domingo, agosto 29, 2010

Paulinho do Som, Deputado Federal!

(a charge tosca é de minha autoria, pra variar. Quer ver melhor? Atreva-se e clique na imagem)

- Você endoidou de vez?
- O que foi mulher?
- Que história é essa de “deputado federal”? Você vai se candidatar?
- Não vou, já estou candidato. Olha aqui o registro da minha candidatura, foi aprovada hoje.
- Meu Deus, mas isso é loucura! O que deu em você?
- Como? Pensei que fosse me apoiar. Aliás, queria até pedir uma ajuda pra escolher a foto pra eu mandar imprimir uns santinhos, umas camisetas e...
- Paulo Jorge, que negócio é esse? Santinho? Camiseta? A gente se aperta como pode com o orçamento e você ainda me aparece com essa novidade?
- Em primeiro lugar, pelos próximos meses não me chame de Paulo Jorge, e sim Paulinho do Som, pois é assim que meu nome aparecerá na urna eletrônica e os eleitores precisam estar familiarizados; em segundo lugar, não se preocupe com as finanças: instalei um som no carro do dono da gráfica e ele vai me pagar com esses 5 mil santinhos, uma mixaria, e já tô negociando com o cara das camisetas.
- Que se dane Paulinho do Som, eu me casei com Paulo Jorge e é com ele que estou tentando falar. Senta aí e me conta de onde saiu essa ideia maluca de ser candidato, ainda mais federal. Quem te conhece, Paulo Jorge?
- Não é ideia maluca coisa nenhuma. Sou alfabetizado, tenho mais de 21 anos, sou filiado a um partido. Além do mais, todo mundo aqui na comunidade me conhece!
- O povo aqui te conhece porque você vive fazendo barulho com essas instalações de som, o que já te rendeu até uma notificação! O que você entende de política, Paulo Jorge?
- Aquela notificação foi coisa de invejosos! Você sabe que eu sempre acompanhei a política e...
- ...e xingava tudo quanto era político, espumava de raiva na frente da TV e dizia que “político nenhum presta!”. E agora quer ser um deles?
- Eu confesso que radicalizava, mas isso porque eu, em toda minha inocência e ignorância, realmente achava que todos eram iguais até o momento em que me filiei ao PROLCC* e percebi que a política pode ser composta por cidadãos comprometidos com o bem-estar do povo, lutando por saúde, educação, geração de emprego e renda e além disso...
- Deixa o discurso de lado, Paulo Jorge! Você sempre dizia que o povo não sabia o que era política, pois as pessoas acham que fazer política era o mesmo que construir muro pra fulano, arrumar emprego pro filho do sicrano, essas coisas. Eu estou impressionada, Paulo Jorge! Que mudança!
- Ok, que isso fique entre nós, Norma Suely!
- Quando você me chama de Norma Suely é porque a coisa é séria...o que houve?
- Seguinte: se Tiririca, Vampeta, Kiko do KLB e Mulher Pêra podem se candidatar, eu também posso, certo? E outra: o povo não sabe mesmo o que é política, não tá nem aí, é meio boçal mesmo, então vou me candidatar pra tirar o pé da lama!
- Eu não posso acreditar no que estou ouvindo: onde está aquele homem com princípios fortes e inabaláveis que eu sempre admirei?
- Deixa disso, Norma Suely! Sabe quanto é o salário de um deputado?
- Mas você vai prometer um monte de coisas para as pessoas, vai iludi-las, vai mentir, vai fazer tudo aquilo que você mais condenava nos políticos!
- Ora, que é isso, quando tiver um asfaltozinho em uma rua aqui do bairro, mando fazer uma faixa “A comunidade do Lasca Gato agradece ao Deputado Paulinho do Som pelo asfalto em nossa rua” e pronto, o povo fica todo feliz. Querida, pense nas vantagens, não é só o salário: você sempre quis conhecer Foz do Iguaçu, né?
- Sim, e daí?
- Daí que nosso partido tem sede em Foz do Iguaçu e sempre promove reuniões em diversas capitais do país. Fortaleza, Natal e cidades como Gramado, Campos do Jordão...
- Ai, sou doida pra conhecer Campos do Jordão! E essas praias no Nordeste...
- Pois é, como deputado federal eleito poderemos frequentar as reuniões do partido, entendeu? E tudo bancado pelas verbas que os deputados recebem para viajar por aí.
- E aí poderemos ter uma lua-de-mel de verdade, em Fortaleza? Desde que nos casamos só conseguimos viajar até o Guarujá e olhe lá...
- Querida, se eleito for, teremos uma lua-de-mel por mês! Pense nisso no dia 03 de Outubro, exerça seu direito, vote naquele que vai proporcionar uma vida digna com saúde, emprego, educação e insustentatibilidade ecológica, abaixo a poluição! Vote Paulinho do Som!
- Oh, Paulo Jor...digo, Paulinho do Som! Meu deputado!

*PROLCC – Partido da Revolução Liberal Operária Cristã Comunista

Não sou candidato, minha gente! Siga-me no twitter, duela a quem duela: www.twitter.com/jaimeguimaraess

quarta-feira, agosto 18, 2010

Propaganda eleitoral "gratuita"

Estes são meus candidatos! São ótimos, não? Clique na imagem para melhor analisar suas propostas!

Como faço todas as manhãs, ao ligar o carro sintonizo em uma estação de rádio para ouvir uma programação informativa inclusive com os boletins do trânsito, o que me permite traçar a melhor rota para chegar ao trabalho escapando de alguns congestionamentos.

Mas naquela terça-feira isso não foi possível. Ao ligar o rádio ouço a famigerada Propaganda Eleitoral Gratuita, que ainda fazem questão de frisar que é obrigatória e está na lei – no caso, a tal Lei 9.504/97. São 50 minutos de bobagens, inutilidades, imbecilidades e mentiras descaradas.

50 minutos que seriam mais bem aproveitadas pelo cidadão caso continuasse a programação informativa ou mesmo musical das emissoras de rádio. Não me venham com esse papo de “é democracia, não reclame contra um direito que levou anos para ser conquistado”. Prefiro o direito de sintonizar a emissora de rádio ou de TV e assistir ou ouvir o que bem entender durante este período e não dar de cara ( e ouvidos) com um bando de boçais que mal sabem ler.

E outra: o tal horário não tem nada de “gratuito”. A TV e as emissoras de rádio sobrevivem graças às receitas publicitárias. Quem vai cobrir o prejuízo de passar quase 1 hora sem “comerciais” e merchandising?

É isso aí: o governo banca. Ou melhor, todo o cidadão. As empresas de comunicação recebem uma compensação fiscal bem interessante da Receita Federal, como forma de cobrir o “prejuízo” que a propaganda eleitoral acarreta às emissoras de rádio e TV. Basicamente é como se cada cidadão pagasse R$ 4,44 para receber em seu aparelho de TV e rádio as pérolas que os candidatos soltarão até o dia 30 de Setembro. Saiba mais sobre este assunto AQUI.

Ouvi 5 minutos da propaganda eleitoral. Foi tempo suficiente para pescar um festival de tolices. Um candidato a deputado estadual que ressaltava ser “cristão”. Que pena, se fosse “xintoísta” talvez ganhasse meu voto... Outro, que mal sabia ler as propostas que certamente alguém anotou em um papel, falava em “melhorar a educação”. Seria ótimo que a educação melhorasse e ele retornasse à escola para aprender a ler direito. E o mantra de sempre: “Meu nome é_______, pela saúde, educação, segurança e emprego, vote____”.

A propaganda na TV deverá ser mais divertida, pois veremos as figurinhas que capricharão em sorrisos e promessas mirabolantes em busca do seu voto. Analisar propostas? Que propostas, se todas são absolutamente iguais, genéricas, tolas e falsas? Como acreditar, por exemplo, em uma proposta daquele partido outrora de esquerda e que hoje está aliado a mais retrógrada oligarquia no estado, na cidade? E aquele candidato que passou 16 anos no poder, não fez nada e agora quer fazer "tudo" em 4 anos? Como levar a sério os atores, cantores, humoristas e jogadores de futebol que mal sabem se posicionar quanto às questões sociais do país?

Podem me chamar de alienado ou o que for, mas decidi: todas as manhãs já reservei minhas coletâneas com Stones, Led Zeppelin, Kiss, Pixies e mais uma turminha da pesada para enfrentar o congestionamento até chegar ao trabalho. Eventualmente selecionarei Roger Water com o seu “Radio K.A.O.S”, bem apropriado para este festival de tolices que é a propaganda eleitoral “gratuita” e obrigatória.

Aproveita que é grátis: www.twitter.com/jaimeguimaraess

segunda-feira, agosto 16, 2010

Obviedades educacionais ( ou a descoberta da roda)

(sim, estas charges toscas são de minha autoria. Se quiser visualizar melhor, é por sua conta e clique)

Há muito tempo, em uma galáxia distante... não, isso não é Star Wars, mas vou começar mesmo com o universo: há muito tempo um sujeitinho chamado Nicolau defendeu a teoria de que a Terra gira em torno do Sol, e não o contrário, como pensavam os chefões e especialistas da época. Algum tempo depois, um outro cientista defendeu essa teoria do nosso Nicolau e quase virou churrasquinho na fogueira.

Demorou, mas depois de muito tempo os chefões e especialistas se convenceram que realmente a Terra girava em torno do Sol, a chamada teoria Heliocêntrica, que você estudou na escola e sempre fazia confusão com o Teocentrismo.

Voltando ao nosso século XXI neste grande país de dimensões continentais, digo que estou muito otimista, finalmente, com os rumos que a educação poderá tomar de agora em diante. Não, não é nenhuma proposta de político – aliás, votarei em POPÓ para deputado estadual, um candidato de LUTA! – ou alguma fórmula mágica para o setor. Estou otimista porque parece que, finalmente, os chefões e especialistas da época estão se convencendo de algumas obviedades na educação.

Tais descobertas equivalem mais ou menos ao descobrimento da pólvora ou da roda. Portanto preparem-se para duas notícias bombásticas que saíram nos jornais recentemente:

BUM! “Bons resultados no Ideb não garantem ensino de qualidade em todas as escolas”.

Impressionante. E mais impressionado ainda fiquei ao ler sobre a outra descoberta:

BUM! “Localização da escola também pode interferir na qualidade de ensino”.

Nada mais do que obviedades, certo? Em todos os municípios e estados há áreas mais favorecidas e outras onde o estado só aparece mesmo em época de (re)eleição.

Embora isso não seja uma regra e sempre há exceções, não se pode negar que uma série de fatores, como o entorno escolar, o acesso à unidade de ensino, a infra-estrutura das escolas, o poder aquisitivo e as condições sociais dos alunos faz (muita) diferença no processo educacional. É mais ou menos por isso porque provas como IDEB, ENEM e outros métodos de avaliação no país não revelam, de fato, um retrato fiel de nosso sistema educacional. Há quem diga que tais métodos são termômetros da situação em nossas escolas, mas como desconsiderar um grave problema como a evasão escolar, sobretudo no ensino médio? Evasão Escolar também está ligada a uma série de fatores que me traz um retrato bem mais fiel sobre as dificuldades encontradas em nossas escolas.

Por isso é bom que chefões burocráticos e alguns especialistas saiam um pouco de seus gabinetes. Muito cômodo responsabilizar o professor pela evasão escolar, por exemplo; bom seria ouví-los. Certamente essas notícias “bombásticas” não seriam novidades e não precisaríamos de IDEB e ENEM para descobrir o que está errado no modelo educacional brasileiro.

E o melhor de tudo: os professores não seriam condenados à fogueira. Já basta a educação renegada ao quinto dos infernos pelos governantes confortavelmente instalados em gabinetes com ar condicionado. É fogo!

Sem fogueira, me siga no twitter: www.twitter.com/jaimeguimaraess

terça-feira, agosto 03, 2010

Who needs information?


(charge chinfrim...ou será xinfrim? Tanto faz, clica aí e veja que porcaria)

Nesta semana o microblog twitter alcançou a impressionante marca de 20 bilhões de mensagens em apenas 4 anos de existência. É muita informação rolando em meros 140 caracteres. Mas não é só twitter: o mundo vive uma overdose informativa.

Agora mesmo vai mais uma informação para que você tenha ideia do que estamos vivendo. Em 2008 cada norte-americano consumiu o equivalente a 34Gb de informação por dia de diversas fontes – TV, internet, celulares, revistas, blogs, etc. É como se o cidadão lesse 34 mil livros com 200 páginas em um dia. Estes dados estão na revista Galileu - Agosto de 2010.

O que tudo isso representa? Que fazemos parte de um período da história onde a informação está facilmente acessível a partir de diversos meios, evidente; a questão é o que fazer com tantos dados, tweets, textos, links, imagens, referências, áudios, enfim, esta avalanche de informações. Neste momento que você lê este texto (e poderia utilizar melhor seu tempo ao invés de ler esta bobagem, então agradeço a visita a este tosco blog) certamente está recebendo mensagens no e-mail ou no celular, os contatos do MSN começam a pipocar, os tweets da sua timeline já chegam a 300, 400 e a sensação de “perder tempo” provavelmente te levará à próxima aba ou janela. Se você chegou até aqui sem perder o foco, parabéns. Sempre tomo cuidado para encurtar os textos para o blog.

Costumo dizer que vivemos um período de transição. Os sociólogos, antropólogos e demais “ólogos” chamam este período de sociedade da informação, sociedade do conhecimento, contemporaneidade, sociedade pós-moderna e tantos outros termos que representam bem a incerteza de um período onde um tweet de 140 caracteres pode ser apenas mais uma garrafinha jogada em meio a esse mar de 20 bilhões de mensagens ou fazer a diferença com um link útil para alguém. É tudo muito dinâmico e não é possível tirar conclusões apressadas – por exemplo, que a internet incentiva a superficialidade e a banalidade. Zygmunt Bauman é quem traz o alerta: “a arte de viver num mundo hipersaturado de informação ainda não foi aprendida”.

Quem resiste? Até mesmo os meios tradicionais de comunicação já mantêm suas versões on-line dos jornais e revistas que estão nas bancas – na série de TV “Californication”, uma adolescente pergunta por que essas coisas ainda existem, não deixando claro se a referência era à banca de jornal ou ao jornaleiro; provavelmente, aos dois.

O meio escolar vive uma situação estranha: trabalha com informações o tempo todo, mas são basicamente as mesmas informações de 15, 20, 50 anos atrás. Hoje, na cultura do descarte e do fluxo de informações que se renova a cada segundo, a escola acaba se tornando um espaço um tanto “defasado” (aspas necessárias) – e os educadores tentam suprir esta “defasagem” do jeito que podem.

Desta vez não estamos simplesmente passando pela História: estamos efetivamente escrevendo e produzindo a História. Que seja em apenas 140 caracteres ou em um vídeo de 15 segundos. As gerações futuras dirão se isso valeu a pena.
***
Rumo aos 30 bilhões de tweets, siga-me: www.twitter.com/jaimeguimaraess
Título inspirado por Roger "Acid" Waters.

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