Charge sobre o “aumento do piso salarial para o magistério”. Agora, professores do nível médio devem ganhar R$ 1.187,94. Mas quem acha que está bom atente para um detalhe: este valor é para a jornada de 40h. A jornada de 20h vale R$ 593,98 – e o salário mínimo é de R$ 545. Enquanto isso o MEC continua com propaganda bonitinha... Finalmente, é sexta-feira! Mais uma semana vencida e a perspectiva de dois dias de descanso – apesar de quererem nos convencer que trabalhar no fim de semana enobrece e desenvolve o país -, um fim de tarde com a turma do escritório na happy hour, uma aula mais descontraída na faculdade, enfim, a sexta-feira, na maioria das vezes, traz uma sensação bem positiva às pessoas.
Particularmente, adoro este dia e não apenas pelo fato de ser véspera de fim de semana. A sexta-feira remete a lembranças agradáveis da infância. Ao tocar o sinal da última aula, os meninos já tinham hora certa para transformar o terreno baldio lá da rua em um Maracanã onde desfilaríamos nosso repertório de jogadas geniais – isso se nossas mães não nos prendessem em casa para terminamos a lição. Também neste dia havia a feira no bairro e, em tempo de férias, o pastel e o caldo de cana eram obrigatórios – quem é de São Paulo sabe o que é degustar um pastel de feira. E os carretos que a molecada fazia adaptando os carrinhos de rolimã para carregarem frutas, verduras e legumes das donas de casa que não aguentavam levar tudo o que compravam em uma sacola apenas – era assim antes dos "hipermegaultrasupermercados" e das incontáveis sacolinhas plásticas.
Por que a sexta-feira costuma ser um dia com essa alta carga positiva? Os místicos diriam que se deve ao fato deste dia ser dedicado a Vênus, deusa do amor e da beleza; no entanto, além da óbvia véspera do final de semana explicar em parte essa positividade, acredito em um fator que muitas vezes acaba passando despercebido e pode infuenciar nas boas vibrações: o senso de dever cumprido, a superação de uma semana inteira de trabalho e os desafios que aparecem no dia a dia.
Mesmo que os problemas continuem ainda sem solução, a sexta-feira surge como um alívio, pois é o último dia de trabalho – para muita gente – e desta forma há uma pequena e oportuna pausa para algumas preocupações, sobretudo ligadas à esfera profissional. Planejar um final de semana, conferir a seção cultural dos jornais e os lançamentos do cinema – para quem gosta - ou simplesmente não precisar ajustar o alarme para acordar cedo no dia seguinte trazem um bom efeito nas mentes cansadas e que lidaram com altas cargas de estresse e ansiedade durante a semana.
A sexta-feira, a rigor, é apenas mais um dia na semana, evidente. E posso adaptar o que está escrito sobre a segunda-feira no maior clichê que eu já criei: a sexta pode ser o melhor dia da semana desde que você o torne melhor. No fundo, é a verdade: tanto faz se terça, quarta, sábado ou domingo, o dia torna-se bom de acordo com as nossas ações e como lidamos com os imprevistos, as responsabilidades e as exigências de uma sociedade cada vez mais insana. O ideal, pra valer, é que conseguíssemos fazer com que cada dia da semana fosse uma sexta-feira, com leveza de espírito e positividade.
Enquanto não alcanço esse estágio, continuo comemorando as chegadas da sexta-feira. Hoje, infelizmente, não tenho mais acesso ao pastel de feira e caldo de cana e tampouco feira - apesar da famosa feira de São Joaquim; mas lá não tem pastel igual ao dos japas, tem acarajé – mas conservo uma lembrança desta vez dos tempos da adolescência: sexta-feira tem uma trilha sonora e este é dia de ouvir “Rock n´Roll All Night... and party everyday”, do Kiss.
Afinal, não é isso o que queremos? Rock n´Roll a noite toda e festejar todos os dias, até, quem dera, na segunda? Mas fiquemos aqui, na sexta com sua trilha sonora preferida. O que importa é o espírito do dia dedicado a Vênus, deusa do amor e da beleza! E invoquemos Baco, o deus do vinho e das festas, para uma celebração do balaco-baco!





