segunda-feira, março 17, 2008

QUAIS SERÃO NOSSAS PERSPECTIVAS PELOS PRÓXIMOS 7 BILHÕES DE ANOS?

Prometo não desaparecer pelos próximos 02 anos! É que a carga de trabalho está cada vez maior, ao passo que o salário continua cada vez menor. Não deveria ser uma lógica diferente? Quanto mais qualificação e serviço mostrado, maior o salário e mais tempo livre, afinal estamos numa sociedade “informatizada”, não é verdade?

É um sonho da humanidade: máquinas que farão a maior parte do trabalho, enquanto os homens aproveitam mais o tempo livre para atividades de lazer, cultura...o “ócio criativo”.

Quem sabe isso não aconteça nos próximos 7,59 bilhões de anos? Esta é a previsão de dois astrônomos para o fim deste simpático planetinha azul...isso se não houver interferência com a natureza. Do jeito que as coisas andam, é provável que este simpático planetinha não chegue nem perto deste tempo estipulado.

Na verdade é uma previsão até otimista todos estes bilhões de anos que a Terra ainda existirá feita por estes astrônomos. Para boa parte da população terrestre a esperança de um mundo melhor chegou ao fim e não há nada mais a se fazer a não ser procurar sobreviver da maneira menos dolorosa o possível e com um pouco mais de dignidade.

Estaria eu sendo pessimista, apocalíptico ou alguma espécie de profeta das desgraças? Fica até difícil ser otimista quando se depara com uma situação como a relatada abaixo:

O espaço urbano aberto, por exemplo, costuma estar enterrado sob lixo não coletado, criando pequenas utopias para ratos e vetores de doenças, como os mosquitos. [...] Por vezes, o conteúdo dos resíduos é terrível: em Acra ( Gana), o Daily Graphic noticiou recentemente que “os depósitos de lixo cada vez maiores, cheios de sacos de plástico preto contendo fetos abortados da kayayee [carregadoras de mercados] e adolescentes em Acra. Segundo o chefe do Executivo metropolitano, ‘75% do lixo em sacos de polietileno preto da metrópole contêm fetos humanos abortados”.

Este é apenas um dos relatos e análises contidos no livro “Planeta Favela”, de Mike Davis, que analisa o crescimento vertiginoso das favelas e cortiços nas grandes cidades no mundo com base em dados, estatísticas e relatos de pesquisadores de fontes diversas, desde ONU ao Banco Mundial. As favelas da África, do Sudeste Asiático e da América Latina são os piores lugares para se tentar sobreviver.

As megacidades com suas populosas favelas não param de crescer. Lagos, na Nigéria, contava com 300 mil habitantes em 1950; hoje a cidade possui 13,5 milhões de habitantes. A China, na década de 80, somou mais habitantes urbanos do que toda a população existente na Europa no século XIX; Uma faixa de 500 quilômetros entre Rio e São Paulo conta hoje com uma população de 37 milhões de habitantes. Situação pior é a projeção para 2020 na costa ocidental da África, em uma faixa de 600 quilômetros entre Benin e Acra: 60 milhões de pessoas.
É assustador principalmente quando pensamos em questões simples como alimentação, saúde, educação e condições de moradia para esta grande massa de pessoas já existente e para as pessoas que irão nascer nos próximos anos. Até mesmo situações simples como utilizar um banheiro já é complicado em alguns países:

“Nas favelas de Bangalore – a cidade vitrine de alta tecnologia da ‘Índia Brilhante’ – as mulheres pobres, que não podem pagar para usar os banheiros públicos, precisam esperar a noite para lavar-se ou aliviar-se. A pesquisadora Loes Schenk-Sandbergen escreve:

Os homens podem urinar a qualquer momento, em qualquer lugar, enquanto as mulheres só são vistas obedecendo ao chamado da natureza antes do amanhecer e depois que anoitece. Para evitar riscos, as mulheres tem de ir em grupos às cinco da manhã [...] muitas vezes a locais pantanosos onde pode haver serpentes ocultas ou algum depósito de lixo deserto com ratos e outros roedores. É comum as mulheres dizerem que não comem durante o dia só para evitar ter de sair em campo aberto à noite.

Do mesmo modo, em Mumbai, as mulheres tem de se aliviar “entre as duas e as cinco da madrugada, porque é a única hora que tem têm privacidade”.
Davis, Mike. Planeta Favela. p145. SP: Editora Boitempo. 2006

Cenários desoladores, sem sombra de dúvida. Muitas vezes observamos ( à distância e apenas de relance) em nosso cotidiano pessoas em situações tão humilhantes e já consideradas como “coisas" normais da cidade grande, apenas isso. Em minha atuação em escolas da rede pública nas periferias de Salvador tenho ouvido histórias que conferem credibilidade aos relatos dos fetos de Acra e das mulheres pobres de Bangalore.

Como as cidades dos países em desenvolvimento chegaram a este patamar ( e mesmo cidades dos chamados países em desenvolvimento possuem seus bolsões de pobreza e miséria camuflados estrategicamente, até que uma tragédia como a de New Orleans revele “a real”) já não é novidade. A falta de investimento em setores cruciais como Educação, Saúde, Planejamento Urbano ( cidades crescem sem um plano diretor) e Familiar, Meio Ambiente e tantas outras questões levaram a este cenário, sem contar o colonialismo em diversos países da África e Sudeste Asiático e as receitinhas do FMI e Banco Mundial para que os países em desenvolvimento realmente cresçam – tudo em nome da misteriosa entidade reguladora conhecida como “mercado”.

Mas o mundo chegou a este patamar. E agora, o que fazer? O dogma “investir em educação, saúde, blá-blá-blá” parece insuficiente, apesar de necessário e prioritário.

Segundo o ex-secretário geral da ONU, Koffi Annan, a “parceria mundial para o desenvolvimento é feita mais de palavras do que de atos”. Este já seria o primeiro ponto: a ação. Mas que sejam ações relevantes além de cantores reunidos para chamar a atenção dos “problemas do mundo” a uma platéia mais a fim de ouvir os hits do momento do que com crianças morrendo na África.

Uma das ações relevantes seria rever as prioridades. O que seria mais necessário: uma ogiva nuclear ou a construção de 3.000 residências? A invasão do Iraque, que vai para o sexto ano, tem o custo MENSAL de US$12 bilhões. Quantas escolas não seriam construídas com este valor? Com US$ 11 bilhões ANUAIS a educação básica no continente africano melhoraria consideravelmente. Segundo a UNESCO, a África subsaariana necessita entre 2 a 4 milhões de novos professores.

A ONU acha possível acabar com a pobreza no mundo. Para isso, foram criadas as Metas do Milênio, um documento assinado por 191 estados-membros da ONU que se comprometeram a atacar os problemas em 08 frentes até 2015. Mas vários países não estão cumprindo as metas. Para os países mais ricos, o investimento de apenas 0,5% de seu PIB para os países mais pobres já seria um grande avanço para a realização das metas.

Para isso seria necessário também acabar com a praga da corrupção no mundo. Somente em subornos há um desvio de US$ 1 trilhão anuais. A corrupção causa mortes em todo o mundo porque as pessoas não recebem tratamento e remédios adequados – muitas vezes doados por entidades não-governamentais ou por países mais ricos.Percebam que a corrupção e o suborno estão intimamente ligados. Temos exemplos evidentes no Brasil: quantas e quantas vezes não vemos notícias em que grandes empresários, políticos e especuladores escapam incólumes da lei que deveria ser para todos ( basta lembrar da “máfia dos juízes”).

Enfim, o quadro não é dos mais promissores. Há propostas aqui e ali, boas intenções de um lado, nem tantas de outro, mas a verdade é que este belo e aprazível planetinha dificilmente atingirá 7 bilhões de anos até que seja decretado seu fim. Com os atuais níveis de consumo e energia, agressões constantes ao meio ambiente e uma população que não pára de crescer em péssimas condições de sobrevivência as perspectivas para o futuro não são muito animadoras.

Por enquanto, vamos tocando a nossa parte como dá. Além dos já conhecidos cuidados com o meio ambiente ( não jogar lixo nas ruas, controlar os gastos com água, etc) e trabalhos voluntários, é interessante também que parte das pessoas que tem acesso à informação ( como você, que acessa este blog - não que este blog tenha a pretensão de mudar alguma coisa, mas pelo fato de você ter internet e acessar constantemente) divulguem, repassem informações, promovam debates, enfim, criem MASSA CRÍTICA para aqueles que não acesso ou resistem a uma conversa mais "séria".

Se isso vai mudar alguma coisa? Se não começarmos a disseminar a massa crítica, não saberemos. E este ano tem eleições. Eis uma boa oportunidade...

A "ARTE" ( uhauhauhauhauha!!!!) DO GROO
Agradeço ao comentários elogiando meus "desenhos"...na verdade um monte de rabiscos pessimamente distribuídos numa folha qualquer. Mas eu agradeço assim mesmo!

6 comentários:

  1. sinceramente, nosso fim será bem antes desses "meros" 7 bilhões de anos se não pararmos de ser idiotas e começarmos a cuidar melhor do nosso planeta. deixar esse preconceito tosco contra pessoas que se preocupam com nosso futuro e fazer nosso futuro ser menos lixo do que está prometido ser.

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  2. Realmente, excelente arte a sua :)

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  3. 7 bilhões? nem estaremos mais aqui

    hauhauha da hora o post apesar de muuuito comprido....


    www.blogdospiratas.org

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  4. Eita... vou dormir traumatizado com esse texto!!!!

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  5. Trabalhe Muito me poupando desaparecimento por centenas e centenas de dias, evitando assim uma IMENSA saudade �de tu� mestre querido. Seu jeito marcado nos textos que faz, � o que h�. Se quiser ficar rico mesmo, joga na mega. OXI!! OXI!! Vc come�ou assim com essa ondinha de trabalho excessivo e passou o MAIOR temp�o. Te liga Groo!!!
    Educar sensibilizando � o que acho mais dif�cil, uso sempre os fatos do cotidiano de meus alunos, como diria o meu chefe na campanha, educamos os que est�o abaixo da linha da pobreza. Adoro alfabetizar e ver a cada conquista deles aquele brilho no olhar, infelizmente o brilho � pouco, o que predomina � a cor cinza da desilus�o pelo futuro que j� � o presente deles. Minha escola ensina ate o Fundamental I, 2� ciclo 2� anos ou 4� s�ries, como queira. Os relatos sobre nossos ex-alunos na escola da vida s�o os piores, assaltos, suic�dios, fugas de casa, tr�fico... � a minoria, mas acontece. Sei que n�o podemos resolver o mundo nessa profiss�o mas fica uma ilus�o que dos nosso 100% doados, n�o absorveram nadinha, porque o encaminhamento da vida n�o permitiu.Lembro agora um relato de minha amiga:�-Pat, fiquei felic�ssima, meu ex-aluno est� trabalhando numa oficina perto da outra escola que ensino, ele est� t�o bem!�
    � pouco mas � uma luz no final do t�nel para n�s, que vislumbramos a cada dia uma realidade cruel de descaso, come�ando pela fam�lia e se estendendo para todo o restante.

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  6. Parece que mesmo em 7 bilhões de anos a sua ilustração continuará atual.

    Torço e trabalho para que isso não seja verdade, mas a realidade é cruel mesmo.

    Abraço e Deus o abençoe

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