sábado, maio 24, 2008

E o nosso frágil planetinha...

...neste ritmo não dura sequer os próximos 50 anos. É assustador o que vem acontecendo no planeta quanto aos níveis de consumo e destruição que vem afetando todo o ecossistema. Tragédias que são atribuídas como culpa da ‘natureza’ ou ‘vontade de Deus’ na verdade são em boa parte resultados da ação insana e inconsciente do homem.

TRÂNSITO: O PERIGO QUE POUCOS ATENTAM
Quando falam sobre o problema do trânsito, geralmente focam na questão “congestionamento”.


Não é para menos. Só para ficar no Brasil e mais especificamente em Salvador, que chega perto de 3 milhões de habitantes ( distante, portanto, de SP e RJ em termos populacionais), a venda de carros aumenta em um ritmo enlouquecido ( como o trânsito da cidade, composto em boa parte de motoristas absolutamente insanos e sem o mínimo senso de prudência). Na capital baiana 165 veículos são emplacados diariamente. Em São Paulo, com quase 6 milhões de automóveis, são 635 carros emplacados por dia.

O consumo é incentivado a todo o momento. Há até filas para se comprar carros zero km e as concessionárias registram recordes de vendas. É muito fácil comprar um carro hoje no Brasil: nem precisa ter dinheiro pelos próximos 4 meses: tem promoção até para levar o veículo de graça e só começar a pagar em Setembro e financiar em “suaves” 72 meses com um taxa de juros bem camarada. Em cidades sem estrutura, sem planejamento urbano, sem transporte de massa eficiente tais promoções e facilidades são muito atrativas.

Enquanto a imprensa focaliza apenas os congestionamentos e o stress dos motoristas ( sem contar os inúmeros acidentes de trânsito causados por toda a sorte de fatores), o impacto ambiental é esquecido. Veja quanto um veículo motorizado comum contribui para a degradação do meio ambiente:

- Em média, o carro americano libera 135kg de dióxido de carbono de um tanque de gasolina, cheio, de 65 litros.


- Os veículos motorizados contribuem com 14% das emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Adicionadas as emissões na extração, transporte, refinaria e distribuição de combustível, esse número aumenta para entre 15% e 20% das emissões mundiais.

O custo ambiental de um carro também é impressionante:
- Produção do carro: 1,5 tonelada de dejetos e 74 milhões de metros cúbicos de ar poluído;
- Uso do carro: 18,4 quilos de dejetos abrasivos e 1,016 bilhão de metros cúbicos de ar poluído.
O descarte de carros velhos e de componentes velhos de carros – pneus, baterias e óleo – ajudam a aumentar o impacto ambiental do carro.

Estes dados estão contidos no livro “Apocalipse Motorizado – a tirana do automóvel em um planeta poluído”, coletânea de artigos e dados organizada por Ned Ludd, editora Conrad.

Uma boa alternativa barata, simples e saudável, seria a adoção da bicicleta. Mas e a estrutura para que as pessoas pedalem? No Rio de Janeiro e Curitiba estão as maiores cliclovias do país, com 150 km de extensão. É muito pouco, principalmente quando observamos quantitativamente a população destas cidades.

Com a ciclovia – e no trânsito, em geral – é necessário educação. Educação daquele tipo que era chamada de “educação de casa”. Coisa rara hoje em dia.

MIANMAR
Em mais uma tragédia causada por um fenômeno natural no sudeste asiático, a passagem do
ciclone Nargis por Mianmar ( antiga Birmânia) deixou um rastro de destruição que até hoje não se sabe ao certo quantificar graças à ditadura que manda no país desde a década de 60. A ONU fala em 1 milhão de desabrigados e órgãos internacionais falam de 80 mil mortos.

É muito comum nessas horas se dizer que “a natureza se vinga e não há nada que possa ser feito”. Que a natureza segue seu rumo, isso é verdade ( embora seu rumo esteja alterado pelas ações do homem), mas no caso de Mianmar ( ou Mianmá) os generais deram uma mãozinha.

Mike Davis, em seu “Planeta Favela” traz uma historinha interessante sobre a antiga Birmânia e seus generais:

“o programa mais orwelliano de ‘embelezamento urbano’da Ásia em tempos recentes foi, sem dúvida, a preparação de ‘1996, Ano de visita a Mianmá’, realizada em Yangon e Mandaly pela ditadura militar da Birmânia sustentada pela heroína. Um milhão e meio de moradores – inacreditáveis 16% do total da população urbana – foram removidos dos seus lares ( frequentemente, por incêndios provocados pelo Estado) entre 1989 e 1994 e enviados para cabanas de bambu e palha construídas a toda pressa na periferia urbana, agora rebatizada com o horripilante nome de ‘Novos Campos’. (...)


Em seu livro Karaokê Fascism [ Fascismo de Karaokê] Monique Skidomore descreve cenas violentas ocorridas em Yangon e Mandalay, que fazem lembrar o famoso despovoamento de Phnom Penh, por Pol Pot. ‘Quarteirões inteiros da cidade desapareceram em questões de dias, a população é carregada em caminhões e realojada à força nos novos povoados que o governo criou (...) os bairros urbanos foram substituídos por projetos como o novo Campo de Golfe de Yangon, destinado a turistas ocidentais e empresários japoneses”.

Provavelmente os generais de Mianmar não ligaram muito para os mortos em cabanas de bambu e palha em povoados distantes da capital ( pobres e miseráveis, quanto mais distantes, melhor). E para os desabrigados, a receita é conhecida e barata: bambu e palha. E a miséria aumenta em campo fértil para todos os tipos de doenças, explorações (sexuais, inclusive), crimes e drogas.

AMAZÔNIA: DAQUI A ALGUM TEMPO, SÓ MESMO EM IMAGENS DE ARQUIVO
É o que tudo indica. Quem vê a polêmica da reserva indígena raposa serra do sol talvez não entenda o porquê de tanta confusão. Mas há muitos interesses na região amazônica que poderão acelerar ainda mais o desmatamento da região.

Está tramitando pelo congresso ( o senado já aprovou e o projeto está agora na Câmara dos Deputados) o
projeto do senador Flexa Ribeiro ( PSDB-PA), em que o proprietário de terras em território florestal mantenha apenas 50% das reservas, ao contrário dos atuais 80%; além disso, prevê que as áreas desmatadas podem ser “reflorestadas” com árvores e plantas não-nativas da região, como eucalipto, palma de dendê, cana-de-açucar, etc.

São as chamadas “plantas energéticas”, mas não surpreenderia ver pastos repletos de gado ou campos de soja na região amazônica. O projeto já foi apelidado de Floresta Zero e rende discussões acirradas entre ambientalistas e a turma ruralista.

Muitas empresas estrangeiras já estão na Amazônia desfrutando de todo o potencial da região. E várias já registraram patente sobre produtos da floresta, mesmo aqueles utilizados há séculos pelos indígenas. E há empresas como a Vale do Rio Doce que planeja construir duas siderurgias na Amazônia. Siderurgias precisam de energia. E não é pouca. De onde vão tirar? Adivinhão!

A devastação da floresta segue a passos largos. Madeireiras, agricultores, pecuaristas... todos detonando a floresta e nada ou muito pouco sendo feito. Somente entre 2006 e 2007, foram derrubados 11,2 mil quilômetros quadrados de floresta, o que dá sete vezes uma área como a cidade de SP. O próprio ministro da agricultura, Reinhold Stephanes
reconhece
que a criação de gado é um grave problema para a manutenção da floresta.

Com tantos interesses puramente econômicos, consumismo, agressões ao meio ambiente será que este belo planeta se sustenta por mais, digamos, 50 anos? Ecochato? Apocalíptico? Ah, tá...imagine 1 bilhão de chineses rodando com seus carrinhos por lá, liberando toneladas de dióxido de carbono na atmosfera.

Se sobrar alguma coisa, volte para contar.

postado ao som de "Relics - Pink Floyd"

quinta-feira, maio 08, 2008

Elevador também é cultura!

Apesar da minha profunda aversão a elevadores e também por já ter feito meus exercícios matinais, liberei-me de subir os degraus da escada até o segundo andar da empresa e fui mesmo naquela caixa metálica com uns barulhos de cabos de aço sendo puxados ( por que fazem aquele barulho do tipo "moído"?) pelas roldanas (calafrios!!!).

Logo acima do painel onde ficam os botões (tem uns botões ali que eu nunca saberei o que significam), um selo atestando a garantia da manutenção pela empresa ThyssenKrupp.

Não, não é propaganda da empresa. É que esses termos não me soam estranhos. Comecei a lembrar de algumas leituras e de algumas aulas de história.

THYSSEN é a metalúrgica alemã onde o “turco” Ali trabalhou em condições sub-humanas com seus companheiros também da Turquia. Não entendeu nada? Calma que eu explico.

Faço referência ao extraordinário “Cabeça de turco – uma viagem aos porões da sociedade alemã”, livro-denúncia do jornalista alemão Günter Wallraff. Wallraff disfarçou-se como turco, inclusive adotando um sotaque turco e com erros constantes à língua alemã, e passou 02 anos nesta condição registrando as experiências e recolhendo depoimentos que trouxeram à tona as condições degradantes do cotidiano dos imigrantes turcos na Alemanha.

Wallraff – ou Ali Sinirlioglu, seu pseudônimo adotado – escreve relatos indigestos:

“Hermann conta como as coisas funcionavam na Thyssen: ‘Trabalhamos de dezesseis, doze, treze horas horas num único dia – todos os sábados, todos os domingos, todos os feriados – sem parar. Páscoa, Pentecostes, não importa. Lá estávamos nós. Muita coisa precisava ser feita. Haviam desligado o alto-forno para ser totalmente limpo. Já imaginou? Trabalhamos como escravos, debaixo de chuva, vento, neve, frio – não importa. Os uniformes ficavam ensopados”.

Além da jornada massacrante, os turcos ainda tinham que conviver com todas as demonstrações de intolerância e preconceito:

“Vários banheiros da Thyssen vivem rabiscados com frases e insultos xenófobos. Nas paredes da fábrica também sempre há alguma pichação ofensiva aos imigrantes, e ninguém se encarrega de apagá-las. Eis alguns exemplos típicos dessa literatura de mictório, recolhidos dentre centenas nas instalações Oxygen I:

Merda boiando = turco nadando
Melhor mil ratos na cama que um turco no porão
Fuzilem todos esses turcos de merda!”


O livro foi publicado em 1985, há mais de 20 anos, portanto, causando grande impacto. Suponho que muita coisa deva ter mudado na Alemanha em relação ao tratamento aos imigrantes, especialmente os turcos. Uma amiga que vive na Alemanha me disse que os turcos são muito bem tratados na região onde ela vive.

Voltando ao nome Thyssen, não é apenas neste livro que há essa referência. Estudando alguns textos sobre o nazismo, vimos que tal nome está presente durante o período em que Hitler ascendeu ao poder na Alemanha:

“A guerra estava próxima ao fim (...) não tinham [líderes nazistas] escolha senão fugir de sua terra natal se quisessem escapar vivos. Para isso precisavam não apenas de uma rede de apoio composta de homens e mulheres simpáticos à sua condição, mas de uma quantidade substancial de dinheiro. Para isto, acredita-se que em 10 de agosto de 1944 foi realizada no hotel Maison Rouge, em Estrasburgo, uma reunião secreta dos principais industriais alemães ( incluindo o magnata do aço Fritz Thyssen, que financiou a ascensão de Hitler ao poder na década de 1930)”.

Este trecho encontra-se no livro “As sociedades secretas mais perversas da história”, se Shelley Klein e tem aquele gostinho tentador de “teoria conspiratória”.

Se houve tal reunião, aí entra para o ramo das especulações ( também relacionada a uma sociedade secreta conhecida como Odessa), mas o que há de verdade aí: que figuras expoentes do nazismo, como Adolf Eichmann ( chefe do gabinete judaico da Gestapo, reponsável por “caçar” judeus) e do Dr. Joseph Mengele ( o anjo da morte) fugiram e foram parar na Argentina contando com a mais do que prestativa colaboração de Perón, presidente argentino, isso é verdade;

E que o magnata Fritz Thyssen financiou o então emergente partido nazista no ínicio da década de 20, também é verdadeiro. Tanto que Thyssen escreveu o livro “I Paid Hitler”, onde conta detalhes de sua participação no nazismo. Thyssen tornou-se amigão do Fuhrer e beneficiou-se muito desta amizade.

Mas quando falamos de guerra mundial, lembramos de duas no século XX: a primeira guerra mundial ( 1914-1918) e a segunda guerra mundial ( 1939-1945). De comum a estas guerras, além do altíssimo número de mortes, foi a artilharia Krupp.

A empresa sempre foi especialista em aço, fundições e...armamentos. Criada em 1811 a então pequena fundição tornou-se empresa e cresceu ao longo dos anos, e o nome Krupp virou célebre ao criar canhões mais leves, móveis e com grande alcance de tiro. Durante a Guerra de Canudos, no sertão baiano, o exército brasileiro utilizou canhões Krupp para conter os revoltosos liderados por Antônio Conselheiro. Este episódio da história do Brasil está ricamente detalhado no extraordinário “Os Sertões”, de Euclides da Cunha.

E na primeira guerra mundial os canhões Krupp bombarderam Paris e eram produzidos em larga escala. Era a fornecedora principal de armas ao exército alemão, condição que perdurou também na segunda guerra mundial embora, ao que se indica, o herdeiro Alfred Krupp von Bohlen não fosse simpático ao nazismo, inicialmente. Mas os grandes acordos comerciais com o exército nazista talvez tenham mudado seu modo de pensar, já que Alfred tornou-se, em 1943, Ministro das Economia de Guerra, nomeado pelo próprio ditador alemão.

Preso e julgado como criminoso de guerra, Alfred Krupp teve sua fortuna confiscada, mas logo seria solto e fez da Krupp uma das maiores siderurgias do mundo, formando mais tarde o conglomerado ThyssenKrupp que faz também a manutenção deste elevador que talvez você utilize para chegar ao seu apartamento ou ao seu escritório.

Você já tinha pensado se um simples selinho de “visto de manutenção de elevadores” tinha tanta história assim?


Seção descontração
VÍTIMA DA SEMANA: FLAMENGO!( não tem jeito)
Enquanto isso, na África do Sul, provavelmente alguém já esteja arrependido:
E "cuma"era essa historinha aí?

quinta-feira, maio 01, 2008

Você sabe tocar berimbau?

A polêmica da vez fica por conta das declarações do professor Antônio Natalino Dantas, coordenador do curso de medicina da UFBA – Universidade Federal da Bahia, que justificou o baixo desempenho dos alunos de medicina no ENADE ( Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) ao “baixo QI”. E ainda deixou a entender que o baiano, de forma geral, possui de fato um baixo quociente de inteligência: “baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria".

O professor, que é baiano, também posiciona-se contra as cotas para afro-descendentes nas universidades.

Afirmações como estas não me surpreendem. Em diversos meios acadêmicos ainda perdura a vaidade de “mestres e doutores” ( a conhecida "vaidade acadêmica"), cada qual com sua pavonada julgando-se superior apenas por ostentar títulos e diplomas.

O referido professor meteu os pés pelas mãos. Em relação ao Q.I, trata-se de um teste que já não possui tanta relevância diante daquilo que chama-se inteligências múltiplas, ou seja, o “grau” de inteligência de um individuo não é “medido” apenas quantitativamente, como acontece no velho quociente de inteligência, mas também como o sujeito se relaciona com suas emoções, como desenvolve suas outras capacidades – inclusive a capacidade de percussão, dentre outros fatores.

O problema todo, mais uma vez, reside na educação e de como esta é tratada no Brasil.

A tendência hoje nas escolas públicas no ensino noturno é acabar o ensino regular e a adoção da EJA (Educação de Jovens e Adultos) ou variantes, mas quase com o mesmo esquema do velho supletivo.

Ao invés do aluno passar 04 anos estudando no ensino regular, em apenas 02 anos ele resolve "o problema". Mais 03 anos no ensino médio? Nem pensar.

Além do pouquíssimo tempo de dedicação aos estudos, ainda há a situação de penúria em muitas escolas, onde falta até giz e não raramente os professores precisam “tirar do próprio bolso” o material que as secretarias de educação deveriam oferecer. Um recurso indispensável como um simples livro didático é considerado luxo em muitas unidades de ensino.

O resultado disso? Uma massa enorme de analfabetos funcionais que sequer sabem preencher uma ficha com dados cadastrais.

Logo se percebe que não é com uma política de cotas que vai resolver o problema da inclusão quanto ao acesso a uma faculdade pública, pois é preciso que primeiro aconteça a inclusão quanto ao acesso a uma BOA educação pública e gratuita. O que precisa, de fato, é de uma política educacional séria no país.


Em contrapartida, na rede particular, o desinteresse por parte de muitos alunos também existe, mas neste caso o "desejo de aprender" é sustentado pelos pais que “pegam no pé” da garotada, pois pagam uma verdadeira nota nas mensalidades de colégios particulares acreditando em uma boa educação, sobretudo pelo o que é propagado por colégios “marqueteiros e de grife”.

E para que? Para o estudante passar no vestibular. Esse é o objetivo, via de regra. Então o estudante, muitas vezes, é "adestrado" para aquela finalidade.

Felizmente muitas dessas escolas já perceberam (ainda bem!) que o esquema "decoreba de fórmulas e escolas literárias" não serve mais.

E quando estudante moldado pela decoreba se depara com uma prova mais diversificada, acaba fracassando. O ENADE substituiu o antigo provão e, segundo o MEC, tem como objetivo avaliar os cursos universitários. As notas dos estudantes não são divulgadas e nem constam no histórico escolar. Para entidades estudantis como a UNE ( União Nacional dos Estudantes), o ENADE é apenas um “ranqueamento” das instituições, e não faz uma avaliação real do ensino superior, pois “O resultado do Enade não significa, necessariamente, que a universidade tenha uma boa qualidade de ensino, pois o aluno pode ter estudado somente para fazer a prova”

A Universidade Federal da Bahia, em seu curso de Medicina, um dos mais tradicionais do país ( na verdade o mais antigo), recebeu nota 2 em uma escala que vai de 1 a 5. Ex-estudantes de medicina da faculdade enviaram nota justificando o porquê da péssima nota no exame:

( os ex-estudantes) afirmam que a prova do Enade, realizada no domingo, 11 de novembro à tarde, ocorreu no período das avaliações de residência médica do estado de São Paulo, mais especificamente da prova da USP de Ribeirão Preto, realizada no dia 12 de novembro. "Muitos alunos, por priorizarem a prova de residência, não completaram todas as questões do Enade, ficando apenas o tempo mínimo exigido pela banca (1 hora), pois tinham que correr para o aeroporto para pegar um vôo para São Paulo e de lá um ônibus para Ribeirão", afirmam. Os ex-formandos dizem ter solicitado a liberação para não realização da prova ou então respondê-la no estado de São Paulo. Mas o pedido foi negado pelo Ministério da Educação.

Além de contestarem a data da prova, os ex-formandos afirmam que a maioria de seus colegas que realizaram a prova estão fazendo residência médica nas melhoras escolas do país, como a Escola Paulista de Medicina e a USP; e que o exame não pode traduzir a formação dos alunos, já que as questões são complexas e estudantes do primeiro semestre da UFBA também respondem a prova. "O Enade é completamente falho. Como estudantes do 1º semestre do curso podem responder questões subjetivas de prática médica, inclusive abordando diagnóstico e tratamento de determinadas doenças?", indagam.
Do site “Bahia Notícias”, de Samuel Celestino


Ou seja, não houve boicote declarado. As afirmações imbecis do “doutor-professor” Dantas também desviaram um pouco o foco de um desempenho tão ruim de um curso considerado “carro-chefe” da universidade, mesmo com as falhas na avaliação do ENADE apontadas pelas entidades estudantis.

Porém isso não justifica as infelizes e preconceituosas declarações do “doutor-professor” Antônio Natalino Dantas. Generalizações e determinismos lembram bastante as teorias eugenistas do começo do século XX e que eram muito bem acolhidas por pessoas como um certo Adolf.

UM DEBATE BOM

Em Salvador iria acontecer a surreal “Marcha da Maconha”, mas foi impedida pela justiça:

- Chegou ao nosso conhecimento a existência no site da descrição 'fume maconha', o que leva a crer num indício forte da prática de crime previsto na lei antidrogas, que é induzir ou auxiliar alguém ao uso indevido de drogas - afirmou Paulo Gomes Júnior, promotor de justiça. ( fonte AQUI)

Esta é a Lei 11.343/06:

“induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga acarreta pena de detenção de um a três anos, além de multa”.

Agora vem o debate bom. Não faço uso da erva e sequer sou simpático à droga, mas se “induzir e instigar” ao consumo da droga é prática de crime, o que as propagandas de cerveja continuam fazendo na TV aberta todos os dias em todos os horários?

Ou será que devemos nos deter ao simplismo das “drogas lícitas e ilícitas”?

Eis aí um assunto que dá pano pra manga!

E O RONALDO FENÔMENO, HEIN?
Pra distrair:


( Ministro Veiga é a alcunha deste que vos "escreve"...uhauhahua!)

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