sexta-feira, fevereiro 11, 2005

EU CARNAVAL,TU CARNAVAIS...

Mal terminou o carnaval e outro já começou. A venda de abadás para o Carnaval 2006 está a pleno vapor. Cerca de 5.000 abadás para o ano que vem foram vendidos somente hoje, 10/02. Para quem pensava que a forte chuva que caiu em Salvador nos dois últimos dias de folia fosse desanimar os foliões, eis aí a resposta.
Carnaval deixou de ser diversão pelo menos nas grandes cidades. Quem vê a “gente bonita” na televisão distribuindo sorrisos pode até espantar-se com essa afirmação. Mas estou falando de diversão como deveria ser: apenas o ato de encontrar-se com amigos, conhecer pessoas novas...hoje, paga-se por isso.
Mas ainda há esperanças. Senta que lá vem história...

UM CAUSO GROOTESCO DE CARNAVAL

Foi há 04 anos em uma cidade do interior da Bahia chamada Miguel Calmom. Não perguntem ao velho Groo quem foi Miguel Calmom. Saibam apenas que Groo e seu primo ( que chamaremos de “primo grootesco”) foram a uma festa de Carnaval promovida pela prefeitura local. E, festa promovida por prefeituras do interior seguem esse modelo: um palco montado na praça central da cidade, com um monte de bandinhas regionais emulando um axéxelento e uma grande atração. No caso desta festa a atração principal era o grande cantor Lairton e seus teclados ( quem não se lembra: Aaaaaiiiii é amooooorrr....aiaiaiai é amooor.....).
Groo e seu primo grootesco estão lá no meio da bagunça, com a praça lotada de foliões da cidade mesmo e muita gente de cidades vizinhas. E os nossos amigos juntam-se a outros amigos, e cada um vai se “arranjando”, se é que entendem a expressão. Groo tá só na dele, sorvendo a cervejinha e jogando conversa fora. Até que o primo grootesco apresenta um amigo ali mesmo da sensacional Miguel Calmom:
- Bicho, esse cara jogava vôlei contra a gente e depois sumiu!
- É, trabalho, estudo...aí teve que levar a vida mais a sério, né?
- Só. Rapaz, a seleção daqui era páreo duro!
E o Groo entra na conversa:
- Ah, você era da seleção daqui?
- É, a gente formou um time que diziam que era a seleção...que a gente jogava contra os times daqui da região e ganhava muito jogo, sabe?
-Ah, certo. E jogou muitas vezes lá contra o time do Mundo Novo?
- Rapaz, já jogamos algumas vezes...mas sabe o que era bom nesse negócio? Era sair e conhecer esse monte de cidade! A gente saía e ia pra longe, Capim Grosso,Mairi,Serrolândia,Várzea do Poço,Jacobina...Hoje não faço mais isso. Procê ver, a última vez que fui pro Mundo Novo foi quando minha vó morreu!
- É mesmo? Quem era sua vó, desculpe perguntar.
-Não, não, tudo bem...era Anerina, conhecida como véia Nerina.
Groo e seu primo se espantam. Talvez um pouco surdo pelo barulho do “aiaiaiaiai é amoooorrr”, Groo pergunta:
-Como é?
-Véia Nerina.
- Nerina...Guimarães?
- Isso! Conhece?
-Se conheço? Bicho, tu sabe quem é o Véio Dú?
-Oxe, o véio Dú é meu tio, porra, irmão da minha finada vó!
-Pois é! E o véio Dú é meu vô!
-Rapaz...então a gente é primo???
-Puta merda!
- Não acredito! E a gente jogava vôlei, vinha pra cá sem saber que tinha parente, disse o primo grootesco.
E foi um tal de mostrar a identidade do outro, pra conferir os sobrenomes Guimarães e Lopes... e o “novo primo” do Groo já foi sentenciando:
- Não, não, vamo ali, vamo ali, tomar umas! Rapaz, peraí que cês vão conhecer mais primos!
E o “novo primo”tinha um irmão e uma irmã e foi apresentando para seus dois “novos primos”. Foi primo pra lá, primo pra cá que até confunde. Mas o melhor desse “novo primo” que Groo e o primo grootesco conheceram,além da simpatia, é que o cara é daqueles que conhecem TODO MUNDO da cidade! E foi uma beleza! O cara andava dois passos e parava uma menina conhecida dele:
- Olha, esses são dois primos meus, um de São Paulo outro de Salvador....
E foi assim. Groo e seu primo grootesco já conheciam QUASE TODO MUNDO que estava presente na praça. E cerveja, e novas amizades, e camaradagem... Groo não se arrependera de jeito nenhum em ter percorrido uns 50 km de estrada ruim e agüentar Lairton e seus teclados ( aiaiaiaiai é amoooorrrr....). Para Groo um carnaval assim valia a pena, pois não é sempre que se conhece novos parentes perdidos por aí.
E já eram 5 da manhã quando Groo e seu primo grootesco resolveram ir embora. Os novos parentes e novos amigos não queriam deixá-los irem embora. “Dorme aí,pô, tem lugar!” “Lugar é o que não falta” foram as expressões que utilizaram para convencer Groo e seu primo grooteco a ficarem por lá. Mas não ficaram. Decidiram ir embora para pegar a festa de Mundo Novo também. Afinal, era apenas o começo do Carnaval. Despediram-se e prometeram voltar. Só que não voltaram, mas viram os novos primos em outras ocasiões, em outras cidades. A Groo ficou a lembrança da descoberta dos parentes e aprendeu algo: preste atenção com quem conversa...pode ser seu parente.

EPÍLOGO

Groo e seu primo grootesco enfrentam os 50 km de estrada ruim na volta e chegam ao destino por volta de umas 06, 06:30 da matina. Com aqueles olhos vermelhos de sono de uma noite na farra, nem notam um senhor passando com seu jegue com os litros de leite que ele acabara de tirar:
- ‘dia!
Um tanto atrasado e meio abestalhado, Groo responde:
- Ô...’dia!
Duas senhoras, a caminho da Igreja, passam e comentam:
- Esses jovens de hoje...só querem saber de farra!

Ah, como o tempo é implacável!

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