio Google?”; logo depois a modelo afirmou que não gostava de ler.
Evidente que a “modelo” aproveitou a morte de um escritor mundialmente cultuado para fazer uma provocação e conseguir uns 15 segundos de fama – e acho que não conseguiu – mas por incrível que pareça a moça fez um apontamento interessante.
Em um país onde a leitura é um hábito praticado por uma pequenina parcela da população, é natural que nem todos conheçam ou sequer tenham ouvido falar em José Saramago. E muitas pessoas nas redes sociais pela internet confessavam isso, perguntando quem era Saramago. Imediatamente eram “atacados” com comentários do tipo “aff (!), que falta de cultura, não sabe quem é Saramago”, “ o brasileiro é muito alienado” e outras expressões no mesmo nível e para pior.
Isso não deixa de ser uma forma de Cyberbullying, uma modalidade de violência onde indivíduos são humilhados, intimidados e assediados por outro(s) individuo (s) através de tecnologias digitais. Quando um sujeito chama um indivíduo de “burro” por desconhecer o escritor Saramago está cometendo uma agressão. O fato de não conhecer o escritor português configura um sujeito sem cultura, alienado? É preciso tomar cuidado para não repetir velhos erros perigosos do passado, apenas para citar um exemplo: os colonizadores portugueses e espanhóis chegaram à América e dizimaram centenas de milhares de nativos pelo fato dos mesmos “não possuírem cultura” – no caso, a cultura dos valorosos habitantes da Península Ibérica.
Se grande parte da população brasileira não conhece Saramago, Machado de Assis, Lima Barreto, Fernando Pessoa, Charles Bukowski, Tchekov e muitos e muitos outros escritores isso não quer dizer que seja alienada ou sem cultura. Há outras razões para isso, mas isso fica para outra postagem. Sim, tem a ver com educação, mas também com o que o escritor e professor Daniel Pennac, em seu “Como um Romance”, adverte: o verbo ler não suporta o imperativo.
MALANDRAGEM
Jogador de futebol brasileiro, em boa parte, gosta de dar uma de “malandro”, mas quando é vítima de “malandragem” do jogador adversário fica revoltadinho. E isso acaba se estendendo para boa parte dos torcedores que aprovam a malandragem principalmente se é usada para ganhar um jogo.
Na partida entre Brasil X Costa do Marfim, vencida por 3x1 pela nossa seleção, o atacante Luís Fabiano fez um lindo gol, chapelando duas vezes os zagueiros adversários na grande área. Um golaço, pena que todo irregular: o atacante usou o braço duas vezes para levar vantagem no lance. Todo mundo comemorou, é claro, mas o gol deveria ser anulado.
Estranho foi o comportamento de muitos torcedores em não se importar com a irregularidade do lance. Diziam que “o importante é ganhar” e ninguém levantou a voz para dizer que o gol “foi roubado”. Curiosamente esses mesmos torcedores são aqueles que detonam o ex-jogador e agora treinador da Argentina, Maradona, pelo gol feito de mão na Copa do Mundo de 1986, no México; condenam também o jogador Thierry Henry, da França, que usou a mão para levar vantagem em um lance que se tornou o gol que classificou a seleção de seu país para a Copa do Mundo na África do Sul.
Já na expulsão do jogador Kaká, da seleção brasileira, o jogador da Costa do Marfim foi malandro e se aproveitou do nervosismo do bom moço camisa 10 da seleção brasileira e cavou a falta, fez uma encenação e conseguiu o cartão vermelho para o brasileiro. Neste caso quase todos levantaram a voz para dizer que “foi roubado”, a expulsão “foi injusta”, etc – mas se esquecem que o jogador Rivaldo usou de um expediente muito pior na Copa do Mundo de 2002, na Coréia do Sul/Japão ao simular uma bolada no rosto quando na verdade o adversário chutou a bola em sua perna. Na ocasião foram poucos torcedores e “especialistas” que saíram em defesa do jogador turco e muitos elogiaram a “esperteza” do jogador brasileiro.
É como cantava Bezerra da Silva: “malandro é o cara que sabe das coisas”. Mas de vez em quando aparece um cara que sabe um pouco mais. Coitado dos “mané”, que “da vida tem muito o que aprender”.
FÉRIAS
Este humilde e tosco blog ficará sem atualizações por uns 15 dias, afinal é período de férias e festividades juninas pelo Nordeste e este escriba partirá para algum local ignorado pelo sertão ou chapada diamantina. Certamente que os 4 ou 5 corajosos leitores não sentirão falta. Até breve e viva Seu João, vendedor de milho, amendoim, vinho e tocador de sanfona dos bão!
Sem malandragem, me siga no twitter: www.twitter.com/jaimeguimaraess
A morte do escritor português José Saramago, prêmio Nobel em Literatura, causou grande comoção nos fãs do autor de “Ensaio sobre a Cegueira” – e até naqueles que não apreciam o estilo literário do português, mas que compreendem a importância do escritor no mundo das letras. Eu me incluo neste último grupo.
E até quem nunca leu um livro de Saramago se manifestou. E dentre diversas declarações, houve uma que me chamou a atenção. Uma modelo quase desconhecida chamada Solange Gomes soltou a seguinte pérola em seu twitter: “Pergunta que não quer calar...rs, será que aqui todo mundo sabe quem é Saramago? Ou foram correndo falar com o Tio Google?”; logo depois a modelo afirmou que não gostava de ler.
Evidente que a “modelo” aproveitou a morte de um escritor mundialmente cultuado para fazer uma provocação e conseguir uns 15 segundos de fama – e acho que não conseguiu – mas por incrível que pareça a moça fez um apontamento interessante.
Em um país onde a leitura é um hábito praticado por uma pequenina parcela da população, é natural que nem todos conheçam ou sequer tenham ouvido falar em José Saramago. E muitas pessoas nas redes sociais pela internet confessavam isso, perguntando quem era Saramago. Imediatamente eram “atacados” com comentários do tipo “aff (!), que falta de cultura, não sabe quem é Saramago”, “ o brasileiro é muito alienado” e outras expressões no mesmo nível e para pior.
Isso não deixa de ser uma forma de Cyberbullying, uma modalidade de violência onde indivíduos são humilhados, intimidados e assediados por outro(s) individuo (s) através de tecnologias digitais. Quando um sujeito chama um indivíduo de “burro” por desconhecer o escritor Saramago está cometendo uma agressão. O fato de não conhecer o escritor português configura um sujeito sem cultura, alienado? É preciso tomar cuidado para não repetir velhos erros perigosos do passado, apenas para citar um exemplo: os colonizadores portugueses e espanhóis chegaram à América e dizimaram centenas de milhares de nativos pelo fato dos mesmos “não possuírem cultura” – no caso, a cultura dos valorosos habitantes da Península Ibérica.
Se grande parte da população brasileira não conhece Saramago, Machado de Assis, Lima Barreto, Fernando Pessoa, Charles Bukowski, Tchekov e muitos e muitos outros escritores isso não quer dizer que seja alienada ou sem cultura. Há outras razões para isso, mas isso fica para outra postagem. Sim, tem a ver com educação, mas também com o que o escritor e professor Daniel Pennac, em seu “Como um Romance”, adverte: o verbo ler não suporta o imperativo.
MALANDRAGEM
Jogador de futebol brasileiro, em boa parte, gosta de dar uma de “malandro”, mas quando é vítima de “malandragem” do jogador adversário fica revoltadinho. E isso acaba se estendendo para boa parte dos torcedores que aprovam a malandragem principalmente se é usada para ganhar um jogo.
Na partida entre Brasil X Costa do Marfim, vencida por 3x1 pela nossa seleção, o atacante Luís Fabiano fez um lindo gol, chapelando duas vezes os zagueiros adversários na grande área. Um golaço, pena que todo irregular: o atacante usou o braço duas vezes para levar vantagem no lance. Todo mundo comemorou, é claro, mas o gol deveria ser anulado.
Estranho foi o comportamento de muitos torcedores em não se importar com a irregularidade do lance. Diziam que “o importante é ganhar” e ninguém levantou a voz para dizer que o gol “foi roubado”. Curiosamente esses mesmos torcedores são aqueles que detonam o ex-jogador e agora treinador da Argentina, Maradona, pelo gol feito de mão na Copa do Mundo de 1986, no México; condenam também o jogador Thierry Henry, da França, que usou a mão para levar vantagem em um lance que se tornou o gol que classificou a seleção de seu país para a Copa do Mundo na África do Sul.
Já na expulsão do jogador Kaká, da seleção brasileira, o jogador da Costa do Marfim foi malandro e se aproveitou do nervosismo do bom moço camisa 10 da seleção brasileira e cavou a falta, fez uma encenação e conseguiu o cartão vermelho para o brasileiro. Neste caso quase todos levantaram a voz para dizer que “foi roubado”, a expulsão “foi injusta”, etc – mas se esquecem que o jogador Rivaldo usou de um expediente muito pior na Copa do Mundo de 2002, na Coréia do Sul/Japão ao simular uma bolada no rosto quando na verdade o adversário chutou a bola em sua perna. Na ocasião foram poucos torcedores e “especialistas” que saíram em defesa do jogador turco e muitos elogiaram a “esperteza” do jogador brasileiro.
É como cantava Bezerra da Silva: “malandro é o cara que sabe das coisas”. Mas de vez em quando aparece um cara que sabe um pouco mais. Coitado dos “mané”, que “da vida tem muito o que aprender”.
FÉRIAS
Este humilde e tosco blog ficará sem atualizações por uns 15 dias, afinal é período de férias e festividades juninas pelo Nordeste e este escriba partirá para algum local ignorado pelo sertão ou chapada diamantina. Certamente que os 4 ou 5 corajosos leitores não sentirão falta. Até breve e viva Seu João, vendedor de milho, amendoim, vinho e tocador de sanfona dos bão!
Sem malandragem, me siga no twitter: www.twitter.com/jaimeguimaraess

Campanha “ Eu quero a seleção da Dinamarca no Brasil em 2014, na sede em Salvador”.

