sexta-feira, março 02, 2012

Espetáculos mórbidos



O trânsito estava infernal – literalmente, pois experimente ficar preso em um grande congestionamento dentro de um veículo sem ar condicionado e com a temperatura em torno de 35 graus. O jeito era exercitar a paciência e tentar esfriar a cabeça ouvindo o sr. Iceman -  não, “Patience”, do Guns n´Roses, não estava disponível.

Por que tamanho congestionamento? Algum acidente, batida, assalto a um banco, veículo quebrado? O horário não era o considerado “de pico” para que tantos carros formassem aquela fila enorme e aparentemente sem fim. Depois de um tempo considerável em passo de tartaruga, descobri o motivo do congestionamento: aconteceu um acidente com uma moto e o motociclista, infelizmente, morreu no local. O trânsito estava lento não pelo acidente em si, mas pelos curiosos que chegavam a parar o carro e de pessoas ocupando uma faixa da avenida para ver o corpo.

Não consigo entender o interesse mórbido que muitas pessoas manifestam para este tipo de tragédia. Os curiosos fotografam, gravam vídeos em seus celulares e tais imagens são postadas e compartilhadas em redes sociais, youtube, blogs ou mostradas com prazer entre amigos e conhecidos. É como se uma espécie de “show” fosse exibido e a audiência – os curiosos – garantida.

Lembro da história do anatomista Andreas Vesalium, no século XVI: considerado o pai da anatomia humana, suas dissecações de cadáveres costumavam atrair verdadeiras platéias e tornaram-se muito populares – a ponto de juízes e estudantes providenciarem corpos de executados ou até mesmo roubarem cadáveres em cemitérios para que o “show” continuasse.

A favor de Vesalium conta o interesse pela ciência – suas descobertas sobre o corpo humano foram fundamentais para avanços na medicina – mas um breve passeio pela História mais recente mostra que o interesse e o “prazer” em ver “gente morta” ou morrendo perdurou ao longo do tempo. Como esquecer das execuções de “bruxas” e de linchamentos e enforcamentos de negros escravos? John Gray, no livro “Cachorros de palha”, nos descreve o interesse que um destes eventos despertava:

[para testemunhar a execução de Sam Hose, um negro georgiano] “Famílias inteiras apareceram para assistir. Pais enviaram bilhetes às escolas pedindo aos professores que liberassem seus filhos. Cartões postais foram mandados àqueles que não podiam assistir ao espetáculo e foram tiradas fotografias para preservá-lo na memória”.

Talvez seja o fascínio pela morte ou pelo desconhecido. Ou talvez seja somente  diversão: “A única coisa que nos consola de nossas misérias é a diversão”, afirmou Pascal. Para o matemático, físico e filósofo francês a diversão “nos põe a perder insensivelmente”. Falando desta maneira parece um tanto exagerado, mas quando se torna divertido sacar celulares para filmar pessoas que perderam a vida em acidentes ou se justifica como mera distração e entretenimento sintonizar o canal naqueles programas de TV que exibem a chamada “realidade nua e crua” com cadáveres focalizados em close com a impressão de que o sangue jorrará através da tela, é possível concordar com o francês: nos perdemos e nos tornamos insensíveis em nome de suposta e discutível “diversão”.

Finalmente o trânsito desafogou e pude seguir meu caminho. Então começou a tocar os primeiros acordes de uma música que deveria servir como mantra, chamada “All you need is love”, daquela banda em que um dos integrantes era um tal John Lennon – que ironicamente foi assassinado por um fã. Definitivamente, as coisas por aqui estão infernais – e não estou falando apenas do calor. 

47 comentários:

  1. JaimeZinho, pura verdade veradeira! Ahhh, o fascínio por esses "HorrorShows" algumas vezes passa dos limites. Vc, por acaso, já recebeu email daquele amigo bizarro que só manda coisas toscas, onde vc clica no vídeo e começa a ver pessoas sendo torturadas e assassinadas? Pois é, marido e eu começamos a ver, sem sabermos que era disso e simplesmente não conseguimos passar dos primeiros segundos.

    Qdo eu sofri acidente de moto, há dois anos, fiquei num estado nada agradável, pois tive escoreações pelas pernas e braços. Aí vc já viu né? Menos de um minuto depois, estava cheio de gente pra me "curiar". Duas pessoas eu percebi que estavam ali de fato para ajudar, inclusive ligaram para o samu e para meu esposo. MArido chegou em dez minutos(e olha que trabalha super longe do local), bem antes do Samu e quando chegou precisou "espantar" os urubus que estavam rodeando, pra ver se a carne virava carniça rapidamente... rs... Ele chegou a ser até um tanto rude com algumas pessoas, pois estavam sendo inconvenientes com os comentários do tipo "ai meu deus, não mexe... deve ter estourado tudo por dentro"... sério, essas palavras. Agora me diga, se não vai ajudar, não atrapalhe. Nem pare.

    O fato é que não consigo compreender o fascínio que algumas pessoas têm por isso. Já percebeu alguns jornais sensacionalistas? Se torcê-los, sai sangue... sem contar que as manchetes são de assustar e a questão é que têm vários leitores pra esse tipo de notícia.

    Boa noite, ótimo final de semana e bom descanso!

    Beijinhossss

    *----------*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Joicy, sabe o que mais me deixa impressionado? Acidentes dos quais há feridos e os "urubus" resolvem fazer saques dos pertences, dos veículos...enquanto os feridos gritam de dor. È revoltante!

      Beijinhos! Obrigado! :)

      Excluir
  2. Boa noite Jaime.
    Tá vendo, gostei tanto dos seus textos que sou a primeira a comentar esse (kkkkk). Eu concordo plenamente com vc, como as pessoas gostam de ver a desgraça alheia, isso dá IBOPE, o Datena que o diga. As vezes quando converso com a minha mãe, e ela vem me contar o que passou no programa do sujeito acima citado, eu já vou logo cortando. Eu trabalho no Fórum há quase vinte anos (é que eu entrei com dezoito), e trabalhei toda minha vida no criminal, então não suporto ver essas coisas, porque elas faziam parte do meu cotidiano. Depois que eu surtei, é porque eu não aguentei ver tantos pedófilos, cabeças rachadas, etc....Fiquei quase um ano afastada, meu médico prescreveu que eu fosse transferida. Agora só mexo com divórcio, quem não paga pensão, algo um pouco mais light, mas me recuso a ver até noticiário. Bjos. Lú Souza.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bom que tenha gostado, Luciana! E adorei ter retornado!

      É, seu trabalho realmente envolvia grande carga emotiva. Tem que ser muito forte para lidar com coisas deste tipo. Felizmente, agora tá na fase um pouco mais "light".

      Bjs!

      Excluir
  3. Boa noite, Jaime velho.
    Infelizmente a coisa é bem assim como tu colocou aí, basta ter sangue que o povaréu corre pra ver.
    Não sei dizer qual é a fascinação que esse pessoal tem pela desgraça alheia, acho que, pra quem está na pior, ver outro numa pior ainda serve de consolo.
    Bizarro isso, mas verdadeiro.
    Não podemos esquecer o péssimo exemplo dos Estados Unidos "Fucking the World" da América onde as execuções de presos através da injeção letal são vistas por plateias.
    Se também tem vendedor de pipoca e bala no local aí eu não sei dizer, ou seja, esse comportamento não é exclusivo do terceiro mundo.
    Abração´, bom fim de semana e até a próxima, Jaime.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Talvez seja isso, grande Jacques. Mas lembro de uma charge na (saudosa) Revista MAD onde retratava vendedores de amendoim que na verdade traficavam drogas no portão das escolas. Era coisa do Al Jaffee: o cara quebrava a casca e ao invés de amendoim, achava um pozinho rsrs

      Valeu, Jacques, obrigado!

      Excluir
  4. Olá, professor!

    A Inquisição é um tema q desperta meu interesse e uma das coisas q mais me chama atenção é justamente o respeitável público. Tudo bem q em alguns casos as pessoas iam ver os "autos de fé" por medo, pra deixar claro q não eram contra a igreja e blá, blá, blá. Mas boa parte das pessoas via como um espetáculo, como as arenas de enfrentamento homem x animal feroz, tudo muito bizarro pra mim, mesmo considerando o contexto da época.
    Dizem alguns q esse "prazer" vem do nosso instinto de sobrevivência, uma espécie de satisfação por não ser a vítima. O q é mais curioso é q as pessoas não se cansam disso. Na divisa com a cidade vizinha tem um trecho conhecido como "curva da morte", acidentes quase q diários (antes de duplicarem a pista, a maioria era fatal). E todo acidente por lá é a mesma coisa: transito congestionado mais pelas pessoas q vão conferir o ocorrido q pelo acidente em si. Sem contar q ainda devem atrapalhar os bombeiros nessa busca por ibagens...
    Bom, eu acho tudo isso muito mórbido.

    bjohnny!
    e dirija sempre com cuidado. ;)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também acho tudo isso sempre mórbido - demais, moça cabofriense. Tanto quanto as horríveis torturas cometidas pela Inquisição.

      Se Freud não explica, tentemos Darwin: ele tem boas pistas! ;)

      Bjks!

      Excluir
  5. Oi Jaiminho,

    Quando li o seu texto, pensei que essa atração é tão real hoje nas lutas da UFC. O mundo sempre foi fadado a espetáculos grotescos, pense na crucificação de Jesus. Não é tão longe o gosto pelo sofrimento, pois ainda hoje no oriente médio, se juntam plateias para os apedrejamentos e chibatadas.


    Penso que o ser humano é cruel em seus gostos. Lembrei do filme beleza americana quando uma criança serviu de tapete humano de outras.

    Nem quero lembrar o sucesso que os vídeos de gatos e cachorros assassinados fazem na rede. Tenho medo do que virá, sempre.

    Estamos a um passo da irracionalidade!

    Beijos.

    Lu

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Luluzinha!

      É verdade. Se fôssemos citar, faltaria espaço para tantas atrocidades e espetáculos bizarros.

      Já até fiz uma postagem sobre as lutas MMA/UFC. Já temos violência demais.

      Beijos! :)

      Excluir
  6. Esta curiosidade que temos pelo mórbido é realmente estranha, eu tinha uma professora na faculdade que só exemplificava citando acidentes de trânsito, para tudo ele tinha uma relação a tecer com um acidente real ou com um fictício, tal curiosidade dela me parecia absurda, até que um dia estava voltando do trabalho de ônibus (trabalho em uma cidade vizinha) e aconteceu um acidente na estrada, o trânsito ficou parado por quase duas horas, no entanto o que mais me surpreendeu foi o impeto com o qual eu sai do ônibus e corri até o local onde o corpo da motorista estava estirado, não sei porque fiz isso... aquela imagem ficou em minha mente, me atormentando, durante dias...

    http://sublimeirrealidade.blogspot.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, J.Bruno. Lembro de quando eu era criança e soubemos que um homem havia morrido enforcado perto de casa. Fomos todos ( molecada da rua) para lá e tentamos ver o sujeito pendurado. Não deixaram, pouparam as crianças. Acho que falta isso também hoje: poupar as crianças de tais cenas.

      abs!

      Excluir
  7. Isto seria algo natural do ser humano, ou uma formação feita pela mídia? Eu não sei responder ao analisar um de seus seguidores falando sobre o programa do detestável Datena. E há tantos programas que se destacam em audiência fazendo uso da desgraça alheia. A mídia usa muito isto e acredito que isto trabalhe muito com a cabeça das pessoas em geral. É como disse há poucos dias em um comentário em outro blogue, ninguém divulga a notícia de um voluntário chegando em uma ONG para fazer um trabalho. Pessoas não querem ver coisas boas, tem um fascínio pelas ruins e, principalmente, sórdidas, trágicas...
    Talvez não se possa culpar apenas a mídia, pois como foi citado anteriormente, até mesmo na Idade Média isto existiu, no entanto, acredito que atualmente ela reforce sim este tipo de comportamento.
    Bom final de semana.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade, Christian, as "boas notícias" costumam ficar escondidas ou quase são desprezadas nas redações das mídias informativas.

      Sim, talvez seja mesmo algo natural. Creio que Darwin tem boas pistas sobre isso rsrs Mas a mídia, hoje, amplifica este "gosto".

      Obrigado! \o/

      Excluir
  8. Fala meu camarada Jaime,

    Trânsito infernal... minha cidade agora tá parecendo São Paulo, só falta adorarem aqui o tal do rodízio. Antigamente tinha hora certa para engarrafamento, agora é o dia inteiro, em qualquer rua importante. Dizem que são as obras da Copa e olimpiadas.... mas eu tenho minhas dúvidas que vá melhorar no futuro, quando as obras acabarem.

    As pessoas realmente tem um fascínio pela morte, é uma coisa impressionante. Talvez seja pela curiosidade, não sei. Quando eu era criança meu bairro era muito violento, e a cada mês em média aparecia em algum lugar um presunto, e a gente ia atrás pra ver, corria pra ver se conseguia chegar antes de colocarem o pano por cima. Vai explicar o ser humano...

    Coincidentemente também falo de Pascal no meu último post, refutando a sua mal fadada aposta.

    Grande abraço meu chapa.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ô, Almir, faz uma postagem sobre o "legado" que os Jogos Pan-Americanos no Rio deixou aí na cidade maravilhosa: será o mesmo "legado" da Copa do Vale Tudo.

      Eu conferi a Aposta de Pascal. Muito interessante mesmo, não conhecia!

      Valeu, meu chapa, um abraço!

      Excluir
  9. tudo é questão de gosto. Tem gente que não gosta apenas de visualizar cadáveres, e sim abusá-los. A psico humana, foi, é e sempre será motivos para estudos.

    A violência, a degradação, a pornografia, a dor, fazem parte da gente. Uns exploram mais, outros menos. Uns gostam de ver através de ficção no cinema, e outros literalmente.

    Mas o foda disso tudo, é que a redução de velocidade por pura curiosidade, engarrafa todo o trânsito. hehe.

    Abração brow!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Necrofilia da arte, Jim! ( já cantavam os Patos rs)

      Rapaz, nem me fale deste trânsito...urgh! rs

      Abraço, rapaz!

      Excluir
  10. Parece ser inerente ao ser humano a atração pelo mórbido, pela morte. Uma maneira de aliviar-se pensando "ainda bem que não sou eu"?
    Ou será que, pelas pessoas evitarem tanto falar sobre morte, não quererem morrer, muitas ainda tratando como tabu, o inconsciente vêm à tona e as faz querer presenciar esse tipo de acontecimento, transformando em show?
    Será que Freud explica? (rsrsrsrs).
    O comportamento humano é e sempre será objeto de exaustivos e inconclusivos estudos.
    Bom final de semana, Jaime!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Darwin explica, Marina! rsrs

      Curioso como o homem tenta desvendar os segredos do universo e sua psiquê ainda é um mistério, não é?

      Obrigado, Marina! :)

      Excluir
  11. JaimeZinho, já comentei lá em cima, mas estou aqui para falar de seu ultimo comentário lá no Umas e outras. Esse livro tem um título bom, "apocalipse motorizado", heim? Bem real... rs ... poderiam ser doados para a população! rsrsrs... questão de utilidade pública!!!

    Olha, estive em Sampa por duas vezes, nos últimos dois anos. Adorei a cidade, por conta da quantidade de coisas que ela nos oferece(ai, Galeria do Rock, sua linda... te adoro! rs), mas fiquei enlouquecida com o trânsito!!! Porém, percebi que lá as pessoas são "obrigadas" a respeitarem o espaço do outro, senão a coisa fica pior que já é. As buzinas me irritaram profundamente, por lá! Um caos!!! rs

    Justamente isso que vc expôs, precisa ser observado, compreender que o trânsito é algo coletivo. Do contrário, as pessoas continuarão se matando(literalmente o metaforicamente...)

    Li a publicação que vc postou há long time e me sugeriu, punheteiros do asfalto! Inclusive comentei nela... rapaaaaazzz, vc precisa sair divulgando aquele post. hahahahahahahah... quem sabe assim o povo fica com medão e começa a mudar de atitude, pow! kkkkkk Ainda mais pq impotência é o terror da machaiada(e, sacomé, n;e? Da mulherada tbem...)!!!!!!

    Valeuuuu, seu lindo!

    bjãoo ;) JoicySorciere => Blog Umas e outras...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Joicy, depois dê uma pesquisa. O livro é contundente e muito bom.

      O trânsito da minha Sampa querida é loucura! Disso não tenho saudades nenhuma de lá - mas da Galeria, sim! rsrs

      kkkkk Vou divulgar lá na página do FB!

      Beijoooo, Joicy, sua LINDA!

      Excluir
  12. Que coincidência, eu estava conversando sobre esse tema ontem!
    Acho que algumas pessoas gostam de ver desgraças para se sentirem melhor- pois acham suas vidas tão miseráveis, que se comprazem em saber que existem situações piores e que neste caso, eles estão por cima.
    Parece ser muito cruel, mas acredito que sintam isso.
    Já li uma pesquisa que disse que, se sofremos sozinhos, o sofrimento é insuportável, mas que se temos alguém sofrendo também, sentimo-nos melhor.

    Também senti falta de visitar seu blog!
    Prometo ser mais assídua!

    Beijos e tenha uma ótima semana!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Myself, é muito bom tê-la escrevendo novamente e fico mais satisfeito ainda em vê-la por aqui no meu humilde bloguezinho! Obrigado mesmo! :)

      Talvez seja por aí também...não arriscaria uma resposta conclusiva, claro; mas essa tese da pesquisa não se deve desprezar. É interessante.

      Bjs e obrigado! :)

      Excluir
  13. All we need is love.... Love is all we need! Vou cantar essa música uma semana agora! kkkk
    Aconteceu o mesmo comogo esses dias! Pior que me peguei olhando e fiquei com raiva demim por ser tão morbida...

    DEve ser algo de instinto sei la! Mas que é horrivel é né?! Credo! Além de atrapalhar um bocado!

    Bjos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É uma espécie de mantra mesmo, Camila! kkkkk Aí comece a sair pelas ruas como naquela música do Tears for Fears: "sowing seeds of love!" rsrs

      É horrível mesmo! :(

      bjs!

      Excluir
  14. Eu não gosto de olhar e prefiro passar longe. Já começo a imaginar a dor das famílias e entro em processo de melancolia. Mas quando o acidente ocorre em trajetos onde passam meus familiares, sou tomada pela ansiedade e quero saber que carro está envolvido no acidente. É mais forte que eu. Bjs.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu nem olho e se puder passar longe, passo mesmo. Mas o congestionamento toma um tempão com os curiosos na pista. Bjs!

      Excluir
  15. Mas, as vezes eu acho que é essa a intensão...
    Banalizar a morte, banalizar a fome, banalizar o ser humano.
    E fazer com que todos sintam prazer apenas em consumir.
    Isso é capitalismo! Eu só não sei dizer se isso tudo é articulado, ou não. O que você acha Jaime?

    Abrç

    End Fernandes

    ...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. End, quanto à banalização, bem, hoje temos mídias que exploram tais espetáculos para fins de audiência e, claro, quanto maior o "ibope", mais propaganda - e lucros. Mas perceba que este fascínio,vamos dizer assim, é anterior até mesmo ao capitalismo.

      abs!

      Excluir
    2. Entendi.
      É próprio do ser humano...

      Excluir
  16. Oi Jaime..tudo bem??

    A sua charge..ficou ótima...bacana mesmo.
    As vezes me faço a mesma pergunta, porque as pessoas gostam de ver desgraças.
    Tem jornais televisivos que passam uma cena com degraça, nao uma só varias...,, mas várias.

    Tem publico grande pra isso.

    Em relação ao transito,,dixa qualquer um doidnho,...aqui em SP então....

    Não tem dia nem hora...

    Um beijo..boa semana...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Ma!

      Tudo bem!

      É, tem público grande, audiência...e nisso vão mantendo os programas e tratando como "normal" o que acontece.

      Salvador está bem parecido a SP quanto ao trânsito :(

      Bjs! E obrigado! :)

      Excluir
  17. Voce sempre presente, sempre com uma palavra honesta e uma alma gentil.Obrigada! A sua charge e o texto me fizeram lembrar ontem, comecei a pensar que eu ali comendo chocolate com cara de criança sapeca e provavelmente quantas crianças com fome, quantas familias enterrando seus mortos, quantos enfermos nas filas de hospitais. Comecei a sentir um embrulho no estomago. Não dá p viver a infelicidade alheia e se sentir indiferente, também não dá pra viver infeliz pela desgraça alheia, mas dá pra gente acolher a dor do outro e respeitar.
    Bjão!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nickita! Que surpresa boa você por aqui! Depois de tanto tempo!

      Puxa, adorei sua visita! E seu comentário, obrigado!

      Não há de quê, é um prazer.

      Você citou algo muito bom: respeito. Respeito pela dor alheia, pelo sofrimento... enquanto há uma vítima de um acidente sendo alvo de "curiosidade" mórbida, há também uma família que gostaria de velar seu querido(a) em paz e tranquilidade, com algum respeito. Mas como as coisas estão mudadas.

      Volte sempre, Nickita! Bjs!

      Excluir
  18. Oi Jaime meu amigo tudo bem?

    Realmente é a realidade da vida. Falou em sangue, acidente etc e tal, o povo ja sai tudo correndo, curiosos querendo saber e ver o acontecido. Tenho pavor a esses acontecimentos, ja tive um acidente terrivel, e sei que os curiosos atrapalham mais do que ajuda, muitos olhares parecem até de baixo astral, isso é horrivel pra quem passa por alguns acidentes . Infelismente isso acontece todos os dias.

    Adorei a charges.

    Um grande abraço amigo.

    Ótimo dia!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Smareis!

      Tudo bem, e você?

      Nossa, então você sentiu na alma o que é ter aquele monte de olhares curiosos... terrível!

      Muito obrigado, Smareis! Um abraço pra você também! :)

      Excluir
  19. Escrevi sobre isso há alguns anos, especialmente depois do caso Eloá e da cobertura ao vivo. Virou um reality show da tragédia.

    Bom, quem realmente sente prazer em apreciar um corpo todo ensanguentado no asfalto deveria procurar tratamento psiquiátrico, mas as pessoas suprimem esse prazer com caras de falso pesar e temor a Deus. Acho que só compreenderiam o quanto esse prazer é desprezível se fosse ele quem estivesse ali ou alguém da família dele...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade, Peterson. Como afirmei em outro comentário, deveria haver respeito à dor e ao sofrimento de uma família.

      O caso Eloá e a atuação de algumas mídias no caso foi lamentável, um exemplo do que não é "jornalismo".

      Excluir
  20. Jaiminho,
    estou de volta meu Bichinho!
    Muito bom teu texto, como sempre.

    Resumindo e muito, o ser humano tem uma curiosidade mórbida, é a principal coisa. A segunda, sempre quer ver alguém em pior estado do que o que está, e isso justifica muitas coisas, (se é que é preciso justificá-las), por exemplo, aqueles programas de auditório em que os casais expõem suas vidas, traições etc..., por que que fazem tanto sucesso? É na mesma linha de raciocínio, creio.

    Jaiminho, foi resumido, mas de coração! Li com atenção tudinho, tá bom?
    Nos falamos, beijinhos e te cuida :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Jaiminho,
      teu carro não é preto não? Por que sem ar-condicionado, e preso no trânsito, pior que isso só se for preto!
      (quis fazer uma brincadeirinha, mas foi sem graça, confesso!)
      Mais beijos!

      Excluir
    2. Cissinha, minha nêga! Eba!!! Que bom tê-la de volta! \o/ \o/ Como foi de férias?

      Obrigado!

      Pois é, faz sentido. Curioso que estou lembrando aqui de uns casos de vizinho: tem gente que guarda uma raiva do vizinho que tenta saber TUDO da vida dele só pra saber se o cara "tá numa boa ou numa pior".

      Ô, Cissinha, não se incomode com resuminhos ou resumões rsrs O que importa é o conteúdo do comentário e tá excelente, como sempre! :)

      Nos falamos, sim. Beijinho, minha nêga! :)

      PS: meu carro não é preto, não...agora se fosse preto e eu usasse camiseta preta, que tal? Aí iriam dizer que eu sou da funerária! hahahahaha

      Beijinho!

      Excluir
    3. Jaiminho!
      Obrigada pelo maravilhoso comentário por lá!
      De curtinho e sem graça, não teve nada (no bom sentido)! :)
      Abração na mami!
      Beijinhos especiais em ti!

      PS.: Que bom que o carro não é preto! Ia dizer que ele gasta mais ar-condicionado, mas como o teu não tem mesmo rsrs Agora... fiquei preocupada com a marca dele, se é uma que tô pensando... tem que cuidar o radiador..., mas não deve ser... (eu com meus papos de carro, que adoro!)

      Mais beijos!

      Ah! Pois é, tô de volta! Que bom que sentiu minha falta, amigo, sentiria a tua também se fosse o contrário :)

      Excluir
    4. Aaaaaiiiii.... claro que senti tua falta! rsrs
      Beijosss

      Excluir
  21. O ser humano é sinistro.A vida está tão banalizada,que hoje em dia a morte não assusta mais,não nos comove tanto em ver um cena trágica;quanto mais sangue,maior o espetáculo.O ser humano precisa urgentemente rever seus valores,principalmente,os morais.
    Nunca devemos deixar de respeitar a vida,até mesmo quando esta,já não se encontrar mais em um corpo.
    O povo realmente gosta de circo,principalmente,se for o dos horrores.
    Beijão,Jaime!Dani.

    ResponderExcluir
  22. Jaimezinho, para meu blog atualizar lá aqui groo vc terá que colocar o novo endereço que é http://umaseoutrasjoicy.blogspot.com

    Mudei há alguns dias. Muda pra mim?

    Valeu... bjks

    ResponderExcluir
  23. Oiiie!!!!
    Agora tô voltando de vez para o mundo dos blog´s e poderei te visitar e comentar!!! rssss...
    Poxa, este post´s é bem polêmico, heim??? Não no sentido de que não concordo com vc, pelo contrário, eu assino embaixo! Mas ollha o bafafa que causou, rssss.
    Tipo, sem educação o pais pode até ir pra frente, mas em que direção, me diga????
    Logo eu vou estar na luta com vc, vou faZER PEDAGOGIA!!! rsss

    Um bjao p vc e a gente se vê por aí nesse mundão virtual, rssss

    ResponderExcluir

Agradeço sua visita e o seu comentário! É sempre bom receber o retorno dos leitores.

Todas as opiniões são livres, porém não serão aceitos comentários anônimos e tampouco comentários ofensivos, discriminatórios e que não prezam pelos princípios da boa convivência - o autor do blog reserva a si o direito de excluir comentários com tais temas.

Volte sempre! =)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...