quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Frustrações e derrotas


(clique na imagem para melhor visualização - se tiver coragem de ver estes rabiscos, é claro!) 

“Feliz ano novo, pessoal!”. Sempre aparece alguém para dizer isso quando o carnaval chega ao fim. Mas não é verdade que o ano só começa pra valer no Brasil ao final dos festejos de Momo? Pra mim, não: o ano começa quando os lembretes dos impostos começam a chegar em casa – e, acreditem, para isso o governo é muito eficiente.  

E tem gente que fica deprimida com o fim da folia: acaba o verão, a fantasia, o clima de “não sou de ninguém” e tudo retorna à maçante rotina. Aquela foliona que passou o carnaval em Salvador toda serelepe e beijando muito volta ao escritório em São Paulo toda recatada e desprezando quaisquer tentativas de aproximação – nem as cantadas de pedreiro farão a moça ceder aos encantos do pretendente. È compreensível: “no carnaval, trocamos o trabalho que castiga o corpo ( o velho tripalium ou canga romana que subjugava os escravos) pelo uso do corpo como instrumento de beleza e de prazer”, nos informa Roberto DaMatta em seu livro “O que faz o brasil, Brasil?”  

Por falar em São Paulo e em carnaval... que confusão foi a apuração dos votos das escolas de samba do carnaval de 2012.  Confusão é um termo até brando: o que se viu foi vandalismo e baixaria mesmo – saíram de cena as musas do carnaval com seus rebolados e curvas para dar vez aos dirigentes de escola de samba furiosos e ao galã que já é velho conhecido da polícia.

Eu me lembro de ter acompanhado algumas vezes, pela TV, as apurações das notas das escolas de samba. Chega a ser até engraçado quando uma destas escolas consideradas “grandes” recebe uma nota menor do que “10” em um dos vários quesitos: um festival de xingamentos e a lembrança da mãe do pobre jurado nas arquibancadas pela torcida da agremiação que se sente “prejudicada”. Digo logo que não entendo nada disso aí de escolas de samba e acho tudo muito bonito - apesar de ser chato pra caramba acompanhar tudo pela TV: carnaval e TV é algo que não combina, bom mesmo é brincar na rua e nos blocos, sem cordas ou abadás.  

O que me deixa assustado é a reação que as pessoas vêm tomando ao lidar com perdas, rejeições e frustrações atualmente. Pontuações que não sejam notas máximas na apuração do carnaval ou mesmo notas que desagradem aos alunos nas escolas e faculdades podem gerar reações agressivas; dizer um “não” a uma cantada pode acabar em morte – ou mesmo a negativa em retomar um relacionamento: quantos crimes com tal motivação acontecem todos os dias e acompanhamos através das mídias?

Obviamente ninguém quer perder e sofrer com a rejeição, afinal todos desejam o sucesso e a felicidade; acontece que são conceitos muito particulares e estão praticamente padronizados: sucesso é a fama, o dinheiro, o poder e a felicidade geralmente está relacionada a tais valores.  Existem até mantras modernos propagados pelos gurus da auto-ajuda que também são repetidos pelo mundo empresarial como mensagens motivacionais: “Você é capaz de realizar todos os seus sonhos!”, “você pode, você consegue, o sucesso depende de você!” e assim por diante.

Otimismo sempre é bom e é claro que devemos questionar quando pode ter acontecido alguma injustiça em avaliações, promoções, critérios; mas daí a reagir violentamente e não aceitar uma derrota ou rejeição demonstra falta de equilíbrio – além de ser uma espécie de “compensação” para a dor, mas uma compensação da qual o agressor se faz “vítima” e, com isso, tenta ignorar a verdadeira causa do(s) problema(s). Quem quer sofrer de amor como os românticos que compensavam sua dor escrevendo poemas e romances chorando a perda do (a) amado (a)? Mártir é coisa de Tiradentes e a fila anda!  

Uma sociedade estimulada para ter sucesso e ser feliz. E para isso acontecer os “nãos” devem ser banidos e o fracasso não deve constar em outro lugar a não ser no dicionário. Notas baixas, repetência de série ou matéria, rejeições, perda de campeonatos, términos de relacionamentos e tantas outras frustrações não podem constar em currículos e biografias. Contudo o filósofo latino Sêneca já nos alertara, lá por volta do longínquo ano 63 d.C:o que se prevê é que há sempre algo por vir que poderia criar obstáculos para a realização de nossos propósitos. Não se trata de ser apocalíptico ou apelar à resignação: é desagradável sofrer revezes, mas é um processo de maturidade do qual todos nós precisamos passar.  

Ou se você preferir algo mais moderno, alegre e carnavalesco, fique com a voz do povo: “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”!  Pode até demorar, mas no quesito evolução e harmonia, é nota 10!  

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Carta do prefeito de Pirambeirinha do Norte


(fiz estes rabiscos durante um intervalo de reunião e planejamento na escola – com poucos alunos na véspera de carnaval. Desculpem a “qualidade” dos rabiscos - se quiser conferir, clique na imagem e boa sorte!)

Prezados cidadãos Pirambeirinhenses,

diante das acusações que têm sido feitas por um pequeno grupo ligado à oposição e considerando o grande prejuízo à imagem de nosso amado município e também para defender a minha honra frente ao executivo, venho explicar por meio desta carta alguns pontos que os opositores estão atacando – inclusive o meu caráter ilibado.

Sabemos que Pirambeirinha do Norte é um município pequeno e tem como base econômica a agricultura, principalmente os abacaxis que fazem a fama de nossa terra até mesmo no exterior; recentemente descobrimos em nosso território uma grande reserva de urânio e isso tem gerado muitos negócios e renda para nosso município. Negociamos a venda de urânio para o Irã e com isso a oposição me acusa de estar alinhado ao regime político de Ahmadinejad, o que é uma leviandade: se os iranianos querem comprar e nós temos a mercadoria, eu vendo e o município ganha. Simples assim. Se eles vão usar urânio para construir bombas atômicas não é problema dos valorosos pirambeirinhenses.

Com o dinheiro que entra em nossos cofres estamos realizando muitas ações rumo ao progresso. Posso afirmar, sem medo, que nunca antes na história deste município um prefeito fez tanto pelo povo quanto eu! A oposição ataca sem critérios, sem provas, tudo planejado para criar um clima eleitoreiro em momento tão longínquo das eleições municipais. Um verdadeiro absurdo! Aproveito esta ocasião para divulgar minha candidatura à reeleição para a prefeitura de Pirambeirinha do Norte, já que tocamos no assunto.  

Realizamos muitas obras: a reforma da Câmara Municipal, com ar condicionado, geladeira, aparelhos de TV novos e computadores com acesso à internet em todos os gabinetes dos vereadores – inclusive da oposição que prefere omitir tais benesses; a nova sede da prefeitura no antigo teatro municipal, que foi demolido para dar lugar a um prédio moderno e de linhas arquitetônicas inovadoras e arrojadas! E a revitalização da praça Sinezinho Ribamar Alcântara de Mello, ex-prefeito e médico que tanta falta faz em nossa sociedade! Mais uma vez a oposição tenta desqualificar os méritos desta gestão - a empresa responsável pelas obras é sim do meu filho, mas isso tem explicação: precisamos incentivar os empresários de nossa terra promovendo, assim, o desenvolvimento de nossa região.

Mas os melhores investimentos são sempre aqueles feitos em nossa gente, em nossos servidores. O prefeito e os vereadores tiveram um reajuste de 74% em seus salários, defasados pela inflação ao longo dos anos; E apesar da crise mundial a nossa guarda municipal teve aumento de 4% - não é pouco, é o que nosso orçamento permite para este ano. Os professores não podem reclamar: 3% de reajuste salarial divididos em duas vezes: 1,5% neste primeiro semestre e 1,5% no segundo semestre; isso é semelhante ao reajuste e ao acordo feito com os médicos municipais: 2% agora no primeiro semestre e 2% no final do ano. Logo, as acusações da oposição sobre os chamados “salários de fome” são absolutamente infundadas.

E é com fé no futuro e no progresso que anuncio em primeira mão para a nossa cidade as atrações para o maior carnaval da região! Já contratamos dois trios elétricos, teremos um palco principal na praça e as bandas são excelentes, de nível nacional: Miguel Trenó, Juan Santana, Gustavo Laranjeira e as bandas Apocalipso e Agonia do Samba. A oposição e seus partidários acusam de forma caluniosa que teríamos desviado dinheiro da merenda escolar e dos remédios para os postos de saúde para bancarmos o carnaval, o que não é verdade. O que nossa gestão faz é investir na cultura e bem estar de nossa gente, tão pacífica e cordata! O nosso povo merece um carnaval com muita alegria e muita festa!

Antecipamos também a festa da padroeira da cidade para a quinta-feira logo após o carnaval e decretei ponto facultativo na sexta-feira, quando faremos uma grande festa em homenagem à nossa padroeira que tanto nos protege e a quem peço, com toda humildade e fé, que me livre destes ataques cheios de ódio e carregados de mentiras feitos pela oposição. Não guardo rancores, pelo contrário, apenas peço a nosso Senhor o perdão a aqueles que me acusam injustamente. Tenho fé em Deus e em nossa padroeira que a justiça prevalecerá e tenho certeza que você, cidadão pirambeirinhense, cristão e sedento pela verdade estará ao meu lado nesta caminhada contra toda e qualquer injustiça!

Desejo a todos os munícipes um grande carnaval!

Atenciosamente,

Sinezinho Ribamar Alcântara de Melllo Júnior
Prefeito de Pirambeirinha do Norte 

sábado, fevereiro 11, 2012

Página 209 ( ou conto de final de férias ou sobre a volta ao trabalho ou sobre Sísifos modernos)


No mito grego, Sísifo luta para rolar uma grande pedra para o cimo de uma colina, que então rola pelo outro lado abaixo. (...) Para os antigos, o trabalho infindável era a marca de um escravo.”
GRAY, John. Cachorros de palha: reflexões sobre humanos e outros animais. 7ª edição. Rio de Janeiro: Ed.Record, 2011.p.209 

6:30 da manhã e eu olho para o relógio com amargor, mas não deveria: há pouco tempo eu acordava 1 hora antes a fim de me preparar para mais um dia de trabalho e pegar aquele ônibus sempre lotado. Enfim, comprei um carro - um modelo popular – e é por isso que eu posso me dar ao luxo de dormir 1 hora a mais. Esta “horinha a mais” de sono tem seus custos: os impostos, o seguro, o combustível e as suaves 36 prestações do financiamento.

Não preciso de muito tempo para me arrumar: a barba, o banho, um rápido café da manhã e já estou pronto. A vantagem que nós homens temos em relação às mulheres é que basta calça, camisa e sapatos sociais para ir trabalhar. Não gasto tempo escolhendo o que vou vestir: basta que esteja limpa e passada. Só preciso lembrar de levar as roupas à lavanderia. Sim, moro sozinho em um pequeno apartamento e tenho que me virar com essas coisas.

O trajeto de casa ao trabalho não levaria mais do que 25 minutos feito de carro, mas sempre há congestionamentos. O rádio é sintonizado o tempo todo na estação de notícias para saber sobre o trânsito. Geralmente são 45 minutos até que eu chegue à empresa e assuma o meu lugar no escritório.

Não sou nada de mais por lá. Entrei na empresa ainda estagiário, enquanto cursava Administração de Empresas. O salário não é lá essas coisas, mas para quem é solteiro e tem poucas despesas, não tenho maiores queixas. Passo o dia todo lidando com planilhas, tabelas, cálculos, essas coisas. Não é o melhor ambiente do mundo para se trabalhar, mas pelo menos ninguém atrapalha e é a rotina de sempre. Não tem muita conversa entre os colegas e nem muitas intimidades. Confesso que gostaria de conversar mais com a Rosa, a secretária, mas sei que as intimidades ela tem mesmo é com o filho do patrão, um mauricinho meio palerma, mas como é filho do homem, é tolerado.

Com os demais colegas só converso alguma coisa na hora do almoço. É sempre no mesmo restaurante, perto da empresa – e também por ser o local mais barato. Tem uma TV ligada por lá e a conversa, claro, descamba sempre pro futebol e para a política. Como eu levo a sério conselhos do tipo “futebol, política e religião não se discutem”, faço breves intervenções - geralmente inofensivas - e termino meu almoço, tomo um cafezinho e volto ao escritório, onde ainda tenho mais algumas horas de trabalho.

Na volta para casa durante o horário de pico levo 1 hora para percorrer o trajeto. Tanto faz se terá congestionamento ou não, o caminho da volta é o mesmo de sempre. Tento relaxar ouvindo alguma coisa do Lou Reed ou Pink Floyd no carro. Antes de chegar em casa uma rápida passada na Padaria para comprar o jantar: pão, presunto, talvez um suco destes em caixinha. Sabor uva, de preferência.

Ao chegar logo me livro das roupas e tomo um banho. E em seguida tenho o meu lauto jantar, que não varia muito – às vezes faço um miojo, que é rápido e não dá trabalho. Nos finais de semana eu almoço ou até janto na casa da minha mãe ou da minha irmã. E elas reclamam que eu preciso encontrar alguma mulher para casar logo, afinal já passei dos 30. Penso que talvez elas tenham razão, mas não está fácil, ninguém arruma mais tempo nem pra namorar. Seria bom ter alguém com quem conversar na volta para casa.   

Esqueço essas reflexões, lavo os copos e as facas que ficaram na pia, limpo a mesa, passo a vassoura rapidamente no apê – deixo o trabalho mais pesado para a diarista que aparece aqui aos sábados -  e vou para a sala assistir a um pouco de TV. As notícias de sempre nos telejornais, as mesmas tramas nas novelas, nada muda. Sempre sintonizo nos canais de filmes e séries para passar o tempo, pois é a melhor opção que eu tenho – não sou chegado à leitura e não acesso internet em casa, pois passo o dia inteiro na frente do computador. 

Hoje está passando (de novo) “Tempos Modernos”, do Chaplin. É muito divertido e fico pensando em meu emprego, mas procuro não pensar muito no que faço. Pode não ser o melhor emprego do mundo, eu sei, mas é o que tenho e me dá alguma segurança. Quem sabe, um dia, as coisas não melhorem? Sempre nos recomendam esperança em dias melhores, mas apenas faço o meu trabalho e assim vivendo.  

Depois do filme e de uma destas séries americanas – um jovem rico que mal trabalha, se é que trabalha, e pega todas as garotas em uma mansão na praia -  me dou conta que já são quase 11 horas e é hora de dormir. Ajusto o alarme do relógio para disparar às 6:30. Amanhã começa tudo de novo – e rigorosamente igual. Boa noite e até.  

Sábado, 04 de fevereiro de 2012 04h42min

domingo, fevereiro 05, 2012

Greve da Polícia Militar na Bahia


(charge de Alpino, do blog do Alpino - AQUI

Não pretendia publicar algo sobre a greve da Polícia Militar na Bahia aqui no blog, ( já estou com outro texto pronto) mas foi inevitável diante da proporção do movimento e pensei que poderia expor o que eu penso por aqui sem risco de censuras. Peço desculpas aos meus 4 ou 5 leitores, mas é também quase um desabafo de alguém desanimado com determinadas posturas políticas. 

Como a greve começou

A greve dos policiais militares começou de forma tímida, quase isolada, a partir de uma assembleia da ASPRA – Associação de Policiais,Bombeiros e seus familiares - na terça-feira dia 31 de Janeiro. O comando  da Polícia Militar do Estado da Bahia não reconheceu a greve. Na quarta-feira, dia 01/02, o governador Jaques Wagner estava em Cuba acompanhando a presidente Dilma Roussef em visita àquele país. O vice-governador Otto Alencar, com informações do comandante da PM e do secretário de segurança pública, afirmou que tudo estava “sob controle”.

Na manhã de quinta-feira, dia 02, a Justiça decretou ailegalidade da greve atendendo requerimento do Estado. O movimento dos grevistas cresceu e o caos tomou conta da capital e do interior no final da tarde, com notícias de saques, arrastões e assaltos – muitas informações não passavam de boatos, porém muitas ações violentas eram confirmadas tanto pelaimprensa como pela própria Polícia Militar. Somente no período entre a meianoite e 7 da manhã do dia 03/02 ocorreram 17 assassinatos em Salvador e Região Metropolitana.

Somente no dia 03/02 - muito tempo depois - o governo resolve tomar providências e pede ajuda ao governo Federal: mais de 2 mil homens da Força Nacional doExército chegam à Bahia para auxiliar na segurança e restabelecer a ordem.

Maus policiais e a letargia do governo estadual


Infelizmente alguns maus policiais resolveram utilizar métodos condenáveis para manifestarem seu descontentamento com o governo: com armas em punho pararam o trânsito em uma das principais avenidas de Salvador e, como se diz, “tocaram o terror” entre a população. As reivindicações são justas, porém quaisquer atos de vandalismos são lamentáveis e condenáveis.  

Contudo não podemos eximir a responsabilidade do governo do Estado da Bahia, que tratou com desdém a greve logo no seu inicio e o movimento cresceu, com mais de 10 mil policiais aderindo à greve em todo o estado. Quando o governo finalmente percebeu o quão amplo era o movimento, já era tarde: além da capital, muitas cidades importantes do interior baiano praticamente "pararam" por causa da greve, como Feira de Santana - nem mesmo os rodoviários do transporte coletivo circularam na sexta-feira, dia 03. E foi notícia até no exterior

Decepção

Tratar com desdém movimentos grevistas é uma prática do governo Jaques Wagner, por ironia um ex-sindicalista. Em 2007 os professores da rede estadual entraram em greve e assim permaneceram por quase 2 meses – o governador chegou a cortar o salário dos professores; em 2011 os professores das Universidades estaduais da Bahia também entraram em greve por 2 meses e a atitude do governador foi a mesma: cortar os salários – que já são baixos e além disso o governo insiste em não pagar uma diferença salarial (URV) que foi inclusive determinada pela Justiça. Aliás, o tratamento do governo aos servidores públicos estaduais é decepcionante para quem esperava por mudanças significativas com o fim do carlismo.

Partidarismos, “PIG” e cegueira

Quando acontece uma greve deste porte é comum surgirem oportunistas partidários – como ACM Neto, esquecendo da greve da PM em 2001 quando o carlismo de seu avô dominava a Bahia – mas dizer que esta greve não passa de um “movimento de um sujeito ligado ao PSDB e orquestrado pelo PIG” é um exagero e é deixar levar-se por um partidarismo cego, além de desmerecer as reivindicações dos policiais - que já discutiam a questão salarial e outros direitos desde o ano passado.

Sim, é verdade que o líder grevista pela ASPRA é filiado ao PSDB e tentou eleição para deputado; sim, sabemos que a Globo, a VEJA, a FOLHA e outros veículos de comunicação possuem um histórico de manipulações e posturas antidemocráticas – por isso o termo “PIG” como referência ao “Partido da Imprensa Golpista”: contra o “PIG” as redes sociais e alguns blogs contam com o apoio de militantes de esquerda (em maior parte simpatizantes ou partidários do PT) e blogueiros conhecidos como “progressistas”.

No entanto até o dia 03/02, com 17 mortos na região metropolitana de Salvador, com a convocação do exército, com as notícias (verídicas) de saques e 10 mil policiais em greve, não vi uma linha sequer nos chamados “blogs progressistas” e até mesmo por parte dos militantes nas redes sociais. Só passaram a comentar após a greve tomar espaço nos jornalões e emissoras de TV em rede nacional – mas aí, claro, a greve era toda uma “orquestração do PIG”, causada por uma única pessoa (!) ligada ao PSDB e eximiram o governo Jaques Wagner de qualquer responsabilidade. E ai de quem fizesse uma crítica ao governo baiano.

Eu, “tucano e saudoso de ACM”

Estou muito à vontade para falar do governo Jaques Wagner: votei nele na primeira eleição - e sempre no Lula para presidente - e vibrei com a derrocada do carlismo na Bahia. Nunca tive afinidades ideológicas com partidos como PSDB e DEM ( antigo PFL) e  durante muito tempo li revistas como “Caros Amigos” e “Fórum”. Ainda assim fui chamado de “tucano”; fui bloqueado e “deletado” por perfis no twitter e tive comentário em blog/site recusado por fazer críticas à atuação do governador Jaques Wagner, que é do PT. E ao comentar sobre minhas impressões com alguns militantes aqui em Salvador perguntaram se eu “estava com saudades do carlismo”. 

O (pobre) debate político no Brasil

Sem generalizações - ao passo em que há fanáticos em todos os setores e principalmente quando lidamos com política partidária, também temos excelentes quadros para se discutir política - o debate político no Brasil, hoje, é praticamente um maniqueísmo quase infantil: “Eu, PT, bonzinho; você, PSDB, tucano malvado.” ou “Eu, PSDB, bonzinho; você, PT, petralha.”. Tais posturas em nada contribuem para a democracia e demonstram a pobreza de um debate político mais consistente. Comentários em alguns sites e blogs de tendência “progressista” que tragam alguma crítica ao governo são alvos de ataques e até mesmo chacotas - quando publicados. Condenar a falta de democracia, a intolerância às opiniões e liberdade de expressão atribuídas ao “PIG” e agir desta maneira ( nem todos agem assim, evidentemente) é uma contradição gritante. O espírito crítico passa longe em tais situações.

Apenas paz, só isso!

No bairro onde moro houve poucos registros de assaltos e arrastões. Mas fiquei “preso” em casa, é claro. O clima de insegurança é muito grande e a violência, real: a jornada pedagógica em uma das escolas onde leciono, à noite, foi suspensa – no bairro onde a escola está localizada houve saque e arrombamento de supermercado e um músico do grupo Olodum foi assassinado. Na praça do bairro onde moro, local com grande atividade comercial, poucas lojas arriscaram abrir suas portas e ainda assim com horário reduzido e segurança particular de prontidão. No sábado, dia 04, o exército estava lá na praça, quase na esquina de casa. Assustador. E nesta segunda, dia 06, é o inicio do ano letivo para os alunos da rede pública. Mesmo com a presença do exército a violência não dá trégua. Haverá segurança para  mais de 1 milhão de estudantes e 40 mil professores na Bahia, inclusive no turno da noite? Tudo o que os baianos, soteropolitanos, radicados e turistas querem é paz, tanto na capital como no interior.

Recomendação

O amigo Wander Veroni escreveu em seu excelente blog Café com Notícias um artigo bastante lúcido sobre a greve da PM na Bahia. E muito gentilmente incorporou à sua postagem o meu comentário sobre a greve dos policiais. Meus agradecimentos e parabéns ao Wander pela postura democrática.   

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