
Nas últimas semanas o mundo voltou o seu olhar, assombrado, para uma ilha meio esquecida ali no Atlântico Norte, entre a Europa e a Groenlândia ( Grooeland é aqui e não tem nada a ver com esta ilha). Claro, estamos falando da Islândia, a terra de encantadores vulcões.
E foi justamente um desses vulcões que assombrou o mundo, tanto pelas cinzas expelidas levando o mundo a experimentar um pouquinho de Brasil ia-iá-iá com o “caosaereo” - e a VEJA não fez nenhuma reportagem culpando o Lula e nem o super grupo CANSEI se reuniu para pedir “justiça”- como pelo nome simpático que atende o vulcãozinho: Eyjafjallajokull. (embora o nome do vulcão não seja propriamente este, o termo acabou caindo no gosto popular e agora todo mundo fala: "aquele vulcão lá da Islândia".)
Eyjafjallajokull nos ensina algumas coisas. A não reclamar de certas circunstâncias, por exemplo. Imaginem se Eyjafjallajokull fosse um país e estivesse no grupo do Brasil na Copa do Mundo. Seria lindo ouvir o Galvão Bueno narrando “Haaaaja, coração! Hoje tem Brasil e Eyjafjallajokull!”. Ou ainda “Pra cima deles, Robinho! São só 5 zagueiros Eyjafjallajokullianos!”.
Mas o que eu sabia sobre a Islândia, além de ser terra daquela baixinha invocada, a cantora Bjork? Vocês podem não acreditar, mas eu sabia que a capital deste país é Reykjavik – mas não me peçam para pronunciar – e conhecia também a poesia islandesa que era produzida a ilha pelo século XI, XII ou anterior a este período. Calma, meu nome não é Oscar Niemeyer!
“Conhecer” é modo de dizer. Tenho aqui em casa um livrinho de Jorge Luís Borges, escritor argentino e um dos maiores do século XX – sim, a Argentina tem coisas boas: Gabriela Sabatini, vinhos e a distância – chamado “História da Eternidade”, do qual o autor se propõe, em um capítulo, analisar a poesia islandesa daquele tempo. O que mais chamava a atenção de nuestro hermano eram as “kenningar” contidas nos versos poéticos. “Kenningar” nada mais são do que “menções enigmáticas” utilizadas pelos nossos bravos islandeses para definir o céu, os pássaros, os guerreiros, enfim, qualquer coisa.
Um exemplo simples:
Maçã do peito
Dura pelota do pensamento.
Aí está descrito o coração. Bonito, mas nada que cause grande impacto à primeira vista. Então vejamos outro exemplo:
Os que tingem os dentes do lobo (guerreiros)
Esbanjaram a carne do cisne vermelho. (os mortos)
Pois é, algo parecido com “metáfora”, embora as kenningar estejam mais para “sopa de letrinhas” ou o que chamariam injustamente como “enrolação”. Vejam o que nossos amigos islandeses utilizavam para cantar uma bebida muito apreciada por nós atualmente:
Onda do chifre
Maré do copo.
Sei lá onde Borges encontrou a cerveja aí nesta passagem. Vai ver ele mesmo tomou umas a mais para enxergar isso. É verdade que palavra “chifre”aí é um tanto estranha, mas não impediria, creio, que algum pagodeiro fizesse um novo sucesso de 15 minutos para o próximo carnaval utilizando tal imagem islandesa.
E o que isso tem a ver com o meu, o seu dia a dia? Muita coisa. Assista a qualquer entrevista de um político. As kenningar estarão lá:
“Vamos procurar adequar nosso orçamento em certos setores à realidade atual promovendo algumas alterações fiscais para que possamos obter um Estado forte e enxuto”.
Adequar nosso orçamento em certos setores = corte de verbas na educação, saúde e segurança;
Promover alterações fiscais = aumento de impostos;
Estado forte e enxuto = privatizações e terceirizações.
Viram como não é difícil? Experimentem decifrar outras kenningar espalhadas por aí, sejam na política, no futebol ou nas palavras daquela empresa de telefonia que adora te enrolar. É bem mais fácil do que pronunciar Eyjafjallajokull!
Fylgdu mér á twitter: www.twitter.com/jaimeguimaraess
E foi justamente um desses vulcões que assombrou o mundo, tanto pelas cinzas expelidas levando o mundo a experimentar um pouquinho de Brasil ia-iá-iá com o “caosaereo” - e a VEJA não fez nenhuma reportagem culpando o Lula e nem o super grupo CANSEI se reuniu para pedir “justiça”- como pelo nome simpático que atende o vulcãozinho: Eyjafjallajokull. (embora o nome do vulcão não seja propriamente este, o termo acabou caindo no gosto popular e agora todo mundo fala: "aquele vulcão lá da Islândia".)
Eyjafjallajokull nos ensina algumas coisas. A não reclamar de certas circunstâncias, por exemplo. Imaginem se Eyjafjallajokull fosse um país e estivesse no grupo do Brasil na Copa do Mundo. Seria lindo ouvir o Galvão Bueno narrando “Haaaaja, coração! Hoje tem Brasil e Eyjafjallajokull!”. Ou ainda “Pra cima deles, Robinho! São só 5 zagueiros Eyjafjallajokullianos!”.
Mas o que eu sabia sobre a Islândia, além de ser terra daquela baixinha invocada, a cantora Bjork? Vocês podem não acreditar, mas eu sabia que a capital deste país é Reykjavik – mas não me peçam para pronunciar – e conhecia também a poesia islandesa que era produzida a ilha pelo século XI, XII ou anterior a este período. Calma, meu nome não é Oscar Niemeyer!
“Conhecer” é modo de dizer. Tenho aqui em casa um livrinho de Jorge Luís Borges, escritor argentino e um dos maiores do século XX – sim, a Argentina tem coisas boas: Gabriela Sabatini, vinhos e a distância – chamado “História da Eternidade”, do qual o autor se propõe, em um capítulo, analisar a poesia islandesa daquele tempo. O que mais chamava a atenção de nuestro hermano eram as “kenningar” contidas nos versos poéticos. “Kenningar” nada mais são do que “menções enigmáticas” utilizadas pelos nossos bravos islandeses para definir o céu, os pássaros, os guerreiros, enfim, qualquer coisa.
Um exemplo simples:
Maçã do peito
Dura pelota do pensamento.
Aí está descrito o coração. Bonito, mas nada que cause grande impacto à primeira vista. Então vejamos outro exemplo:
Os que tingem os dentes do lobo (guerreiros)
Esbanjaram a carne do cisne vermelho. (os mortos)
Pois é, algo parecido com “metáfora”, embora as kenningar estejam mais para “sopa de letrinhas” ou o que chamariam injustamente como “enrolação”. Vejam o que nossos amigos islandeses utilizavam para cantar uma bebida muito apreciada por nós atualmente:
Onda do chifre
Maré do copo.
Sei lá onde Borges encontrou a cerveja aí nesta passagem. Vai ver ele mesmo tomou umas a mais para enxergar isso. É verdade que palavra “chifre”aí é um tanto estranha, mas não impediria, creio, que algum pagodeiro fizesse um novo sucesso de 15 minutos para o próximo carnaval utilizando tal imagem islandesa.
E o que isso tem a ver com o meu, o seu dia a dia? Muita coisa. Assista a qualquer entrevista de um político. As kenningar estarão lá:
“Vamos procurar adequar nosso orçamento em certos setores à realidade atual promovendo algumas alterações fiscais para que possamos obter um Estado forte e enxuto”.
Adequar nosso orçamento em certos setores = corte de verbas na educação, saúde e segurança;
Promover alterações fiscais = aumento de impostos;
Estado forte e enxuto = privatizações e terceirizações.
Viram como não é difícil? Experimentem decifrar outras kenningar espalhadas por aí, sejam na política, no futebol ou nas palavras daquela empresa de telefonia que adora te enrolar. É bem mais fácil do que pronunciar Eyjafjallajokull!
Fylgdu mér á twitter: www.twitter.com/jaimeguimaraess

Episódios como estes que ocorrem todos os anos no Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e várias outras cidades e capitais brasileiras demonstram claramente que não existe infra-estrutura adequada para suportar chuvas até mesmo de pequeno e médio porte – o que dirá uma verdadeira tempestade como no caso do RJ.
Se o trânsito não recebe atenção devida das autoridades – a não ser pela indústria de multas – o que dirá do ordenamento e uso do solo? As famílias pobres acabam se alojando em áreas de risco, o poder público tem conhecimento e não há providências – tal como aconteceu no Morro do Bumba, em Niterói, que era um “lixão”.