terça-feira, novembro 12, 2013

Qual superpoder você gostaria de ter?



Quem nunca brincou de super-herói na infância? Personagens como Super-Homem, Homem-Aranha, Mulher Maravilha, Thor e tantos outros heróis com superpoderes lutando contra as forças do mal e a injustiça sempre fizeram parte de nosso imaginário. 

Este imaginário não é algo relacionado apenas à cultura pop que transformou bandas de rock, artistas de cinema e personagens histórias em quadrinhos em ícones, sobretudo a partir da década de 60 do século XX – embora o surgimento dos super-heróis dos quadrinhos e sua popularidade tenha origem nas décadas de 20 e 30 do século passado. Ao longo da História podemos acompanhar diversos modelos heroicos em várias culturas. Dentre os mais famosos, os gregos também tinham os seus deuses e heróis com poderes surpreendentes: Zeus, por exemplo, além do poder sobre os raios e trovões, ainda poderia tomar a forma que quisesse – e amante insaciável que era, tirou proveito deste poder para manter relações com deusas e mortais. 

E durante uma conversa sobre os super-heróis das histórias em quadrinhos e seus poderes, a pergunta que surgiu na roda de amigos foi a já clássica “qual poder você gostaria de possuir?”. Um gostaria de ter a supervelocidade do “The Flash” para chegar rapidamente aos compromissos – mas será que o super-herói conseguiria escapar dos congestionamentos das grandes cidades? Outro gostaria de voar como o Super-Homem, um tipo de poder que é quase unanimidade entre aqueles que não têm medo de altura – e traria problemas para os controladores de tráfego aéreo. E, claro, outro superpoder que é quase unanimidade: visão de “raios X”, o que seria muito apreciada por adolescentes apaixonados pela vizinha (e não apenas os adolescentes, sejamos justos) e também pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos e Barack Obama.

Quando chegou a minha vez, não soube o que responder. Pensei como seria legal ter o poder da Tempestade, dos X-Men, a personagem que atua sobre o tempo: levaria chuva para o sertão e os finais de semana seriam ensolarados. Mas isso poderia criar um desequilíbrio ecológico se eu não utilizasse tal poder com sabedoria – ou, como diria Ben Parker, tio de Peter Parker/Homem-Aranha, “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. Eis um bom conselho sobre o qual muitos políticos poderiam prestar atenção.   

Fiquei na dúvida quanto ao superpoder, mas eu sempre mantive simpatia pelas “identidades secretas”, como no caso do próprio Peter Parker: o jovem estudante tímido que precisava de fato equilibrar-se no dia a dia com as contas a pagar, com as notas e trabalhos da faculdade, com a preocupação da tia May e, claro, problemas amorosos – e isso sem falar em um patrão esquentadinho. Não é à toa que o “amigão da vizinhança” é uma das personagens mais queridas das histórias em quadrinhos, porque ele é igual a mim, a você e a todos nós com os problemas cotidianos. É claro que um “sentido de aranha” para alertar o perigo ajuda bastante, mas não tenho notícias se isso ajudava Peter Parker a lidar com a TPM de Mary Jane. 

As identidades secretas nos fazem lembrar a humanidade dos heróis por trás das fantasias, das máscaras e dos superpoderes.  Eles também erram, têm suas limitações e nem sempre é possível utilizar seus poderes para resolver alguns problemas.  E justamente por não ser dotado de tais superpoderes dos deuses e super- heróis, o homem teve que recorrer às suas habilidades e competências para superar as adversidades, garantindo sua sobrevivência e evolução tecnológica. E, clichê dos clichês, temos muitos heróis anônimos no dia a dia sem capa, sem máscaras ou uniformes estilosos – e estes heróis não têm superforça ou um anel de poder, mas também não se conformam com injustiças e cultivam virtudes que estão presentes nos super-heróis dos quadrinhos, como ética e coletividade (lembre-se de grupos como X-Men e Quarteto Fantástico trabalhando em grupo e na divisão de tarefas).   

A discussão sobre os poderes continuou e alguém sugeriu que “ler a mente” de outras pessoas poderia ser legal. Não sei, talvez seja melhor não saber o que se passa na cabeça de muita gente, apesar da enorme curiosidade em relação a alguns. O melhor é ficar com as minhas “limitações” de ser humano sem superpoderes magníficos, mas utilizando algumas habilidades e contando com o poder das (aparentes) pequenas intervenções para, quem sabe, ser o herói na vida de alguém – e o melhor de tudo: sem precisar usar um cuecão vermelho sobre um vistoso uniforme collant azul. 

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