terça-feira, fevereiro 15, 2005

A arte arde

A arte arde
Baluarte covarde!


Sempre gostei de artes, embora não saiba muito bem distingüir obras de arte. Dizem que uma obra de arte é caracterizada pela liberdade e espontaneidade que o artista tem em realizá-la. Sem amarras. Deve ser por isso que não me tornei artista, pois minha professora de educação artística sempre vinha com regras para meus rabiscos.


Ah,sim, eu rabisco, de vez em quando. Uns desenhos ruins de morrer. Mas acho até que isso poderia ser arte, pois é minha criação,livre e espontânea. Ou não. Na verdade sempre tive dúvidas do que é “arte”.


Faz algum tempo fui a uma exposição no Museu de Arte Moderna de Salvador. Um lugar bonito, o Solar do Unhão; Por si já é uma obra de arte. Se tem um local que vale a pena conhecer em Salvador é esse museu. Então, a exposição. Era de um artista famoso regionalmente, tanto que esqueci o nome... Era uma coleção de quatro telas, muito grandes, ocupando uma grande ala do museu. Uma dessas telas consistia no seguinte: o quadro, branco, com um quadrado preto no meio.


Um quadro branco com um quadrado preto no meio.

Eis a obra. Me perguntei se a tinta do artista terminou ou se ele fazia aquela obra por etapas. Sim, seria genial: a cada final de semana, ele fazia um pouco. Seria ótimo, mas não era assim. A obra era aquilo mesmo: um quadro branco com um quadrado preto no meio. Fui forçar um pouco a memória...o que aquele professor de história da arte disse certa vez em uma entrevista na TV? Ah, certo, que cada um vê o que quer.

Eu não sei o que outras pessoas vêem num quadro branco com um quadrado preto no meio. Pra mim continua um quadro branco com um quadrado preto no meio. Se outras pessoas enxergam ali uma bailarina ou uma paisagem futurista, fico com inveja. Gostaria de ter esse dom. Mas sou muito óbvio. A única forma de enxergar algo além de um quadro branco com um quadrado preto no meio era tomar uma caixa de cerveja...hmmm...quadro...quadrado...caixa de cerveja...talvez.

Mas neste final de semana retornei ao museu. Um passeio bom. Tempo bom. Acabou o carnaval, graças! Mas no museu havia uma exposição de algumas instalações...vocês sabem, um cara pega um rolo de arame farpado e joga tinta amarela em cima. Expõe no museu. É arte. No meio da rua é lixo. Um dia chego lá. Mas fiquei por ali vendo as instalações e tentando entender o que aquele pedaço de tábua fazia ali na exposição. Descobri que aquilo não era obra de arte, e sim parte das obras de restauração do museu. 

Tô dizendo que esse negócio de arte deixa o sujeito louco...

Mas parei em frente a uma obra instigante: o artista catou um desses fogões antigos naquela cor azul-posto de saúde ( quem viveu a infância dos anos 80 sabe do que estou falando...daquele azul das geladeiras, das máquinas de lavar, dos azulejos...era chique,tão pensando o quê!), bem detonado mesmo, tirou aqueles acendedores e colocou ali um rádio toca-fitas motorádio ( saudosismo anos 80); Nas bocas, algumas tranqueiras de plástico...um xícara, um vasinho...e,na tampa, duas fotos p&B retratando cenas de um casamento. Fiquei um tempão parado olhando aquilo. Não conseguia ver grandes coisas...nem a chapinha com o nobre da obra ajudava: “o casamento”. Eu digo pra todo mundo que sou meio lerdo...só conseguia pensar de que ferro-velho o cara tinha tirado aquilo tudo...Já estava desistindo quando minha namorada, que é melhor observadora do que eu, me explicou:

- Ora, representa o casamento, mesmo. Fogão. A mulher, antigamente, se casava com o fogão. Os objetos são todos antigos e esse rádio indica que a mulher tinha o desejo de divertir-se, o casamento não é ficar no pé do fogão.

Gostei muito da explicação. De verdade. Mas não fiquei totalmente satisfeito. Aquilo era o olhar de outra pessoa. Mas arte é liberdade de interpretação, não é? Talvez outras pessoas tenham enxergado o mesmo que minha garota, ou talvez além...mas eu só conseguia enxergar um fogão velho azul-posto de saúde detonado com um motorádio acoplado nos acendedores.

Ah, por que fui aprender que 2 +2 =4?

Baluarte

Falando em arte, o ca$amento do ano: Daniela Cicarelli e Ronaldo Nazário Fenômeno. Vai ser num castelo luxuosíssimo na França. Só o buffet custou R$ 300 mil. A conta da cerimônia chega perto de US$ 1 milhão. O castelo é recheado de obras de arte. Que certamente serão apreciadas pelos convidados. Claro.

Covarde

E tem jornalista por aí dizendo que o Robinho humilhou o tal de Tévez com uma dança imitando um passista de escola de samba quando ele comemorava seus gols contra o MSI, ex-corinthians. Deixem o moleque em paz. Jogar o futebol que ele joga é uma arte; Dançar como um passista de escola de samba é uma arte.E humilhar a escola argentina de futebol é uma arte magnífica!

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