
(charge bem antiga, mas ainda aproveitável)
Eu já relatei por aqui que sou um sujeito “das antigas”. O meu celular, por exemplo, tem apenas três funções: telefone, relógio e despertador. Não me pergunte o que é bluetooth, IPAD e outros gadgets, pois não saberei responder.
E como parte deste tradicionalismo eu ainda uso um calendário daqueles de folhinhas, em que cada página arrancada traz no verso alguma informação relevante – ou nem tão relevante assim. È uma tradição passada de avô para neto ter em casa a “Folhinha do Sagrado Coração de Jesus” e faço questão de mantê-la, até porque sou péssimo para lembrar as datas e logo pela manhã começo o dia com alguma mensagem ou informação que pode ser interessante - e já existe a versão online, imaginem se não haveria...
No dia de 10 de Julho, Lua Crescente e 15º domingo do tempo comum - não sei o que isso significa, está na pequena página do calendário, também chamado como “pagela”- , foi o Dia Internacional da Pizza. Bem, era uma deliciosa sugestão para mais tarde, mas não era uma informação que chamaríamos de importante (sei das controvérsias que essa afirmação causará). Mas no verso da pagela havia essa informação baseada na ONU e publicada na Revista Veja em 2009:
2050: países mais populosos
A população total estimada para 2050 chegará a 91,5 bilhões de pessoas no mundo. Segundo previsão, os países que terão o maior crescimento populacional são:
1º Índia: 1,6 bilhão
2º China: 1,4 bilhão
3º EUA: 404 milhões
4º Paquistão: 335 milhões
5º Nigéria: 289 milhões
6º Indonésia: 288 milhões
7º Bangladesh: 222 milhões
8º Brasil: 219 milhões
9º Etiópia: 174 milhões
10º República Democrática do Congo: 148 milhões.
Com exceção dos Estados Unidos e talvez da China, o que os demais países têm em comum? Adivinhão: são pobres ou muito pobres. E destes países mais populosos, 3 ficam no continente africano, no caso a Nigéria, a Etiópia e a República Democrática do Congo.
Durante a semana, em meio a assuntos que dominaram o noticiário como o terrível massacre na Noruega, a (bilionária) ajuda financeira para a Grécia e a morte de Amy Winehouse, uma notícia passou despercebida para a maioria das pessoas: a ONU estima que 9 milhões de pessoas enfrentem escassez de alimentos na África Oriental, em países como Djibuti, Somália, Etiópia e Quênia. O site da Revista National Geographic traz um artigo informando que mais de 1 bilhão de pessoas vivem em países à beira do caos – e no ranking desses 10 países, 7 estão na África.
Não que o cenário seja dos melhores em países como Bangladesh e Paquistão, mas a situação da África é desesperadora, e não se trata de exagero. Mike Davis, autor de “Planeta Favela”, é quem traz um dado assustador: “Em
Apontar os motivos que expliquem a miséria deste continente é bem complexo. Essa bagunça toda também pode ser creditada aos processos de colonização por parte de grandes potências europeias entre os séculos XV e XVI e mais tarde com a demarcação de fronteiras que não respeitou as diversidades tribais e acirrou as disputas territoriais e conflitos étnicos. Sem falar, é claro, da espoliação de recursos naturais - como os diamantes do Congo -, o intenso tráfico negreiro nos tempos da escravidão, as guerras e a corrupção desenfreada em diversos sistemas de governo. E neste cenário surge um novo país e já considerado um dos mais pobres do mundo: o Sudão do Sul.
O que fazer com a África? Algumas iniciativas como a ajuda humanitária aos famintos, atuação de organizações como “Médicos sem fronteiras” e campanhas para arrecadação de alimentos costumam esbarrar em sistemas corruptos e guerras locais. Os países mais ricos do mundo não estão nem aí para o continente africano – a não ser que apareça uma ótima oportunidade de negócio - e o receituário de instituições como o FMI e Banco Mundial consegue piorar as coisas onde é aplicado.
Leio essas notícias, vejo as fotos e a pergunta não vai embora: “o que fazer com a África?”. Pego a folhinha e vejo os santos do dia: São Maurício e Santa Verônica Giuliani. Não creio que apenas rezar, neste caso, adiante muita coisa.
(Tem como ajudar através de algumas instituições em diversas frentes – educação, saúde, segurança alimentar, etc. Exemplos aqui e aqui. )

