quinta-feira, março 15, 2018

Quarta-feira, 14 de Março de 2018.




Os professores da rede municipal de SP, em greve e manifestando contra um desconto previdenciário indecente, foram rechaçados e alguns até feridos em uma ação da guarda municipal – daquele jeitinho que conhecemos, com direito a bombas e cassetetes. Ao dar uma olhada nas redes sociais e repercussão sobre o fato, aqueles velhos comentários de sempre: “vagabundos, desce o cacete, polícia!”, “se estivessem na sala de aula não aconteceria nada disso”, “não são professores, são sindicalistas e a doutrinadores esquerdopatas comunistas!”, dentre outras pérolas de inteligência e bom senso.
Uma vereadora ativista de Direitos Humanos, Marielle Franco (também professora e pesquisadora), crítica da intervenção federal no RJ e da violência da Polícia Militar em comunidades pobres, foi executada, juntamente com o motorista, Anderson Gomes – que fazia uns bicos para sustentar a família. Novamente uma passadinha pelas redes sociais em seus comentários e deparei com gente (sic) soltando gotas de sabedoria como “ela morreu pelas mãos dos bandidos que defendia, bem feito!”, e muitas outras palavras que não valem a pena citar.
Não há dúvida de que fracassamos miseravelmente. Pensei com os meus botões se as pessoas que usam tais palavras transmitem essas “ideias” (e outras tantas com o mesmo teor) aos seus filhos, sobrinhos, netos. Se isso realmente acontece, então os nossos problemas estão apenas começando. Não à toa candidaturas de políticos irrelevantes como Jair Bolsonaro e outros do mesmo porte alavancam nestas mesmas redes sociais – embora tenhamos inúmeros social bots (robôs sociais) neste caso; não à toa que charlatães religiosos ganham mais visibilidade e poder de influência em várias esferas. “Educação é a solução!” é o mantra repetido ad nauseam em todas as rodinhas de conversa e propostas para o país, mas pensem: o que professores fragilizados em sua condição profissional e até emocional por “n” fatores podem fazer diante deste contexto?
Idealizações como “não desistir”, “manter a esperança” são ótimas para mensagens de dia dos professores, porém isso não basta. Lembro de entrevista do professor José Pacheco (Escola da Ponte,Portugal) na qual ele dizia não é possível pensar em modificar a sociedade somente por meio da escola, pois escola e sociedade devem caminhar juntas. Nas palavras de Pacheco, que “os brasileiros ousem afastar a apatia e participar” (da comunidade escolar, da política, em defesa de Direitos Humanos, do Meio Ambiente, da Cultura) ou continuaremos a lamentar em redes sociais e reproduzir (até de forma inconsciente) mecanismos de desigualdade, exclusão e ódios aguardando por algum “salvador da pátria aventureiro” na pele de políticos, juízes, charlatães religiosos, celebridades de TV e outras figuras sedutoras para quem está perdido, sem rumo e com medo. Basta um olhar mais atento ao que está acontecendo de forma geral no país para se preocupar, pois o terreno é fértil para tais aventureiros que se apresentam sob o verniz de “novidade”, porém com tintas e cores fortes de um período recente da história que não traz boas recordações e tampouco oferece propostas e soluções viáveis para o país. Afastar a apatia é também posicionar-se firmemente contra este cenário preocupante. 
A quarta-feira do dia 14 de Março de 2018 também foi o dia que o astrofísico inglês Stephen Hawking, uma das mentes mais privilegiadas de nosso tempo contemporâneo, faleceu. O seu legado para a humanidade foi gigantesco, o que me levou a pensar sobre qual legado deixaremos para as futuras gerações. Pense nisso. E pense nisso você também que vibra e aplaude quando professores são agredidos por policiais e ativistas de Direitos Humanos são executados.

Um comentário:

  1. Estou me sentindo impotente. Vazia. Sem reação. Não consegui produzir nada hoje, fiquei inerte, respirando, porque a cabeça não funcionava.

    Tá tudo errado. E não vejo solução.

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