terça-feira, fevereiro 15, 2011

Ronaldo e a hora do adeus


02 de Outubro de 1974. Na Vila Belmiro, no jogo entre Santos x Ponte Preta, Pelé recebe a bola no meio de campo, se ajoelha e abre os braços. A torcida aplaude, os jogadores cumprimentam o Rei do Futebol, os jornalistas invadem o gramado. Era a despedida de Pelé do Santos e, até aquele momento, do futebol – visto que ele retornaria para o “soccer” nos EUA por um breve período. Antes disso, em 1971, em um Maracanã lotado, o Rei do futebol se despedia da seleção brasileira diante de um coro com mais de 100 mil vozes gritando “Fica, fica”.

14 de Fevereiro de 2011. Ronaldo Fenômeno anuncia sua aposentadoria dos gramados. Tudo aconteceu em uma entrevista coletiva e assim o jogador despede-se dos gramados, de forma melancólica, bem acima do peso e abalado com as recentes ofensas de parte da torcida corintiana, inconformada com a eliminação do time da pré-Libertadores da América pelo fraco Tolima da Colômbia. Mesmo assim o jogador agradeceu à torcida e, em meio às lágrimas, pediu desculpas pelo fracasso na competição Sul-Americana. E ainda revelou que os problemas com a manutenção de peso devem-se ao hipotireoidismo.

Despedidas de dois grandes craques brasileiros em contextos diferentes. Pelé soube como e quando parar, mesmo que depois tenha retornado nos EUA em uma espécie de “projeto piloto” para popularizar o futebol naquele país; Ronaldo, pelo contrário, não soube como e quando parar. Mesmo com inúmeros problemas insistiu em continuar jogando futebol profissional, embora ciente de estar longe, muito longe da forma física ideal para um esporte de alta competitividade – e tão competitivo é hoje o “futebol moderno” que o condicionamento físico e os esquemas táticos mirabolantes na maioria das vezes acabam prevalecendo sobre a técnica e improviso do jogador brasileiro, salvo quando surge um ou outro gênio como Neymar.

Ronaldo não é nenhum Einstein, mas também não é bobo. Sabia que não estava nas condições físicas ideais para competições mais intensas. Mesmo assim ele insistiu. O interessante nessa história toda é o fato dos jogadores contarem com um verdadeiro staff fora de campo para gerenciar suas carreiras. Qualquer moleque promissor (ou perna de pau) tem empresário, procurador, advogado, assessor de imprensa, enfim, um batalhão de gente para lidar com contratos, imprensa, propaganda, processos de paternidade, o que aparecer. Ronaldo tem nome de peso (sem trocadilho) e uma equipe muito competente assessorando o jogador em termos contratuais. Assim o contrato de Ronaldo com o Corinthians não era nada modesto no aspecto financeiro. Daí, talvez, a insistência por parte do “Fenômeno”. Digo "talvez" porque em alguns casos anda há o gosto pela profissão. E não é fácil a hora de dizer "chega".

No entanto, será que valeu a pena para ele, Ronaldo, todo esse desgaste, a despedida melancólica, os xingamentos, os bate-bocas “virtuais” via twitter com comentaristas e jornalistas questionando sua forma, as inúmeras piadas e as chacotas relacionadas ao seu peso? Alguém pode dizer que sim, afinal ele, “Ronaldo marketing”, rendeu muito dinheiro para o clube, para a TV, para empresários e para seu próprio bolso, evidente. Mas será que um jogador na dimensão do Ronaldo (sem trocadilhos again!) , apelidado de “Fenômeno” por suas jogadas e gols, eleito melhor jogador do mundo por três vezes não deveria pensar como e quando parar?

Como diz John Lennon, 'you may say I´m a dreamer" but eu ainda estou pensando no que se pode chamar de gratidão ou até mesmo dignidade. Claro que estes últimos anos do Ronaldo gordo e do escândalo com travestis - e o que tem de marmanjo casado que dá uma escapulida com as bonecas... - podem contradizer essa ideia, porém não apagarão o brilho de uma carreira repleta de glórias e superações – apesar das lamentáveis propagandas de cerveja –, mas penso que o Fenômeno ( e tantos outros ex-jogadores) deveria ter planejado, talvez com seu staff, o momento certo de parar.

Como Pelé.

6 comentários:

  1. Jaime,

    os empresários só pensam em explorar as pessoas, os jogadores, os artistas; veja que escravizaram Michael Jackson até a morte, o cara era famoso e rico, mas escravo; isso não pode, é imoral; mas, hoje em dia, é feio falar de moral, querem matar a moral.

    jogadores de futebol são hoje o que, na Roma antiga, foram os gladiadores. inclusive seus espetáculos são em lugares que voltaram a serem chamados de "arena" como na Antigüidade.

    ;***
    Satoru

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  2. Pois é... Também acho que ele já devia ter parado. Ficaria mais bonito ser lembrado pelos grandes feitos do passado. Digam o que quiser, mas Ronaldo foi sem dúvida um grande(sem trocadilhos)jogador de futebol. E dinheiro ele tem! Não tinha necessidade de travar essa batalha contra o próprio corpo, contra torcida enfurecida e jornalistas mal educados.

    Eu não sei, se fosse eu, Fabiana, daria a volta por cima, mandava todo mundo tomar no cu e fazia uma temporada espetacular! E com a cabeça erguida me despediria do futebol... Mas ele é o Ronaldo, não sei o que faltou ou se sobrou, mas poderia ter terminado melhor...

    Espero que ele agora saiba investir o dinheiro que tem e pare de fazer filhos, enfim...

    Jaime, beijinhos!

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  3. Uma coisa eu acredito cara, o jogador Ronaldo saiu de cena, mas a marca Ronaldo ainda continuará por algum tempo... afinal, ele é tb, ao meu ver, um fenômeno de marketing.

    Abçs!!!

    http://blogpontotres.blogspot.com/

    Post: Compre! Pague!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Acho que ele deveria ter parado antes de ele estar nas manchetes dos jornais mais pelo peso do que pela habilidade em campo. Mas sabe-se lá o que se passa pela cabeça dele e tudo mais, e provavelmente os patrocinadores não iriam querer que ele se aposentasse tão cedo.

    Pelé era rei, soube a hora de parar, mas convenhamos que a impresa naquele tempo não era tão avacalhada como é hoje. Mesmo que ele tenha vários filhos por aí, acho que a imprensa soube pegar leve com ele. Imagina se começar a aparecer um monte de filhos perdidos do Ronaldo por aí?

    Mesmo assim, apesar dessa despedida melancólica e eu diria que de forma revoltada por causa dos protestos dos corinthianos, nada apaga a carreira brilhante que ele teve e o exemplo de superação após as graves contusões e a vitória da Copa de 2002.

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  6. Oeee sumido do Twitter!!!

    Eu penso que para cada um de nós tem o seu momento, tanto para começar algo, quanto para finalizar, eu não sou entendedora de futebol, mas talvez ele analisou e com isso viu a necessidade de parar, de que o seu momento deveria terminar ali.

    Bjus e Faça-me uma visita!!!

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