sábado, fevereiro 12, 2011

A renúncia de Hosni Mubarak no Egito


Em algum lugar secreto nos Alpes Suíços uma reunião secreta acontece. Os donos do mundo, assumindo suas identidades secretas, marcaram este encontro para discutir a renúncia do ditador Hosni Mubarak, no Egito. Os nomes destes líderes são tão secretos que resolvi batizá-los sob a alcunha ( palavra secreta, procure no dicionário) de “Coiso”, em homenagem ao grande escritor e jornalista Fausto Wolff ( escreveu livros que permanecem secretos do grande público, apanhem suas lupas, Sherlocks!). Graças a uma câmera escondida, consegui gravar os principais trechos da conversa outrora secreta.

COISO 1: Senhores, lamento por chamá-los à pressas e sei que abandonaram seus afazeres, mas esta reunião foi convocada em caráter de emergência tendo em vista os graves acontecimentos no Egito.

COISO 2: Sim, e que hora mais imprópria, a festa do Berlusconi estava ótima! Digam o que quiserem dele, mas aquele italiano sabe como dar uma festa daquelas! Mas, de fato, estamos todos preocupados com o que aconteceu pelos lados do Egito. Não podemos deixar que uma revolução popular se torne um modelo para outros países.

COISO 3: Claro, temos que avaliar onde erramos, se é que erramos...

COISO 4: Isso não vai dar certo...

COISO 1: Bem, vamos lá, vamos primeiro averiguar os pontos positivos: enganamos todo o mundo direitinho por 30 anos, hein? Todos falando de Cuba, Coréia do Norte, aquele maluco da Venezuela e nisso tudo o nosso homem tranquilo lá no Egito, sem ninguém sequer mencioná-lo.

COISO2: Ele foi perfeito, deveríamos prestar-lhe uma homenagem, um prêmio, algo assim.

COISO 3: Não acho que mereça, afinal ele apenas executou nossas ordens e o nosso plano, que funcionou muito bem, aliás. Além disso, ele juntou um dinheirinho também. E, colegas, temos que admitir que fomos brilhantes: demos todo o suporte a uma ditadura sem que o mundo percebesse que aquilo era realmente uma ditadura. Falem a verdade, isso foi brilhante!

COISO 1: E nosso homem na Casa Branca também mostrou que sabe seguir nossas ordens: ele ficou caladinho esse tempo todo e reparem que ele só foi falar em “ditadura” quando não dava para segurar mais o Ramsés no poder.

COISO 4: Ramsés?

COISO 2: O código secreto de nosso homem no Egito... mas, sim, colegas, tivemos muitas vantagens, 30 anos de bons negócios na região apesar de um ou outro probleminha, mas voltemos à realidade...e vamos resolver isso rápido que ainda dá tempo de pegar a saideira lá do italiano!

COISO 1: Sim, temos sérios problemas a resolver. O principal: e agora? Como vai ficar a região? Temos que agir imediatamente para sufocar novos levantes populares entre os árabes contra nossos parceiros.

COISO 3: Eu tenho uma sugestão: que tal controlar o uso da internet? Digo, restringir mesmo.

COISO 4: Isso não vai dar certo...

COISO 2: Que nada, deixa a internet aí, é um brinquedo bacana para a galera se distrair. Pega um desses meninos gênios que tem por aí em qualquer país periférico, cria outra rede social e deixa lá pro pessoal postar fotos, vídeos e um monte de bobagem...

COISO 3: Bobagem? Graças ao twitter e ao Facebook o Egito derrubou nosso homem!

COISO 2: Hahaha! Até você acredita nisso, Coiso3? Sinal que nosso plano está indo muito bem, obrigado. Imagine se a internet vai derrubar um governo...

COISO 3: Mas ajuda, pô! Esse tipo de mídia de massa causa uma aceleração nos fatos, mais gente fica sabendo, se mobiliza, a informação tem poder. Eu acho que a internet é um problemão!

COISO 1: O que derruba governos e ditaduras é povo na rua e mobilizado. Bom, dizem que os egipcios passam fome, seja lá o que isso for, e isso contribuiu para a queda de nosso homem. Enfim, essas redes tiveram lá sua serventia para difundir a informação, mas quanto a isso podemos ficar tranquilos. Informação é poder, mas o que adianta se pouca gente sabe lidar com esse monte de informações que inunda a rede e os meios?

COISO 3: Vocês estão subestimando a internet e as redes sociais...

COISO 2: Quer um exemplo para entender? Olha o Brasil. O povo lá é viciado em rede social e o acesso à informação é crescente. E tá cheio de políticos corruptos. Tentaram tirar um velho amigo nosso do senado de lá dia desses e foi uma baita mobilização pelo twitter, milhares de pessoas on line apoiando o “movimento” e o que deu?

COISO 1: No Egito, o povo foi às ruas; no Brasil, aqueles que tem acesso à rede preferiram ficar no twitter digitando #forasarney. E proibir é até perigoso, pode ser um tiro no pé. Mas voltemos ao que interessa: impedir que isso que aconteceu no Egito espalhe pelos demais países, sobretudo por aqueles lados. Alguma sugestão?

COISO 3: Eu já dei minha ideia, controlar a internet...

COISO 2: Não devemos mudar nossa linha de ação. Vamos continuar apoiando esses governos e dando todo o apoio para o exército da região. Se precisar financiamos um grupo terrorista e eles tomam o poder e seguem nossas diretrizes. Isso funcionou muito bem antes, apesar de pequenos efeitos colaterais no Iraque e Afeganistão. E, claro, continuar com os nossos planos de ajustes econômicos nestes países todos, que são ótimos e mantemos tudo sob controle! Inclusive, nem precisamos controlar a internet, porque graças aos nossos planos de ajuste a educação serve apenas para o mínimo necessário com vistas a formar mão de obra barata e que saiba ler para operar máquinas. E aí damos ao país a falsa sensação de liberdade e autonomia, como sempre fizemos.

COISO 1: É, eu acho que devemos fazer assim mesmo. O que você acha, colega Coiso4?

COISO 4: Isso não vai dar certo...

8 comentários:

  1. Na política nossa campanha pelo fora Sarney precisava ganhar um significado mais abrangente. Não é só o fato de ele ficar no poder até ser mumificado. É também o tanto que os congressitas não estão nem aí como legislativo, uma vez que o sufragaram sabendo de todo o seu passado inglório. E no esporte também uma campanha para desfaraorizar a CBF, com um fora Ricardo Teixeira. Não somos feudos e nem Egito. Só que , como você disse, temos que ir além de ficar digitando Fora Sarney nas redes sociais.
    E, detalhe: antes que os Coisos resolvam agir por nós. rsrs.
    Abração, Jaime! Paz e bem.

    ResponderExcluir
  2. Cacá, nosso caso do Sarney é bem mais simples do que a história do Mubarak Obama: bastaria não votar no Zé. Simples assim.

    Mas ainda nos falta certa maturidade política e noção do que seja cidadania, de fato. Enquanto isso, o "Coiso" continua por aí, babando e movendo seus tentáculos...adoro teorias conspiratórias, mas a "mão invisível do mercado" é rápida no gatilho! =D

    Abs!

    ResponderExcluir
  3. É Jaime, de fato há muitas ferramentas para a luta, mas pouca mão de obra qualificada... rs No nosso país apesar do crescimento do acesso à informação já não sabemos reinvidicar direitos ou vigiar a política pública. Aliás, a palavra política ainda é palavra abominada e evitada em discussões entre os grupos. Mobilização chega a ser apenas palavra de ordem dos bichos-grilo universitários em busca do não aumento da tarifa de ônibus ou uma velha recordação já não vista. Os políticos já utilizam das redes sociais para o contato com eleitores - manifestantes virtuais.

    - - A rica leitura desse blog é uma rara exceção de instrumento de conscientização política hein? ;)

    ResponderExcluir
  4. Olá, professor.

    Pois é, eu me perguntei justamente isso: mas esse cara estava no poder por 30 anos, nesse tempo todo as pessoas criticando outros ditadores e a ignorante aqui nem sabia que o Egito (a chamada jóia da coroa africana) vivia sob uma ditadura? Me senti a mais alienada das criaturas. Talvez seja.
    Mas quando eu vi toda a mobilização, a primeira coisa que me veio à cabeça foi o impeachment do Collor, os caras pintadas e... a globo exibindo Anos Rebeldes pra motivar a galere, claro. Pensei: será que por lá tbm não tem uma globo da vida influenciando as pessoas? Não sei, talvez sejamos mesmo macaquitos como dizem nossos "hermanos".


    bjohnny!

    ResponderExcluir
  5. obrigadampelo comentário lá no Inglês para crianças! Seu blog é muito interessante: Crítica construtiva!

    ResponderExcluir
  6. Jaime, muito bom o post! É uma reflexão e tanta... Gostei da parte que destaca o Brasil, em que ficamos digitando o dia inteiro, no comodismo... O pessoal vota com assiduidade no BBB, mas não tem a coragem de se manifestar...
    Hai ai... queria tanto que as boas coisas, NÃO OS COISOS, funcionassem aqui no Brasil...

    Abraço

    ResponderExcluir
  7. Eu acho o brasileiro um povo muito "cordeirinho"...

    ResponderExcluir
  8. Excelente abordagem, Jaime!
    Como a colega acima Silvana Persan, me peguei na ignorância de não saber que o ‘cara” estava no poder a TRINTA ANOS. Assim me pergunto se a imprensa de um modo geral (não todos, lógico!) só divulga o que é necessário a se fazer o sensacionalismo para controle da opinião pública e o “emburrecimento da massa”.

    Não desmereço totalmente as redes sociais, mas, realmente a maioria das pessoas não sabe usá-las para fins realmente interessantes ao coletivo, isso é uma verdade!
    Vemos muitas coisas inúteis, mas sempre tem alguém interessado em divulgar a realidade (como você, por exemplo) nisso eu vejo vantagem, nas postagens em blogs de opiniões livres sobre algo que pode ir abrindo a mente e crescendo à medida que vai se passando de pessoa para pessoa.

    Lógico, não se derruba uma ditadura somente em redes sociais, nisso concordo plenamente! Mas o brasileiro, em se tratando de política, é preguiçoso! Eu não sei o porquê, já que viemos de uma história de luta contra uma monarquia, uma ditadura, impeachment e agora plena liberdade de se votar em quem quiser. Estamos nos tornando um povo apolítico. O assunto política vem sendo totalmente negligenciado e a “tal liberdade” que achamos ter, passa a ser manipulada pela elite capitalista, política do Brasil.

    No fim de tudo, somos apenas números e estatística...

    Beijinhos e continue “abrindo” mentes! ;o)

    ResponderExcluir

Agradeço sua visita e o seu comentário! É sempre bom receber o retorno dos leitores.

Todas as opiniões são livres, porém não serão aceitos comentários anônimos e tampouco comentários ofensivos, discriminatórios e que não prezam pelos princípios da boa convivência - o autor do blog reserva a si o direito de excluir comentários com tais temas.

Volte sempre! =)

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails