quarta-feira, junho 24, 2009

O comportamento sexual segundo Dr. Dick Payne

(Sim! Outra "arte" imbecil. Quer ver melhor? Clique nela)


Graças ao excelentíssimo senhor bufão presidente do STF (Supremo Tribunal de Falcatruas), Gilmar Dantas Mendes, para ser jornalista não é mais preciso ter diploma, o que significa que não precisa também cursar uma faculdade e essas bobagens do tipo "estudo" e "pesquisa", chega de perder tempo!

Portanto, hoje qualquer um pode ser jornalista. Se cozinheiras e costureiras podem, eu também posso. É isso aí, não reclamem, apenas acatem. Qualquer coisa, falem com o cappo Gilmar Dantas Mendes, mas tomem cuidado com os capangas.

Feita esta pequena apresentação, vamos ao que interessa. Como agora posso ser jornalista, aproveitei bem a abolição da ditadura do diploma ( obrigado, Mr. Dantas Mendes) e consegui uma entrevista com o polêmico Dr. Dick Payne, da University of Ray, Ohio. O Dr. Payne, 69 anos, também conhecido como "velho sacana" (título concedido por seus detratores), é especialista em sexologia, autor da controversa obra "Orgasmo Cósmico Blue" e nos dará (ops!) muitos toques (epa, epa!) sobre este assunto que sempre gera muito interesse. Vamos à entrevista, traduzida para a língua (hummm) Portuguesa, para sua vossa satisfação (oh, yes!).

Grooeland: Dr. Payne, semana passada tivemos uma notícia interessante: metade dos chineses até 25 anos vê pornografia na internet. Qual sua avaliação sobre isso?
Dr. Dick Payne: Bem, eu vejo isso como um aspecto muito positivo e que poderá inclusive ajudar o planeta. De que forma? Veja bem: a China tem quase 1 bilhão e meio de habitantes, e isso porque há uma rígida política de controle de natalidade no país. Com a pornografia on-line estes jovens farão mais sexo virtual, sentirão-se satisfeitos apenas com a masturbação, o que certamente ajudará a reduzir este índice de natalidade. Eu acredito que o governo chinês deveria incentivar a pornografia, poderia servir de modelo para outros países com problemas de super população.

Grooeland: Foi divulgada, aqui no Brasil, uma pesquisa sobre o comportamento sexual dos brasileiros. E um dado chamou a atenção: a quantidade de pessoas que fizeram sexo casual dobrou nos últimos quatro anos. Como o senhor analisa este dado?
Dr. Dick Payne: Com naturalidade. O Brasil é um país em que o sexo está presente em todas as situações. Até mesmo na política, da qual seus representantes gostam de foder com o povo o tempo todo. São mesmo insaciáveis. Mas posso falar do Brasil porque vivi aí algum tempo, fiz vários estudos e especializações. Em um desses estudos contei com a participação valiosíssima da professora Norma Lúcia, especialista em sexo casual, que me dizia: “todo mundo é corno, mesmo que não seja, por uma mera questão conjuntural técnica”. Ora, todos flertam, paqueram e, se encontrarem a brecha, por menor que seja, por parte do homem ou da mulher, farão sexo. Qual o empecilho para que pessoas livres e descomprometidas se entreguem ao prazer? E até mesmo aqueles que já tem relacionamentos, por que não? Não estou pregando a promiscuidade e traição, até porque há a questão da fidelidade nos relacionamentos mas também há o componente da fantasia, e o sexo casual faz parte do vasto imaginário criativo do brasileiro, seja o casual com desconhecidos, seja com o amigo, a amiga, o vizinho, a vizinha, colegas de profissão, enfim, um verdadeiro universo erótico onde as pessoas estão dispostas a realizarem suas fantasias, conforme a professora Norma Lúcia afirmou: “não existe ninguém razoavelmente normal que não pense ou não tenha pensado em prevaricar”. Portanto, vejo tudo isso com muita naturalidade.

Grooeland: São ideias bastante polêmicas, doutor Payne.
Dr. Dick Payne: Por isso me chamam de "devasso", mas gosto do que diz aquele presidente do Paraguai, Fernando Lugo, ex-bispo: " há momentos na vida em que os afetos do amor não tem idade e nem situação". E ele era padre, imagino as situações em que esses "afetos" aconteceram, amém. Conheci no Brasil o professor Rodrigues, que sempre foi muito preciso em suas ponderações. Ele costumava dizer que “se soubéssemos dos detalhes da vida sexual das pessoas não falaríamos com elas”. Ele é autor de vários estudos sobre o comportamento do brasileiro, inclusive sexual, recomendo entusiasticamente que procurem e leiam esses compêndios do professor Rodrigues.

Grooeland: Doutor Payne, essas ideias não generalizam as pessoas? Todos são assim?
Dr. Dick Payne: Ora, meu amigo, é só analisar, eu sou um pesquisador, este é meu trabalho: mesmo em tempos de crise, a indústria pornô continua ereta (nota da redação: este foi um post muito interessante do grooeland. Se não leu, sorte sua, pensando melhor) e lucrando muito, há um público ávido por novidades! Até para os evangélicos! O mundo gira em torno do sexo, meu amigo, as pessoas pensam em sexo o tempo inteiro!

Grooeland: Bom, Dr. Payne, eu discordo desta afirmação. Na verdade, de todas suas afirmações. E o amor, onde fica? O amor, a fidelidade? As pessoas não pensam apenas em sexo. Eu acho que o amor...ei, doutor, quem é aquela moça ali na copa?
Dr. Dick Payne: É Dolores C. Fuego, minha estagiária mexicana. Gostosa, né?
Grooeland: Muito. Belo par de seios!
Dr. Dick Payne: Ela está nos chamando para um chá. Mas ela sempre oferece Tequila mais tarde. Vamos! Dolores é muito eficiente, tem boas ideias também sobre o comportamento sexual dos mexicanos, podemos conversar sobre isso.
Grooeland: Boa ideia, doutor Payne. Aos leitores do Grooeland, encerramos aqui nossa entrevista. Hasta la vista!

sábado, junho 20, 2009

Gilmar Dantas Mendes conseguiu de novo: os holofotes da imprensa ( aproveitem, antes que acabe também)

Peço desculpas aos corajosos 4 ou 5 leitores deste infame blog. Eu havia preparado outro texto bem idiota mas que certamente seria apreciado pelos meus parcos leitores e ocasionais visitantes, pois fala de sexo (oh, yes!), mas não se preocupem, taradinhos e taradinhas: o texto está muito bem salvo e será publicado na próxima atualização. Yes, yes, yes!

O assunto desta vez é sério e preocupante. Como todos já sabem, o STF ( Supremo Tribunal de Falcatruas), presidido pelo cappo Gilmar Dantas Mendes, determinou o fim da exigência de diploma universitário para o exercício profissional do jornalismo. A decisão é polêmica até mesmo entre algumas entidades do setor de imprensa e estudantes das faculdades de jornalismo.

A discussão rende. Mino Carta, Paulo Henrique Amorim e tantos outros homens de imprensa bastante conhecidos são contra o diploma; Ricardo Kotscho chama a atenção para o fato de que com o crescimento ao acesso das mídias eletrônicas ninguém mais precisa de diploma para ser jornalista; Fausto Wolff, um dos jornalistas/escritores que eu mais admiro, achava (sim, infelizmente o “Faustão que vale a pena” nos deixou) que o diploma ajudava o candidato a jornalista, mas não deveria ser obrigatório para exercer a profissão. Contrários ou favoráveis, o assunto vem sendo discutido há muito tempo nas esferas jornalísticas.

Sou favorável à exigência do diploma para que se exerça profissionalmente o jornalismo. E apesar de concordar em parte com Fausto Wolff, vou explicar o porquê através do que acontece em minha profissão. Trabalho na área de educação. Sou professor, formado, especializado em tecnologias aplicadas à educação com conhecimento pedagógico teórico e prático suficiente para exercer a profissão e, principalmente discutir educação e seus desdobramentos.

Fico irritado quando leio certos artigos sobre educação que não possuem qualquer fundamentação teórica e prática para tanto. Isso é comum nas grandes revistas e jornais em circulação no Brasil: são economistas, administradores, advogados, jornalistas e até mesmo teólogos falando sobre magistério e educação sem nunca exercerem a função ou defendendo ideias absolutamente distantes (e até preconceituosas) da realidade docente. Nada contra tais profissionais emitirem opiniões sobre a educação, desde que demonstrem alguma coerência e aprofundamento quanto ao assunto ( o que geralmente não acontece); o problema é que os professores “na linha de frente” não são ouvidos. São tratados como “sacerdotes” ou “tias”. Se o professor - profissional que deveria ser ouvido em primeiro lugar quando o assunto é educação - fala ou escreve algo, é ‘chorão’, diferentemente da opinião dos chamados ‘especialistas’, que são tratados como verdadeiros "gurus educacionais".

Encontramos, então, aventureiros que se metem com educação (inclusive dando aulas, enquanto professores concursados estão fora das escolas), aventureiros que se metem com jornalismo. Aventureiros como os ministros do STF e seu cappo, Gilmar Dantas Mendes, que comparou os jornalistas às cozinheiras e costureiras. Nada contra nossas cozinheiras e costureiras, mas é o tipo de afirmação perigosa, pois além de desprezar a questão do estudo e do conhecimento, nosso cappo já deu mostras do que realmente pretende: “A decisão vai suscitar debate sobre a desregulamentação de outras profissões. O tribunal vai ser coerente e dirá que essas profissões podem ser exercidas sem o diploma”.

Este é o problema. Deixar na mão de insanos egocêntricos e boçais o destino da regulamentação de algumas profissões é perigoso. Até que ponto sujeitos como Gilmar Dantas Mendes e patota podem decidir sobre o futuro de profissionais em diversas áreas? Teoria conspiratória do momento: os sindicatos e os direitos trabalhistas destas profissões que não forem "regulamentadas" pelo tribunal serão mantidos?

Não posso e nem vou me aventurar pelo Direito e demais questões jurídicas, mas não deixa de ser preocupante que o STF comece a decidir em nome de diversos profissionais, sobretudo se Gilmar Dantas Mendes está envolvido. Aí, segundo a dona Maria das Dores, cozinheira das boas ali do restaurante da esquina, o "caldo azeda" e não há tempero que disfarce o gosto ruim.

quarta-feira, junho 17, 2009

Vai pra casa, menina! Chega de rua, menino!

- Ah, mãe, só mais um pouquinho, peraí, tá acabando!
- Não quero saber! Já pra casa!

E era assim que eu, o goleiraço do time, o Rodolfo Rodrigues da rua, o paredão do gol (também, gordinho como eu era, literalmente fechava a meta), o herói dos pênaltis desfalcava meu time no momento mais crítico da partida: o final, na hora da “Ave-Maria”.

Mamãe era rigorosa com o horário. Deu 18h, lugar de criança é em casa. Isso pode até soar como antiquado atualmente, mas era assim que a coisa funcionava comigo e com muitos amigos durante a infância. Dava a hora da Ave-Maria e começava o coral: “Ronaldooo! Sai da rua!”, “Marcoooo!!!”, “Rivaaaa!”, “Lessandro, já pra dentro!”, “Luisinhooo, não vou falar de novo!”. E ai de quem falasse “Num vô”. Tomava uma surra de chinelo e ainda ficava de castigo. Provavelmente muitas mães seriam processadas hoje em dia... eca!

Atualmente quem tem que fazer o papel de “mãe” e chamar os filhos pra casa é a Justiça. Ao menos é o que vem acontecendo em 3 cidades no interior da Bahia, onde o juiz determinou um “toque de recolher” para crianças e adolescentes.

A decisão causou polêmica e é tema de discussões por estas bandas. A imprensa local promove enquetes, tribunas, enfim, incentiva o debate e quer saber se as pessoas são contrárias ou favoráveis a este tipo de decisão. A grande questão que colocam por aqui é: pode a Justiça interferir no direito da pessoa ir e vir livremente em qualquer hora do dia ou da noite?

Na humilde opinião deste fantástico ex-goleiro de campinho de terra (acredite: isso existiu um dia nas grandes cidades), a questão é outra: foi preciso chegar a este ponto, da Justiça emitir um “toque de recolher”, para impor uma condição que deveria ser responsabilidade dos pais das crianças e adolescentes?

Sei que os tempos são outros, a família brasileira vem mudando seu perfil e hoje as brincadeiras como “esconde-esconde” e “pega-pega” adquiriram outras conotações (aliás, um dos argumentos utilizados pelo juiz para adotar o “toque de recolher” foi justamente conter a exploração sexual de crianças e adolescentes), mas uma coisa que não deve mudar jamais é a responsabilidade dos pais em relação aos filhos ou filhas.

Colocar um novo ser humano neste mundo é coisa muito séria. “Ah, aconteceu”, diz aquele casalzinho. Tem nada não: preparem-se as para responsabilidades, alterações na rotina, “sacrifícios” de tempo, alegrias e preocupações, novas dinâmicas no dia a dia, os custos...ih, não é fácil mesmo! E agora? Lata de lixo? Aborto? Vende pro exterior? Larga numa caixa na porta do orfanato? Joga nas costas dos avós? Manda pra escolinha, pra creche? Larga à toa? Valei-me São Cosme e Damião?

Sem chance, casalzinho: toma que o filho é teu! Mas relaxem, pois a Justiça e o Estado cuidarão do rebento; e gozem, mas não precisa elevar os custos da Bolsa-Família!

sexta-feira, junho 12, 2009

Homenagem a um amigo

Desculpem aos 5 ou 6 leitores que insistem em acompanhar este blog porque tem esperança em encontrar textos interessantes por aqui ( e nunca encontram), mas desta vez o texto é bastante pessoal, confidencial até. Trata-se em homenagear um grande amigo pelo seu aniversário, um amigo que foi fundamental para minha formação como leitor.

Ele não é jovem, mas não ligo para coisas à toa como idade. Já chegou aos 70 anos, mas é um adolescente, ainda. Meio irritado, meio brigão, mas de uma obstinação e força de vontade imensa. Eu só lamento que seja um pouco azarado este meu amigo, mas confesso que me divirto com os seus azares. Não pensem mal dele, trata-se de um bom sujeito.

O que eu mais gosto neste amigo é que ele sempre está viajando pelos lugares mais distantes e estranhos do mundo e me conta como foi. E devoro suas histórias com indisfarçável entusiasmo. Na verdade, foi ele que me inspirou a gostar de leitura e atiçava minha curiosidade em saber mais, sempre mais. Isso ajudou, inclusive, em meu processo de alfabetização.

Ele viajava ao Peru e falava de um antigo povo que vivia por lá, os Incas. E depois eu corria para a biblioteca da escola ou do bairro ou mesmo a uma enciclopédia que havia em casa e procurava saber mais sobre aquela incrível civilização; ele viajava para o Egito e contava histórias fantásticas de faraós, pirâmides e múmias - e eu corria novamente para a biblioteca. E viajava através dos livros e imagens nas publicações: África, Oriente Médio, Índia, Estados Unidos...meu amigo viajava, contava as histórias e eu complementava nos livros. Tanto que na 5.a série, quando a professora de história falou pela primeira vez sobre civilizações pré-colombianas, eu já estava familiarizado com o assunto.

E daí para leituras como Monteiro Lobato, Orígenes Lessa, Mark Twain foi algo natural. Se hoje sou um amante da leitura e dos livros, devo muito a esse grande amigo. Que foi muitas vezes injustiçado, acusado de alienador e, vejam só, diziam que era um leviano, pois subvertia os chamados “valores familiares”, pois nunca quis compromisso sério e nem tem filhos ( mas tem parentes legais, embora também se metam em confusões, como alguns sobrinhos, um tio que é rico - e banca as viagens - e primos malucos). Poderia ser uma teoria interessante nos anos 60/70 ( e era, de fato), mas hoje é datada. Prefiro ver o lado positivo da leitura.

Amigo que é amigo está junto em vários momentos e eu mesmo já sofri na pele por causa desta amizade. E foi na escola: descobriram que eu dava mais atenção às suas histórias do que as aulas de Matemática (nunca  me dei bem com Dona Álgebra)  e Educação Artística (o que é curioso, pois sempre adorei artes, mas sentia que a criatividade e autonomia eram tolhidas naquelas aulas) e por isso quiseram me suspender, fui chamado à diretoria. Chorei, esperneei um bocado, mas sabem como é colégio com orientação religiosa: se eu desse um beijinho no rosto de uma menina, poderia ser suspenso até por 3 dias; uma olhadinha para as pernas da colega poderia render uma advertência - imagine dar atenção a um amigo que, segundo alguns orientadores educacionais baseados em velhas teorias absurdas, subverte a “moral da família e questionava autoridades”?

Gostaria de fazer esta homenagem a ele, em forma de texto. Agradecer o quanto ele foi importante pra mim. E hoje, se em minha biblioteca estão Charles Bukowski, Mark Twain, Goethe, Fernando Pessoa, Machado de Assis, Lima Barreto, Edgar Allan Poe, Ambrose Bierce, João Ubaldo Ribeiro, Millor Fernandes, Kurt Vonnegut, Fausto Wolff, Kafka, Campos de Carvalho e tantos e tantos outros, todos eles deveriam reverenciar este amigo que me incentivou no caminho da literatura.

Muito obrigado, meu velho amigo Donald Duck! Parabéns pelos seus 70 anos! Meio atrasado, mas ainda vale! Quack!

terça-feira, junho 09, 2009

Renovando a carteira de motorista ( dã!)

- E aí, rapaz, como foi a prova lá do DETRAN?
- Ah, foi tudo bem, acertei 26 das 30 questões. Agora é só pegar a carta.
- Pô, tu é um crânio mesmo!

Para renovar a carteira de motorista – se esta for anterior a 1999 – o motorista tem duas opções: fazer um curso de direção defensiva e primeiros socorros ou fazer a avaliação teórica sobre os mesmos assuntos. A prova tem duração de 40 minutos, 30 questões ( das quais vinte questões referem-se à direção defensiva e as dez restantes sobre primeiros socorros) e se o motorista acertar 21 questões, está aprovado.

Acertar 26 em 30 questões não é assim tão fenomenal para uma prova que consegue ser mais fácil do que o vestibular da faculdade aí na esquina da rua onde você mora. Na verdade acho que esta avaliação do DETRAM (Departamento de Trambiques) deveria ser rebatizada como “avaliação do bom senso do motorista”.

Uma das questões da prova de direção defensiva dizia mais ou menos o seguinte:

Ao transitar por uma rua onde há crianças saindo da escola, o motorista deve:
a) manter o veículo com a mesma velocidade.
b) acelerar para deixar a via o mais rápido.
c) conduzir o veículo em velocidade compatível e atenção.
d) buzinar e manter a velocidade.

Tá achando ridícula essa questão, né? Mas aposto que o deputado Fernando Carli Filho não acertaria esta. E talvez nenhum fã de “Ferozes e Furiosos”, acho que é esse o título do filme. Provavelmente marcariam alternativa "b".

Quer outra? Dá uma olhada:

O Condutor acabou de ser demitido do seu emprego. Ele deve:
a) Acelerar, para chegar logo em casa.
b) Buzinar, para sair logo do trânsito.
c) Ir ao bar, tomar algumas cervejas e depois ir para casa dirigindo.
d) Manter-se na pista da esquerda pra dirigir com velocidade.
e) Manter-se tranqüilo e redobrar a atenção no trânsito.
f) Ir ao bar, tomar algumas cervejas, retornar ao veículo, ligar o som em alto volume e cantar “killing in the name” do Rage Against the Machine, soltando o gogó no trecho “Fuck you, I won’t do what you tell me”.

Evidente que a alternativa “f” é autoria deste escriba. Boa para relaxar e desabafar, não acham? Mas convenhamos: algumas questões são feitas mesmo pro motorista não passar pelo constrangimento de “zerar” a prova, só pode ser isso. E ainda há quem consiga errar questões assim. Quer fazer um teste? Experimente o simulado do DETRAN-BA.

E pelo o que se vê pelo trânsito no dia a dia, centenas de motoristas seriam reprovados em questões básicas relativas ao bom senso, que no fundo é do que se trata a avaliação do DETRAN. Dirigir falando ao celular, avançar o sinal vermelho, ultrapassagens malucas, retornos proibidos, excesso de velocidade, não ligar a seta para sinalizar o que vai fazer ( em Salvador o motorista correto precisa desenvolver habilidades paranormais como “adivinhação”) andar “colado” no carro à frente, bebida alcoólica e direção...tudo aquilo que Dona Prudência recrimina e condena o motorista brasileiro vai lá e faz! Com brasileiro não há quem possa!

Dificuldade mesmo para renovar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) só no exame de sanidade física e mental. É terrível, longo e extremamente rigoroso: “Que luz é essa? E essa? Agora, fique de pé. Coloque o pé direito à frente do esquerdo. Agora, o contrário. Ok, pronto. Está apto”.

E pra completar o quadro ainda tem que pagar R$ 47,00 por esse exame e mais R$ 65,00 de “taxas diversas” do DETRAN. Quem estipulou isso é que merece passar por um exame de sanidade mental...

sexta-feira, junho 05, 2009

José Manoel, o Zé Mané ( ou como um sujeito fica à mercê da má-vontade burrocrática e estúpida em nome da lei)

Ando muito preocupado com o meu amigo, o bom José Manuel. Tratava-se de um jovem educado, refinado até, bom caráter, articulado (nunca ouvira um palavrão sequer emitido por seus lábios) enfim, um bom candidato para a diplomacia – nem falo de sacerdócio, pois Zé Mané, até onde sei, não é chegado a criancinhas. Mas isso, pelo visto, ficou no passado; ultimamente meu amigo tem estado muito nervoso, falado palavrões pelos cotovelos e arriscaria até a dizer que ele anda revoltado. Tenho até medo que cometa alguma loucura.

Encontrei-o no nosso habitual boteco, que na verdade é a sala de psiquiatria sem glamour e daqueles que não se levam a sério em demasia. Deixei-o falar, sem interrompê-lo, já que desabafo é assim que deve ser.

“Cada vez mais me convenço de que nesta bosta de país o sujeito que é honesto e quer fazer tudo certinho não vai pra frente mesmo. Você sabe, eu sempre condenei o jeitinho e a esperteza que um monte de gente utiliza pra tirar vantagem de alguma situação. Mas isso mudou: não apenas retiro meu veredito como apoio quem se utiliza destes expedientes! Eu falei a você, comprei um monitor destes de LCD, cheio de frescura e de marca que diziam ser muito boa. Tá certo, fui lá e comprei à vista porque esse negócio de prestação e dívida em cartão não presta. E não é que com 15 dias a porra do monitor pifou? Sabe qual foi a pior parte? Foi achar que a culpa era minha. Então verifiquei cabos, corrente elétrica, ligações, tudo normal. O jeito foi levar pra assistência técnica, essa praga dos tempos modernos, só pior que DETRAN, repartição pública e serviços judiciários. Lá ao menos tive um alívio: a culpa não foi minha. Foi problema de fabricação mesmo. Ora, se a culpa não é minha e é defeito do aparelho, o jeito é trocar, não? Não é isso que a lógica e o bom senso pedem? Pois é. A mocinha da assistência técnica me sugeriu voltar à loja e tentar efetuar a troca, pois trata-se de um estabelecimento comercial bem conceituado. Ao chegar na loja um dos gerentes me atendeu e disse que não efetuaria a troca, pois não li as letrinhas miúdas lá da nota fiscal: só efetuamos trocas no prazo de 72 horas após o a venda do produto. Apelei para a política de satisfação do cliente pois um produto que deu defeito com apenas 15 dias é foda! Mas nada feito, os patifes estavam “cumprindo o que a lei determinava”. Juro que vou me lembrar disso. O jeito foi voltar à assistência técnica. A mocinha da recepção de serviço – até jeitosinha – afirmou que o reparo levaria 30 dias. Porra, 30 dias! Esses malditos chineses fabricam uma porcaria de monitor em 10 minutos e esses filhos da puta não querem simplesmente trocar meu LCD detonado por um novo, seria bem mais fácil. Mas não, tem que ser tudo do jeito difícil pra foder com o consumidor. Filhos da puta é o que são! Mas é porque tá na garantia, aposto que se eu pagasse o serviço andava rapidinho! Então deixei a merda do monitor lá pra eles arrumarem sei lá que diabo e fui ao PROCON. Porra, eu poderia fazer qualquer coisa naquele dia, afinal era meu aniversário, mas você sabe como eu sou. Quando expliquei o caso para a atendente lá – não era assim tão bonita, mas uma simpatia só – ela simplesmente disse que tanto a loja quanto a assistência técnica estavam com a razão e amparadas pela lei. Perguntei, então: e o trouxa aqui é quem sai no prejuízo, não? Porque a loja simplesmente me disse “se vira” e a assistência técnica só me deu uma alternativa e nem sequer um monitor substituto enquanto o novo ficava lá no estaleiro. A moça me disse que se eu reunisse provas de eu que fui prejudicado durante este período eu poderia entrar com ação no tribunal de pequenas causas, mas ela mesma me disse que isso demora de 45 a 60 dias. Agradeci à moça pela sinceridade e saí dali pensando na puta humilhação, é, é humilhação o que passei e nessas leis que só fodem com o sujeito. Eu deveria era imitar o Michael Douglas no filme 'Dia de Fúria', quem sabe assim eu resolveria meu problema? Porra, essa cerveja tá quente, traz outra, que saco!”

Na verdade eu compreendo meu amigo. Zé Mané é todo certinho e formal, Zé Mane é educadinho demais, Zé Mané ainda acredita em “palavra”, Zé Mané é dócil, um gentleman. Geralmente estas pessoas, quando sofrem alguma injustiça surtam de vez ou acabam se fragilizando cada vez mais, impotentes diante do mundo das leis das “otoridades” e até dos espertos. Crescem com ideais e valores nobres até serem engolidos pelo monstro deformado e burro chamado “Burrocracia” - eu sei, uma "monstra", filha da ponte que caiu. Eu realmente estou preocupado com meu amigo Zé Mané. Se ele ao menos escrevesse, poderia expurgar suas revoltas, suas frustrações. Até daria um bom escritor, honesto e sem floreios, que é o que precisa nossa literatura.

segunda-feira, junho 01, 2009

A Copa do Mundo é nossa! ( Papo grampeado entre empreiteiro e deputado)

Pra variar, arte tosca do autor do blog. Clique na imagem se quiser ver isso aí direito...

Mais uma vez e atendendo a um ou dois pedidos, acionamos nossa central de grampos da semana e com o assunto do momento: a escolha das cidades sedes para jogos da Copa do Mundo de 2014 aqui no Brasil.E a festa pelo anúncio das cidades não ficou somente a cargo do Olodum: empreiteiras, lobistas e raposas da política já comemoram antecipadamente 2014. Como sempre e para preservar a integridade física deste grampeador, não divulgaremos os nomes das autoridades envolvidas nesta conversa.

- Fala, meu querido deputado!
- Ô, meu amigo! Tudo bom? Que festa é essa por aí? Tô ouvindo música, risos...
- E não é pra ter festa, meu caro? Afinal a Copa vem aí e já temos que começar a convocar a nossa torcida, não é?
- Claro! Temos que fazer uma excelente Copa do Mundo!
- E vamos fazer, com estádios novos, tudo novo!
- Vamos demolir esses elefantes brancos que tem espalhados por aí...tem cada estádio feio de doer!
- Pois é, aqui em Salvador tem a Fonte Nova toda detonada. Vamos demolir e construir outra. No Recife nem tem estádio decente, vamos construir outro! Em Cuiabá praticamente vamos fazer um novinho! Enfim, nas 12 cidades tem trabalho a ser feito!
- Mas nós ainda temos que ver quais estádios entrarão com parceria público-privado. Tem praças por aí que o investimento será 100% privado...
- Não tem problema, eles precisam de obras públicas na cidade, não é? Tem um monte de cidade que não tem sequer um metrô! Quando não dá pra ganhar, o empate até que é bom resultado...e é aí que nosso time entra: você faz o meio de campo com seus colegas deputados e com os partidos e nós aqui entramos com o ataque.
- E o bicho?
- 100 mil por vitória.
- Eu acho pouco. Eu proponho 200 mil por vitória e 100 mil por empate. Isso motiva o grupo para conquistar o título.
- Bom, eu acho que pode ser assim. Mas quero que você contrate só os melhores, hein? Não quero saber de perna de pau!
- Fica tranquilo, amigão! Eu só conto com craque no meu time, só entro pra ganhar.
- Acho bom, deputado, porque quero começar a jogar em Fortaleza!
- Ah, Fortaleza, uma bela cidade, uma boa escolha!
- E também porque segundo a prefeitura de Fortaleza e o governo do Ceará o orçamento para a Copa já foi aprovado: R$ 9 bilhões!
- Sem dúvida, é a cereja no bolo. E claro que isso é apenas o orçamento inicial.
- Exatamente. Lembra do estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro? Previsto para custar R$ 60 milhões e terminou saindo por R$ 350 mi. E aqui na Bahia? A reforma do estádio de Pituaçu que ficaria em torno de R$ 20 milhões e que acabou saindo no total por R$ 52 milhões? Portanto, amigo, esses R$ 9 bilhões no Ceará só darão pro começo!
- Eu diria que somente com Fortaleza já daria pra pendurar as chuteiras...
- Sim, mas Rio de Janeiro e São Paulo têm R$ 10 bilhões à disposição, estima-se. Pra fazer gols ali vou ter que furar a retranca, deputado. E nem quero saber como: dê um jeito aí pra "conversar" com o juiz, já que você sabe como fazer isso aí muito bem...
- Pode deixar, amigão, o juiz e os bandeirinhas jogam no nosso time! Convoque a torcida que vamos ter uma Copa e tanto!
- Só mais uma coisa, amigo deputado...você que tem bom trânsito lá na CBF...veja se dá para colocar a seleção da Suécia aqui em Salvador.
- Ué, rapaz, que é isso? Vai torcer pra Suécia, é?
- Não, é pra trazer a torcida sueca pra cá...com aquelas loirona, sabe? Os suecos não se importam, afinal com aquele capacete viking que eles usam, alguém precisa cuidar das loira, não é? Conto contigo, amigão! Um abraço!

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