segunda-feira, janeiro 14, 2013

E o mundo acaba em....

(rabiscos descompromissados do fim do mundo - clique para visualizar tamanho maior, se tiver coragem)

E aqui estamos em 2013, sobreviventes de mais um apocalipse que não veio – para infelicidade de alguns. Chegamos ao ano 2000, não teve bug do milênio, o “planeta X” não apareceu, surgiram inúmeras interpretações das profecias de Nostradamus e outros videntes, o calendário Maia e todas aquelas histórias sobre 2012 também não concretizaram.

E agora? Qual será o próximo ano decisivo para a humanidade, o ano do juízo final? A humanidade adora pensar no fim dos tempos: basta um cometa ou asteroide “passar perto” da Terra e já iniciam especulações sombrias. Foi assim em 1910 quando o cometa Halley passou pela Terra – a cauda do cometa teria “gases tóxicos” que dizimariam a humanidade. Mesmo com o maior acesso à informação as coisas não mudaram tanto nos últimos 100 anos no que se refere à credulidade de muitas pessoas e isso na verdade é um problema – vide os malucos que se denominam “profetas” e fundam seitas nas quais o suicídio coletivo é estimulado.

Como os cientistas já estão descartando o choque do asteroide Apophis com a Terra em 2036 e até agora ninguém descobriu um calendário asteca, inca ou sumério apontando para o fim do mundo por estes dias do século XXI, arrisco o ano em que acontecerá o Juízo Final ao menos para os cristãos: será em 2033, dois mil anos da morte de Jesus Cristo. Há mil anos aconteceu uma grande peregrinação a Jerusalém:

“Por volta de 1033, com a aproximação do milenário da morte de Cristo, ‘uma multidão inumerável convergiu do mundo inteiro para o sepulcro do Salvador em Jerusalém. Inicialmente, foi gente pobre das classes inferiores, depois pessoas de condições medianas e, finalmente, todos os grandes, reis, condes, marqueses, prelados [...] grande número de mulheres, as mais nobres junto com as mais pobres. [...] A maioria compartilhava o desejo de morrer em algum ponto dos santos lugares em vez de retornar para seus próprios países.’ (Raoul Glaber)” 1

E em que dia isso acontecerá? Quem chegar ao ano de 2033 aguarde para a série de publicações e filmes sobre a volta de Jesus ou o Juízo Final, sem falar nas seitas e movimentos místicos e religiosos. O “fim do mundo” sempre rende boas histórias para o cinema e para a literatura – e um bom dinheiro para aqueles que enxergam estas “oportunidades”, incluindo aí uma parte da imprensa sensacionalista.

Como o nosso bonito e maltratado planetinha ainda terá 5 ou 6 bilhões de anos pela frente, nossos filhos, netos e bisnetos sobreviverão a inúmeros apocalipses e profecias de todos os tipos possíveis e imaginários. Claro que até lá um asteroide intrometido pode aparecer ou mesmo a humanidade “acelerar o processo”; mas enquanto isso não acontece ainda temos um mundo a zelar – e como ele precisa de cuidados.


1- Referência: MORRISON, Cécile. Cruzadas/Cécile Morrison; tradução de William Lagos. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009.

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