terça-feira, julho 09, 2013

As estrelas e os meus devaneios

Imagem: NASA.

Alguém já afirmou que viver é um deslumbramento com o que nos cerca, sobretudo pela natureza e com os chamados pequenos gestos. É difícil, por exemplo, não se “encantar com o encantamento” de uma criança diante de uma descoberta. Na fase adulta, porém, perdemos muito daquele encantamento – e comigo não foi diferente, mas mantenho o deslumbramento que é observar as estrelas em uma noite límpida e recheada destes corpos celestes. 

Em meus devaneios ao observar aquela grande quantidade de estrelas, ainda me lembro das aulas de Ciências e de como eu fiquei deslumbrado ao descobrir que várias estrelas das quais vemos no céu deixaram de existir – o que enxergamos é a luz daquele corpo celeste que ainda viaja pelo espaço. É bem curioso imaginar que aquela estrelinha para a qual detenho o olhar não exista mais e o que eu esteja enxergando seja apenas o seu passado

E o que vejo nas noites límpidas (principalmente no interior, longe das grandes cidades) é apenas uma parte muito pequena das estrelas que existem em nossa galáxia – apenas na Via Láctea há mais de 100 bilhões de estrelas*. Inútil imaginar (e mensurar) a quantidade de planetas existentes apenas nesta parte do universo e mais ainda das estrelas pelo cosmos. 

Novamente perdido em meus devaneios, imagino a possibilidade de vida inteligente nesta imensidão sem fim que é o universo. E embora nosso simpático planetinha azul seja um mero pontinho perdido dentre infindáveis planetas e estrelas, penso se alguma forma de vida inteligente extraterrestre sabe de nossa existência. Será que estes seres extraterrestres não ficariam deslumbrados caso descobrissem que “não estão sozinhos” no universo? Creio que um ser extraterrestre ficaria encantado com a diversidade de vida que existe em nosso planeta – e, talvez, demonstrasse algum desapontamento com o modo que os seres humanos tratam a Terra.  Ou, quem sabe, demonstrasse admiração pelo desenvolvimento técnico e científico alcançado pela humanidade.  

A partir deste ponto a minha imaginação viaja para lugares tão distantes quanto onde estão as estrelas. O que seria uma “inteligência extraterrestre”? Nossa humanidade - que encontra tantas dificuldades para aceitar até mesmo aos seus iguais independentemente de raça, cor e sexualidade - estaria preparada para descobrir novos padrões de inteligência e formas de vida? É um exercício curioso fazer essas conjecturas e eu adoraria viver o bastante para conferir os primeiros seres humanos em Marte – um planeta que sempre despertou bastante curiosidade e boas histórias de ficção científica. Ou expedições mais reveladoras sobre Titã, uma das luas de Saturno.

As futuras gerações assistirão a isso. E talvez consigam chegar até as estrelas e demais planetas, descobrindo coisas novas e mesmo formas de vida - primitivas ou inteligentes. Isso acontecerá desde que a humanidade não perca a curiosidade e o deslumbramento. Este foi um dos dois desejos que eu fiz para uma estrela cadente – o outro, não conto. 

(sim, eu sei que uma “estrela cadente” é na verdade uma rocha proveniente do espaço; mas deixemos algo para a poesia e a fantasia – tal como nos versos de Olavo Bilac.) 

*Sagan, Carl. Variedades da experiência científica: uma visão pessoal da busca por Deus. Tradução Fernanda Ravagnani – São Paulo: Companhia das Letras, 2008.   
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