domingo, outubro 24, 2010

Entrevista com o terrorista da bolinha de papel

O dossiê acima mostra que o grupo terrorista das bolinhas de papel é muito bem organizado. Clique na imagem e VEJA como a democracia e a liberdade podem estar em perigo em nosso país.

Diante de tanta polêmica envolvendo o caso da bolinha de papel acertando o cocoruto do Zé Vampir Serra e o papelão do Jornal Nacional (leia-se Ali Kamel, diretor de jornalismo da Grobo) ao chamar um criminalista decadente para provar sabe-se lá o que, resolvi praticar o que anda em falta nas redações jornalísticas atualmente: jornalismo investigativo!

E foi graças aos gramp...digo, fontes, eu encontrei o terrível terrorista codinome “Juquinha”, de 9 anos de idade, especialista em armas mortíferas como bolinhas e aviõezinhos de papel. Aproveitando um breve intervalo no videogame, fiz uma entrevista com este ignóbil terrorista.

Foi você quem arremessou a bolinha de papel atingindo o candidato à presidência José Serra?
Claro que não, tio! Eu não faria uma coisa tão amadora, sou profissional.

Explique melhor, o que é ser um profissional em bolinha de papel?
É assim: o arremesso até que foi bem maneiro e atingiu o alvo. Mas a trajetória percorrida pela bolinha ficou mal feita, o cara que atirou não calculou corretamente a parábola e por isso acertou na lateral do cabeção do Serra, não no centro. O mané deveria ter calculado f(x) = ax2 + bx + c e considerar que g=10 m/s2 para um arremesso perfeito!

Puxa, mas precisa de tudo isso?
Claro, né, tio? Se quer fazer uma coisa, então tem que fazer bem feita! Aquele arremesso fez só uma coceirinha na careca do coroa!

Você é conhecido por seu talento em produzir bolinhas e aviõezinhos de papel para que sejam utilizados como armas. Quando começou?
Começou na segunda série, com uma professora chata que eu tinha. Percebi que fazer uma bolinha de qualquer jeito não adiantava, então resolvi desenvolver técnicas mais legais.

O que é preciso para uma bolinha de papel ser eficiente como arma?
Primeiro não é com qualquer papel. Esses papel (sic) de folheto que dão nas ruas não presta. Papel higiênico só serve se for molhado. O melhor papel ainda é o de caderno, mas se for de livro didático de São Paulo é muito melhor, é perfeito!

Por que o papel dos livros didáticos de São Paulo é o melhor para bolinhas de papel?
Pesam mais porque são livros que trazem palavrões, tem linguagem pesada.

Existe algum alvo que você atingiu e não foi bem sucedido, ou seja, a vítima não saiu terrivelmente ferida como o candidato José Serra?
Sim: professores. Eles aguentam tudo, é impressionante. As bolinhas de papel e aviõezinhos nem fazem mais efeito neles. Um grupo rival ao nosso passou a tacar(sic) cadeiras e carteiras nos professor(sic), mas teve outro grupo que foi mais feliz: mandou a polícia pra cima dos professor! Fiquei com inveja! Ô, tio, agora chega, quero jogar o New Super Mario, falô?

Saí daquele apartamento de classe média cheio de dúvidas existenciais: estaríamos criando um monstro? Até que ponto aceitaremos tais agressões que colocam em risco nossa democracia? Um pequeno monstro como o Juquinha pode se transformar em um flagelo da humanidade, já pensou se Bin Laden o recrutasse para a Al Qaeda? E se hytyghbyubjh

Nota do editor do Grooeland: nosso repórter digitava essa matéria em um notebook durante o intervalo em uma escola quando foi atingido na cabeça por um apontador vazio e perdeu os sentidos. Levado para a emergência mais próxima do bairro periférico onde estava, conseguiu marcar uma tomografia para Maio de 2011. Esperamos que sobreviva até lá e continue prestando bons serviços para o blog e o jornalismo.

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segunda-feira, outubro 18, 2010

A baixaria do segundo turno das eleições no Brasil

(charge feita às pressas: não me excomunguem ou digam que estou "possuído")

Houve um tempo que minha caixa de entrada do e-mail era inundada por slides de power point com lindas mensagens otimistas com um fundo musical do Kenny G, fotos de mulé pelada fazendo coisas que nem vendo se acredita e diversas piadas politicamente incorretas. Hoje, no entanto, tenho até medo de acessar o e-mail e deparar com a baixaria do segundo turno das eleições em nosso Brasil de amor eterno e paz no futuro.

Faço até um apelo aos meus amigos e spammers que voltem a enviar piadas, mulheres nuas em poses ginecológicas, mensagens de Chico Xavier, o que for, mas chega desses e-mails com “Dilma satanista”, “Mônica Serra fez aborto”, “Dilma assassina”, “Serra Nazista” e outros tantos com o mesmo teor. Esse tipo de “verdade” não vai determinar meu voto em A, B ou N de “nulo”. O que iria determinar a minha escolha, isso sim, seriam as propostas sérias e plenamente realizáveis para o país. E são estas que fazem falta neste pleito eleitoral.

Em um de seus raros momentos felizes, a colunista Eliane Cantânhede, da Folha de S.Paulo, referiu-se a estas eleições como uma espécie de Fla x Flu. E olha que isso foi escrito ainda no primeiro turno, porque agora, no segundo turno, a coisa toda chegou aos altares, aos templos, aos padres e pastores que pelo visto tem saudades da idade média. Sim, a eleição para presidente do Brasil pode ser decidida graças à religião. E você aí achando que só o Irã e aqueles países do Oriente Médio são intolerantes e fanáticos que pautam suas ações em um livro sagrado.

Já havia um direcionamento. Na propaganda política era muito comum ouvir candidatos a deputado estadual e federal utilizarem o “eu sou cristão” para angariar votos. O segundo turno começou com a questão do aborto sob o viés religioso e a partir daí entraram na parada padres, pastores e fiéis de várias denominações com panfletagem, espaço na TV, missas, cultos e etc. Até mesmo setores da direita radical e ligados à religião (mais propriamente à Igreja Católica) reapareceram de forma até surpreendente para quem prefere ficar nos "bastidores".

Muitos padres deveriam se preocupar mais com o que acontece nas sacristias, nos seminários e conventos católicos, enquanto vários pastores deveriam explicar melhor de que forma conseguem juntar tantos tesouros na terra. Dois assuntos bons para discutirem: fim do celibato e fim da imunidade de qualquer imposto sobre a renda e patrimônio das igrejas – o que inclui aí os dízimos e ofertas.

A história está aí para mostrar: igreja se metendo em negócios do Estado nunca deu muito certo. Dizem até que o Estado é laico, mas peguei uma nota de dé real ( a que restou para passar o mês) e lá pode-se ler "Deus seja louvado". Eu trocaria para "Que Deus nos ajude".

O PAPEL DA IMPRENSA

Dia desses o (considerado) novo guru, filósofo e analista político da internet, Marcelo Tas, publicou em seu twitter: “candidato a presidente que reclama da mídia é como jogador da seleção que reclama da bola, né não?”

Considero Marcelo Tas um excelente comunicador, muito inteligente e criativo, mas foi bastante infeliz nesta afirmação – e vejam que se trata de uma pessoa que vira e mexe está em alguma palestra falando do papel das novas tecnologias da informação e comunicação também no jornalismo.

Só mesmo muito ingênuo (ou achar que os outros são ingênuos) para não acreditar que a imprensa – e mídia neste novo cenário tecnológico – não influencia de alguma forma os resultados de uma eleição. A própria veiculação das famosas “pesquisas eleitorais” nas TV, jornais e revistas é um bom exemplo: como o brasileiro, em boa parte, vale-se muito pela emoção em tudo o que faz, o pleito eleitoral é tratado como uma partida de futebol. “Não voto no candidato X porque ele vai perder, tá mal nas pesquisas. Vou perder meu voto”. Certamente você já ouviu algo parecido.

Poderia citar aqui tantos outros exemplos de como a imprensa e esta nova mídia interferiram no resultado de uma eleição e nos rumos políticos do Brasil, mas não vem ao caso neste momento. A questão que fica é a seguinte: imprensa e jornalistas podem tomar partido e usar seus poderosos veículos de difusão da informação em prol de um grupo político ou candidato(a)?

Neste caso me lembro das conversas que tive com o amigo e jornalista Renan Barreto. Essas publicações e canais que fazem parte da “grande imprensa” são empresas também. E como toda empresa, tem seus interesses. Uma editora que publica revista semana também fornece livros paradidáticos para escolas públicas, apenas para exemplificar. Logo, estes jornalistas e colunistas são empregados da empresa, que traça uma linha de conduta e deve ser seguida. É falta de ética e vai contra os princípios de suposta imparcialidade que deveria existir na imprensa? Tudo isso e muito mais, só que é como a molecada diz: “o sistema é bruto e injusto, mano”.

E quem deveria resgatar e questionar todo esse sistema? Eu, você, todos os usuários da internet, que rompeu com velhos modelos, padrões e paradigmas de informação. Quem esperava que o twitter, apenas para citar esta ferramenta, desempenhasse o mesmo papel visto nas eleições dos EUA pode ter caído do cavalo, ou da baleia. Sim, aqui no Brasil o uso é bem maior - o brasileiro é fanático por redes sociais - mas para qual finalidade? Pelo o que se vê, quem acessa o microblog já tem suas posições políticas bem definidas. Sim, houve a “Onda Verde”, mas não conseguiu levar sua candidata ao segundo turno e nem superar o impressionante número de abstenções (mais de 24 milhões de eleitores) no primeiro turno. Lá, nos EUA, é bom lembrar, o voto não é obrigatório e o papel decisivo do twitter foi justamente mobilizar sobretudo jovens ao comparecimento às urnas. Deu certo. E aqui, no feriadão que cai justamente no dia da eleição, dará certo? Qual o papel do twitter e da internet nestas eleições brasileiras? Lembrando que a internet é a ferramenta, quem a utiliza é um ser humano. A não ser que o seu papagaio...

Continuamos como Star Wars: RT em quem é “do bem”, unfollow em quem é “do mal”. Confesso que não é fácil, diante do turbilhão de informações, não se deixar levar por momentos de empolgação no twitter quanto às preferências por candidato A ou B – e eu mesmo me deixei levar por alguns destes momentos, faço aqui o mea culpa.

O fato positivo, se é que podemos chamá-lo assim, é que finalmente muitos colunistas e jornalistas “mostraram a cara” para valer. Esses não enganam mais, independente de seguirem a "ordens da empresa" ou não - mas a julgar o empenho em defender A ou B, nem precisavam da ordem.

MEU POSICIONAMENTO E UM OU DOIS PITACOS

Há dois anos escrevi isso sobre José Serra: “Serra pode ser uma liderança regional mas falta muito para se tornar relevante a nível nacional”. E continuo achando a mesma coisa, apesar do segundo turno. Não gosto do modo que ele governa (vide SP) e tampouco das ideias que defende e do modelo de governo que ele propõe (vide PSDB/DEM).

Também tenho sérias, seriíssimas restrições ao PT. E isso piorou ao sentir na pele o péssimo desempenho do governador Jacques Wagner aqui na Bahia em relação à área da educação. E Dilma Rousseff está muito, muito distante de ser a candidata dos meus sonhos.

Mas Serra, definitivamente, não tem meu voto. Além de suas propostas que eu julgo demagógicas ( 400 km de metrô por todo o Brasil e dois professores em sala de aula, dentre outras), duas afirmações do candidato me chamaram a atenção: 1) quer construir um governo acima dos partidos – e Aécio Neves teve que “apagar o foco de incêndio” e 2) paz no campo sem o MST.

Se estamos em um país - ao menos no papel - democrático e que elege seus representantes através do voto direto, um presidente deve respeitar isso, como deve respeitar também a existência do MST. Que tenhamos nossas divergências com os métodos utilizados pelo movimento dos sem-terra, mas deixar nas entrelinhas que basta exterminar o MST para se chegar à paz no campo é tão ingênuo quanto mentiroso. Ou será que o candidato esqueceu dos inúmeros casos de conflitos envolvendo grilagem de terra, pistolagem, trabalho escravo, extermínio de índios e reservas ambientais pelos campos do Brasil e do papel da bancada ruralista ao defender certos interesses que vão contra a reforma agrária?

Isso não significa, entretanto, que meu voto já é da candidata Dilma. Ainda tenho a opção – legítima – do nulo/branco. Ainda estou decidindo e não gostaria que meu voto fosse algo do tipo “de todos os males, o menor”.

A verdade é que, parafraseando o presidente Lula ( nele eu votaria, por mais contraditório e estranho que possa parecer, mas é assunto para outra ocasião), “nunca na história deste país” tivemos uma eleição presidencial com candidatos tão inexpressivos e com tanta sujeira e baixo nível como esta.

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quarta-feira, outubro 13, 2010

Mineiros Chilenos e o resgate: uma breve e tola reflexão

E depois, o que farão com a mina San José, no Chile?
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A menos que você também estivesse debaixo da terra em um deserto não saberia do já famoso resgate de 33 homens soterrados em uma mina que desabou no Chile. Foram 69 dias de angústia, medo e sem mulher, cerveja e futebol ( como eles conseguiram?) até que uma cápsula percorresse um túnel cavado até alcançar os mineiros, em uma profundidade de 700 metros.

E teve de tudo no resgate, até mesmo políticos louquinhos por uns holofotes – e que tal o sorriso colgate do presidente do Chile, Sebástian Piñera, ao anunciar que cumpriu a promessa de trazer os mineiros à superfície “sãos e salvos”? Ainda bem que no Chile não tem IBOPE e DATAFOLHA: “ As chances dos mineiros saírem vivos é de 50%, com margem de erro de 5% pra mais ou pra menos”. Dizem por aí que os presidentes do Atlético-MG, Goiás e Atlético Goianiense já entraram em contato com o colega chileno. O Flamengo saiu na frente e quer contratar...a cápsula!

A imprensa esteve cobrindo tudo, absolutamente tudo o que acontecia em Copiapó. Só faltou mesmo aparecer por lá a Dilma e o Serra. Mas em seu ágil trabalho de coleta de informações, os jornalistas conseguiram histórias curiosas. Alguns mineiros ouviam Elvis Presley e Bob Marley para aliviar a tensão. Ao menos não escolheram Rolling Stones, não podiam correr o risco de ouvir “Under my Tumb”.

E que tal a esposa que descobriu que o marido mineiro tem uma amante? E descobriu lá mesmo, em Copiapó, durante o resgate. A esposa “oficial” já afirmou: ou ela, ou eu. Não se surpreendam se daqui a alguns dias esse mineiro voltar pro buraco e não querer sair mais de lá.

Falando sério agora, realmente foi de impressionar a capacidade de adaptação e sobrevivência destes homens em um ambiente tão inóspito por mais de 2 meses. Mesmo com o fato de serem pessoas já acostumadas a trabalhar neste ramo perigoso que é a mineração a grandes profundidades, isso demonstra o quanto o corpo humano ainda é capaz de surpreender.

O que me deixou impressionado também, afora a complexa operação de resgate e a resistência destes homens, foi algo banal: a necessidade dos mineiros usarem óculos escuros quando apontassem na superfície. Nada mais óbvio, afinal depois de 69 dias com luz artificial e fraca, as pupilas estavam muito dilatadas e sem proteção poderiam sofrer danos terríveis às retinas.

Ao tomar conhecimento deste dado, filósofo de meia-tigela que sou, lembrei-me do mito da caverna de Platão. Homens que não saíam da caverna e só enxergavam as sombras, as imagens projetadas na parede: quando um destes homens saiu e descobriu que havia mais no mundo e na vida do que sombras, foi ignorado e acabou sendo morto pelos demais ocupantes na caverna, que preferiram ficar nas sombras.

Interessante que a luz cega, por alguns momentos. Sair das trevas depois de tanto tempo e encontrar a luz causa um impacto, seja ele físico ou psicológico. E por conta deste impacto, uma mudança na concepção de como enxergamos ( sim, um trocadilho) a vida, muitas pessoas preferem permanecer na caverna. Ou no fundo de uma mina. Alguns querem ser resgatados para ver a luz do sol; outros tantos se acomodam com uma situação nas profundezas e não querem saber de resgate, luzes, impactos ou mudanças. Adaptar-se à luz e tudo aquilo que ela pode oferecer em contraposição a sua ausência parece uma escolha simples, mas tente relacionar esta “luz” com o cotidiano e verá muitos que a desejam, mas a maioria prefere continuar verdadeiramente como está: soterrada, apesar de certo padrão de discurso em tom "otimista" - convidados a embarcarem na cápsula, recuam.

Não foi uma grande filosofia, na verdade essa pataquada toda nem pode ser chamada como tal. Peço desculpas aos verdadeiros pais da matéria, mas se até apresentador de Big Brother já foi chamado de “filósofo”, eu posso arriscar umas bobagens de vez em quando. Não precisam me atirar na mina San José por causa disso, não represento nenhum risco!

Ae, mina, me segue ae, num é fundo do poço naum: www.twitter.com/jaimeguimaraess

segunda-feira, outubro 04, 2010

Pior do que tá, fica. E não me surpreende.

(charge de minha autoria, pra variar. Pior do que tá, ela não fica, clique para visualizá-la melhor)

Não me surpreende a eleição de Tiririca com mais de 1 milhão de votos para Deputado Federal. O palhaço está ligado ao entretenimento e é justamente isso o que boa parte de nossa sociedade deseja. Por isso costumo dizer que vivemos na chamada “Sociedade do Entretenimento”.

Sociólogos, cientistas sociais e acadêmicos que aqui pousarem certamente não concordam com tal premissa. Preferem o termo “Sociedade da Informação”, o que não é equivocado visto a facilidade e quantidade de informações que circula por aí. Mas a questão é o que fazer com tudo isso. Além do mais, o povo não consegue lidar com esse bombardeio de dados, jingles, pesquisas, rostos sorridentes, santinhos, propaganda incessante e no meio disso tudo distinguir o que é jornalismo sério e material de campanha.

Isso explica em parte certas bizarrices como Weslian Roriz indo para o segundo turno no DF. Ou um Maluf obtendo quase meio milhão de votos em SP e apenas aguardando recurso da justiça para assumir seu cargo. “Ficha Limpa” para que? É verdade que não seria necessário haver uma lei neste molde se acaso boa parte dos eleitores soubesse o que é cidadania – e enquanto isso não acontece, a lei é interessante para o processo de amadurecimento político do brasileiro. Mas pelo o que se viu nestas eleições tanto o entendimento do que seja cidadania quanto o amadurecimento político ainda estão bem distantes - apesar de alguns políticos da velha guarda não conquistarem êxito nas urnas, como Marco Maciel, Jarbas Vasconcelos e Tasso Jereissati.

Tiririca é entretenimento, da mesma forma que Romário e Bebeto, eleitos no Rio de Janeiro e Netinho de Paula, que por muito pouco não foi eleito senador em São Paulo. Outras figuras ligadas à TV, como o apresentador Wagner Montes, o ex-BBB Jean Wyllis e o filho do apresentador Ratinho também foram eleitos. Na Bahia, mesmo sem ser eleito, o ex-boxeador Popó obteve mais de 50 mil votos para o cargo de deputado federal. Isso sem falar de candidatos ligados à alguma corrente religiosa e que possuem intimidade com a TV, como Garotinho, no RJ, e a farsa demagógica ( e nada pedagógica) de Gabriel Chalita, ambos muito bem votados e eleitos.

A televisão no Brasil tem um poder tão grande de penetração nos lares que acaba adquirindo um status inigualável: um fato só adquire importância se o mesmo é exibido pela TV. A mesma coisa acontece com as pessoas. Não é à toa que há milhares de inscritos todas as vezes que a Rede Globo abre chamada para o Big Brother. O “aparecer na televisão” é quase como o “existir”. Daí o desespero das “sub celebridades” sumidas e falidas que buscam por mais alguns minutos de “fama”.

Evidente que apenas a exposição na TV não garante a eleição. Fosse assim o Kiko e o Leandro do KLB seriam eleitos e tantos outros “famosos”. A história toda é ver o circo em que se transformou a política brasileira e quantos destes “famosos” se lançaram como candidatos conquistando muitos votos: Batoré com 22 mil votos, Marcelinho Carioca com mais de 60 mil votos e Simony com quase 7 mil eleitores votando na ex-Balão Mágico. Todos em SP, considerado o estado mais rico e desenvolvido do Brasil.

É exatamente daí que aparece um Tiririca. Quando assistir e votar no paredão do BBB ou da tal “Fazenda”, lembre-se que você pode alimentar o sonho de alguns dos participantes destes programas quando contribui com os altos índices de audiência. Sei que você tem discernimento para separar o entretenimento da política séria, mas muitos não conseguem estabelecer essa distância. Aí falta orientação educacional, políticas de esporte e lazer e incentivo à cultura, só para começar.

E tantos brasileiros falam em mudança... mas mudança exige um grande esforço, não apenas no sentido de trocar objetos de lugar ou cargos: é preciso mudar certos comportamentos, abandonar alguns hábitos e rever vários conceitos. Inclusive o fato da “Festa da Democracia” ser tratado apenas como se fosse uma festa onde muita gente faz competição de “som mais alto” na rua, enche a cara de cerveja e emporcalha a cidade com “santinhos” espalhados pelas vias. Será que boa parte dos brasileiros realmente deseja mudança?

Ou prefere algo como “do jeito que está, fica”?

PESQUISAS

Mais uma vez o papel dos institutos de pesquisa em uma eleição foi patético. E novamente na Bahia erraram feio: o candidato ao senado César Borges liderava em todas as pesquisas de intenção de voto com algo em torno a 30%; no entanto, um dos poucos remanescentes da tropa de choque de ACM obteve apenas 13% dos votos válidos, muito distante dos primeiros colocados.

Não entendo nada sobre estatísticas e metodologia de pesquisa. Mas está claro que os institutos precisam rever seus métodos. A credibilidade está comprometida e o trabalho para recuperá-la não será fácil. É o que pensam 98% dos visitantes deste blog segundo o DATATROLHA. Brancos, nulos e indecisos somam 1% e Plínio de Arruda tem 1%.

PARA DESCONTRAIR...

Levy Gato Félix ficou atrás até do Eymael, o Democrata Cristão. Proponho para o próximo pleito a união dos dois candidatos e até imagino a cena: um aerotrem tocando o jingle do Ei-Ei-Eymael/ o democrata cristão / Para transporte eficiente / vote Eymael e Fidelix...

Aqui na Bahia não adiantou a militância dos moleques que andam por aí com a camiseta estampada do Che Guevara – e não são poucos: o candidato Che Guevara (PRP), obteve apenas 335 votos para deputado federal; Bira do Jegue (PSDB) chegou à impressionante marca de 483 votos e vai ter que continuar com o jegue, nada de carro oficial; Carlos do Restaurante (PSOL) teve 151 votos e a certeza de que precisa melhorar a comida em seu restaurante se quiser mais votos; Jean Nanico (PTB) conseguiu 5 mil votos, o que não é pouca coisa pra um nanico.

Pior desempenho mesmo foi do candidato Carlinhos dos Remédios (PDT), com 0 voto. Dizem que ficou tão ansioso na noite anterior às eleições que resolveu tomar um remedinho, exagerou na dose e foi parar no hospital. Não fosse por isso teria 1 voto.

E a constatação de que Pelé estava correto: brasileiro não sabe votar. Como podemos admitir a “Mulher Pêra” com 0 voto? Isso, sim, um absurdo, uma afronta a uma BOA candidata, vejam só, que país é esse, que coisa...

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