quarta-feira, março 31, 2010

Ração Humana

(outra charge tosca do autor, espero que não se importem. Clique na imagem pra vê-la...hum..."melhor")

Dona Tereza é minha vizinha e é gente finíssima – e estou me referindo à personalidade, e não à silhueta. E pelo festival de gastronomia que meu olfato capta todos os finais de semana, dá para entender porque minha simpática vizinha reclama o tempo todo dessas “roupas modernas que na primeira lavagem encolhem e ficam apertadíssimas no corpo”.

E olha que dona Tereza já até trocou o sabão em pó e o amaciante, mas parece (!) que não resolveu. Então alguém disse – não fui eu! – que ela precisava mesmo era emagrecer – ou “esmagrecer”, como dizem no interior. Nem precisa dizer que Dona Tereza ficou muito ofendida e quase rolou o maior barraco, mas a vizinhança ainda ouviu minha vizinha gritar para a ingênua alma que ousou contestar sua forma:

- Gorda é a sua vó, sua magricela seca e despeitada! Eu tô feliz com meu corpo, tô com tudo em cima, ouviu?

Tenho que concordar com Dona Tereza: realmente ela está com tudo em cima. Os peitos em cima da barriga e a barriga em cima das coxas. E não sejam maldosos, minha simpática vizinha tem idade para ser minha mãe e quem confere tais atributos físicos detalhadamente é o seu Agenor, o marido, metalúrgico aposentado e com uma barriga de chope que deixaria Homer Simpson no chinelo.

Bem, dia desses eu encontrei Dona Tereza vestida com uma roupa...hum, digamos, mais “apertadinha”, chamando a atenção dos coroas lá no boteco do Zé – nem tanto pela sensualidade, se me permitem dizer – e a cumprimentei.

-Boa tarde, dona Tereza! Que bonita roupa, toda colorida, alegre...deve ter ganhado algum prêmio no bicho!
- Haha! Que nada, menino, é pra comemorar minha nova forma, perdi 3 quilos!
- Que bom, dona Tereza! Resolveu encarar um regime, hein?
- Regime nada, meu filho, é a ração humana!

Arregalei os olhos, limpei os ouvidos e caprichei na cara de espanto:
- Como é que é, Dona Tereza? Ração?
- Isso, meu filho, Ração Humana! É uma maravilha, emagrece mesmo, viu? E ainda melhora a pele, a disposição, tudo!

E então minha simpática vizinha resolveu explicar o que é essa tal ração. Trata-se de uma mistura em pó composta por cereais integrais (claro!) como aveia, trigo e sementes como linhaça e gergelim. E a ração ainda leva, em sua receita, guaraná em pó, açúcar mascavo, levedo de cerveja (o levedo, não a cerveja, espertinho!), gelatina sem sabor, cacau em pó e acho que é “só”...

A pessoa pode tomar essa mistureba batida com leite desnatado ou misturá-la ao iogurte (desnatado, claro) e suco (sem açúcar, hein?). Pode-se substituir o café da manhã e o jantar por essa mistura que já é encontrada em drogarias, lojas de produtos naturais, supermercados, botecos, papelarias e até aí na sua rua – sempre tem alguém que faz. Dona Tereza, por exemplo, vende um pote de ração humana por 12 reais.

A tal ração humana traz duas vantagens: uma, é prática. É só colocar quatro colheres de pó com leite desnatado no liquidificador e pronto; a segunda, dizem, é o sonho de 10 entre 10 pessoas: comer de tudo e não engordar. Isso porque as fibras presentes na receita de ração humana dão a sensação de “saciedade” e, por isso, as pessoas não vão comer muito.

Perguntei ao meu amigo esquentado Serjão o que ele acha dessa história toda de ração humana. Com toda a propriedade de quem perdeu 30 quilos graças à reeducação alimentar – e não abandonou a cervejinha, embora tenha diminuído sensivelmente o consumo - , Serjão começou seu discurso:

- Isso é coisa de gente preguiçosa que não quer cortar uma fatia de mamão, uma banana nanica, juntar duas colheres de aveia e um copo de leite e bater uma vitamina! É coisa de quem fica com frescura de “ai, pão engorda, macarrão engorda”. Tudo bobagem! Eu tinha 106 kg e hoje tô com 73 kg graças à reeducação alimentar e umas caminhadinhas pelo quarteirão! Esse povo fica atrás de dieta da moda fácil e depois engorda tudo de novo, bando de modinha! Ração, ração...! Quem come ração é cavalo e cachorro, porra!

Acho que meu amigo Serjão, apesar de revoltado e esquentado, tem razão. Pra emagrecer com saúde só mesmo a combinação reeducação alimentar + atividade física. Mas como eu iria estragar a felicidade da Dona Tereza, toda feliz em perder 3 kg rapidamente e sem nenhum trabalho?

- E seu Agenor, dona Tereza? Ele deve estar feliz com essa sua forma e disposição.
- Que nada, meu filho, aquele ali só liga pra boteco, cerveja e pro jogo de bocha!

Não faça dieta, siga-me à vontade no twitter: www.twitter.com/jaimeguimaraess

e-magazine Sunshine - Edição Outono 2010

Oba! A nova SUNSHINE já está disponível! O que? Você não sabe o que é "sunshine"?

Depois olha no dicionário. Mas estou falando de outra coisa. A SUNSHINE é uma revista virtual que reúne poemas, crônicas, artigos, contos, ilustrações e fotografias. As obras que compõem a SUNSHINE são assinadas por autores anônimos, mas talentosos, que contribuem com suas artes para esta grande e-magazine idealizada pelo Rubens Medeyros.

Eu participei em edições anteriores e desta vez não participo, o que significa que a revista ganhou em qualidade. E tem muita gente boa emprestando seu talento para a revista.

Infelizmente ela (ainda) não é impressa - alguém aí pra bancar um patrocínio? Eike, meu amigão, não desapareça nessas horas! - mas isso não impede que você possa admirar o projeto: basta acessar http://www.revistasunshine.com.br/ ou clicar na imagem que ilustra este post para fazer o download desta e das edições anteriores.

Boa leitura! =D

quinta-feira, março 25, 2010

Nardoni couple fashion week

( Desculpem, eu realmente não sei fazer tirinhas. Clique na imagem para visualizar melhor, se tiver coragem)

Já me perguntaram mais de uma dúzia de vezes se eu estava acompanhando a cobertura do “Julgamento dos Nardoni”. Confesso que tento manter distância de toda a pirotecnia que a imprensa, mais uma vez, faz em torno do assunto.

Confesso que é difícil. Ligo a TV, ouço emissoras de rádio, acesso a internet, abro os e-mails, acompanho o twitter e lá está o “Casal Nardoni” no centro das atenções. Aliás, “O julgamento dos Nardoni” soa bem, não acha? Bem classe média mesmo. Algo como “O julgamento dos Silva” provavelmente não atrairia nenhuma atenção, afinal Silva é “coisa do povo”. E sabem como é, quando há “contato com o povo”, faça-se como George Murder Bush: aperta a mão com nojo e depois limpa na camisa do amigo ao lado. Ah, Bush, venha pro Brasil e aperte as mãos do povão faminto e dê beijos nas desdentadas barrigudas que mostram o seu valor!

Pois bem, eu disse que não queria me preocupar com esse julgamento dos Nar...você sabe de quem estou falando – e tudo o mais que eu tinha para escrever sobre isso está AQUI e AQUI - mas acabei me deparando com uma “notícia” que achei fundamental para manter bem informado esse povo sedento por novidades! Olhem que beleza:

Nesta quarta-feira (24), terceiro dia de julgamento do casal Nardoni, o réu Alexandre Nardoni está usando uma camisa verde água, calça jeans azul e tênis preto. Anna Carolina Jatobá usa uma camisa rosa, calça preta e uma sapatilha. (Com informações da TV Globo) .

Incrível, não? Mais incrível ainda é o fato de NINGUÉM da imprensa ter procurado ouvir especialistas para que eles emitissem suas opiniões sobre esta importante e relevante informação que alteraria os rumos do julgamento!

Por isso vou ensinar como é que se faz. Aqui neste blog ninguém fica a ver navios, sem informação de qualidade! Procurei alguns especialistas e consegui entrevistas inéditas – não, seus maldosos, não dei furo nenhum! – que certamente contribuirão para que vocês, raros leitores e leitoras e visitantes deste humilde e tosco blog, estejam muito bem informados sobre o “Julgamento dos Nard...”ah, vocês já sabem.

Alexandra, o que você achou do figurino dos acusados?
Olha, eu achei que o Alexandre acertou ao combinar a camisa verde com o jeans azul, mas o tênis preto quebrou a harmonia, sabe? Ele deveria usar um tênis branco, básico; já a Ana errou na combinação rosa e calça preta, ela deveria usar tons mais suaves, puxando pro amarelo e sem sapatilha.
ALEXANDRA HERKOMITZXPLITZ, estilista e designer de moda

Glorinha, que tal o figurino do casal Nardoni?
Brega! Eu acho que essa moça deveria contratar um personal stylist urgentemente! Onde já se viu comparecer a um julgamento com uma combinação tão berrante? E o rapaz, que pena, é até simpático, mas precisa mudar não apenas o guarda-roupa, mas também tentar disfarçar e ficar de boca fechada, ninguém merece aquele beição à la Mick Jagger, não é?
GLORINHA CAMIL RICE, estilista, jornalista de moda, consultora de etiqueta e governanta nas horas vagas

E aí, Jojoca, meu caro, o que achou do figurinho dos Nardoni?
Ai, menino, amei! A moça, não, tá muito brega, quem usa sapatilha pra ir um tribunal? Eu, hein, to bege! Agora o Xandi...nossa, amei, sabe? Eu apenas sugeriria uma camisa vermelha para combinar com aqueles grandes lábios, ah, grandes lábios desse tipo eu adoro, ali eu vou! Atooooooron!
JOJOCA LOTEIRO, estilista, bicheiro e carnavalesco da “Unidos do Jaçanã”

Pois bem, aí estão! Opiniões abalizadas, de gente que entende do assunto. Se coleguinhas da grande imprensa aparecerem por aqui, por favor, podem ficar à vontade para copiar e colar ( procedimento padrão de 7 em cada 10 redações da imprensa brasileira, pelo jeito), mas citem a fonte e aprendam como se faz! Isso, sim, é jornalismo!

Créditos da notícia sobre o julgamento do casal Nardoni: Sinomar Vieira. Link: http://www.digauai.com/index.php?pg=noticia&id=1066

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terça-feira, março 23, 2010

"Foi Deus quem me deu"

(a charge não é divina e tampouco infernal. É inofensiva, clique para vê-la em toda sua graça e esplendor)

Esta é uma crônica muito perigosa. Pra mim, claro, o escritor, (há controvérsias sobre isso) pois provavelmente serei rotulado como “fuxiqueiro” ou, ainda, "ateu". E muito pior: ser mal interpretado. Isso porque vou mexer com um verdadeiro vespeiro: a fé.

E isso não se discute, certo? Ora, discutir um ou outro aspecto da fé é possível, sim. Não pretendo mudar o pensamento de ninguém, até porque eu nem sei como fazer isso e ainda mais com essas pobres e simplórias palavras que serão lidas por meus 4 ou 5 fiéis leitores e mais alguns que cairão por aqui graças a São Google – eis o poder da fé, tenho que acreditar nisso, na média de 10 visitas semanais a este humilde blog.

Claro que estou enrolando. Você percebeu isso muito bem, parabéns pela sua percepção. Na verdade estou caçando palavras adequadas para iniciar pra valer esta pequena e insignificante crônica. Mas vamos a ela, finalmente.

Confesso que não tenho muita admiração por carros. Pra mim não passam de meios de transporte e sinceramente não vejo muita diferença entre um desses jipes importados que custa “apenas 100 mil reais” ( é como eles dizem em propagandas na TV) e o meu "poisé" que custa, vá lá, o equivalente a um marmitex e uma latinha de refrigerante. E um cafezinho, claro! Meu "poisé" tá ótimo, me leva pra tudo quanto é lugar e nunca me deixou a pé (isso dá até música). E é facílimo de estacionar, ao contrário desses carrões enormes – e eu pergunto, com toda a ingenuidade, “pra que o cara quer um carro desse tamanho?”.

E foi em um desses jipões importados e cheios de trololós que vi o adesivo colado no vidro traseiro, bem grande para todo mundo ler: “FOI DEUS QUEM ME DEU”.

Claro que não pensei muito naquele momento, pois estava no trânsito e todo o cuidado é pouco, ainda mais se tratando do trânsito em uma cidade cujo o comportamento de parte dos motoristas costuma “levantar poeira/poeira/poeira”. Mas chegando em casa passei a refletir um pouco sobre aquela frase.

Quanta ousadia! Quem sou eu para julgar a fé das pessoas? O sujeito do carrão luxuoso acreditava mesmo que foi Deus quem deu aquele carro a ele – neste caso, uma graça ou benção; mas lembrei de um sujeito maluco, já falecido, chamado Frederico,(olha a rima!) que certa vez escreveu: “se a crença é mais importante, torna-se imprescindível lançar o descrédito sobre a razão, o conhecimento e a pesquisa.”

Fredinho era doido de pedra, tanto que chegou a anunciar a morte de Deus. Ou talvez não fosse tão doido assim. Mas essa é outra história. Voltemos ao carrão. Evidente que o cristão vai agradecer a Deus pelas graças alcançadas e pelas vitórias que consegue em sua vida. Só que eu acho exagero atribuir totalmente a aquisição de um bem como um jipe importado - que não é barato - somente à intervenção divina. A frase “foi Deus quem me deu” nos faz pensar que todo o trabalho do sujeito, os estudos, toda a trajetória que ele passou para chegar até aquele bem material de pouco ou nada serviram. Bastou a fé.

Não estou caçoando do cristianismo ou de quem tem a sua fé inabalável em Deus. Nada disso. Apenas tento explicar que essa convicção que as pessoas tem de “para Deus nada é impossível” é bonita, mas pode não ser muito prática. Sempre me lembro de um velho ditado que ouvia do meu avô: “Deus ajuda a quem se ajuda”. Esperar que o Senhor vai te dar um carro importado ou uma mansão enquanto você simplesmente pede, ora e faz doações para a(s) igreja(s) é desprezar a própria capacidade de trabalhar e conquistar aquilo que se deseja. Além de ser alvo fácil de inúmeros picaretas que usam “a palavra” para conseguir “o número”...de sua conta bancária.

Deus vai te ajudar, claro, se você se ajudar. É conhecida a piada do sujeito que faz uma oração a São Jorge pedindo que ele passe os números premiados para jogar na loteria; São Jorge surge e diz ao crente: “Tudo bem, eu passo, mas pelo menos veja se faz o jogo desta vez”.

Eu, particularmente, peço uma única coisa a Deus: saúde. Se ele me der uma forcinha neste item, mesmo que eu não seja lá um "bom filho que segue os preceitos escritos na Bíblia", eu já estou muito feliz. E aí faço a minha parte também: uma caminhada ao menos no fim de semana, alimentação saudável, nada de fast-food, frituras, salgadinhos, gorduras, refrigerantes, doces...tá certo que de vez em quando aparece um diabinho oferecendo um pacotinho de amendoim japonês e aí não tem jeito...mas creio que Deus me perdoa por esse pequeno deslize. E espero que meus raros leitores também, por ter cometido este texto.

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terça-feira, março 16, 2010

Nóis paçou tudo di ano!

Uma nova charge tosca, eca! Clique na imagem para visualizar melhor...se tiver coragem.

“a linga e importante para a prova para letura e mais a linga ingles e importante para quato voce vai fala ou quer liga que falar ingles e e importante pra mim”.


Provavelmente você esteja pensando que eu enlouqueci ou tenha resolvido adaptar os textos deste humilde blog para uma linguagem um tanto diferenciada. Mas não é nada disso: o exemplo com que iniciei este post é um trecho de uma redação de um aluno sob o tema “Por que é importante aprender inglês?”. E se você pensa que tal trecho é resultado de um aluno com 8 ou 9 anos de idade aprendendo a escrever, prepare-se: trata-se de um aluno na faixa etária entre os 16-18 anos, frequentando uma turma em um ciclo correspondente à 5ª / 6ª série do ensino fundamental.

E a pergunta que provavelmente você, leitor, está fazendo agora é: “como este aluno chegou a uma 5ª série dessa maneira?”. A resposta do senso comum diz: “Hoje é proibido reprovar nas escolas, todo mundo passa sem saber ler e nem escrever”. Mas será que é assim mesmo?

Note que o trecho da redação, apesar de ferir a chamada “norma culta” da língua portuguesa, pode ser compreendido, ou seja, o aluno conseguiu, de alguma forma, expressar o que ele pensa. Por incrível que possa parecer, o que foi escrito pode ser considerado um progresso para um aluno entre 16-18 anos de idade neste ciclo de aprendizagem. E, acreditem, há coisas muito piores escritas e lidas por aí.

O aluno “aprovado” dessa maneira é um bom exemplo para ilustrar a chamada “Progressão Continuada”: o aluno tem uma sequência do aprendizado em que são avaliadas as “deficiências” e os progressos ao longo do ano letivo. Estas “deficiências” seriam trabalhadas e reforçadas por professores que elaborariam projetos e metodologias diferenciadas - horários extras, recuperação paralela, ressignificação de conteúdos, etc - para que este aluno aprenda sem que ele precise ser “reprovado de ano”.

Em tese é um sistema que tem seu valor. De certa forma é injusto um aluno ser reprovado apenas em Matemática, por exemplo, e repetir o ano em todas as demais disciplinas em que ele foi aprovado. O ideal é valorizar o que o aluno sabe e trabalhar justamente o seu(s) ponto(s) fraco(s) sem que ele tenha prejuízo quanto à idade/série, evitando uma série de prejuízos para o aluno, inclusive o bullying. ( presente em afirmações como "Seu burro, repetiu de ano", por exemplo)

Um dos “calos” que a educação brasileira enfrenta é a reprovação escolar. Anualmente, cerca de 7 milhões de alunos são reprovados no Brasil. Um único aluno pertencente à rede pública de educação básica tem o custo de R$ 2.632 ao ano. O interesse, além de pedagógico, também é econômico: o país gasta aproximadamente R$ 10 bilhões com esses alunos repetentes. Metodologias e sistemas são incentivados, propostos e até impostos nas escolas para tentar minimizar os prejuízos tanto pedagógicos como econômicos.

E é aí que começam os problemas. O sistema da Progressão Continuada, na teoria, é interessante. Mas há condições para que ele seja adotado nas escolas? Como o professor, diante de uma carga horária excessiva e salas lotadas, terá a flexibilidade necessária para trabalhar conteúdos diversos e dar a atenção necessária aos ritmos de aprendizagem de cada educando? Há uma exigência para que o professor seja flexível, mas o próprio sistema educacional não é. Há aqueles profissionais que conseguem milagres, mas são pontos isolados aqui e ali, tornando-se exceções. Sem contar os problemas extra-classe que os alunos levam para a escola e o próprio entorno da unidade de ensino, muitas vezes determinantes para um aprendizado deficiente e a evasão escolar.
Sob o disfarce de progressão continuada, entra em cena a promoção continuada. Em linhas gerais, é a não repetência, mesmo que o aluno apresente sérias deficiências em sua aprendizagem, mas seja observado algum progresso. Índices de reprovação, se elevados em uma escola, chamam a atenção da secretaria e conselho de educação. Diretores, coordenadores e professores, assim, são “convidados ao desafio de reduzir tais índices”. As “fiscalizações” aparecem na escola, procurando dados, relatórios, diários de frequência e notas, chegam até a analisar a trajetória e os planos de aulas dos professores – eis aí os culpados. Sabem o terremoto no Chile? Culpa dos professores, claro. – para verificar “erros” no processo de ensino-aprendizagem.

Desculpem pelo enrolation-tchon-tchon. Vamos ser claros: o objetivo é reduzir a reprovação de qualquer jeito. E esse “qualquer jeito”, entendam bem, acontece sob disfarces de metodologias e sistemas que em (boa) tese busquem a promoção do aprendizado quando, na verdade, demonstra que há maior preocupação em relação aos prejuízos econômicos que a reprovação traz ao país. Não se trata, aqui, em defender a chamada "cultura da reprovação" - há quem pense, e não é raro encontrar, que "sem reprovação não ocorre aprendizagem" e isso é uma bobagem; Trata-se do básico, do bê-a-bá: implantar métodos e sistemas sem levar em conta as diversas realidades e problemas educacionais que temos no país é implantar o "faz de conta".

A reprovação escolar, sem dúvida, é uma grande frustração para crianças e jovens, mas tão frustrante quanto repetir o ano é descobrir, no futuro, que foi “enganado”. Como aquele atleta convencido que saltava uma distância de 5 metros quando, na verdade, mal chegava aos 5 centímetros...

WELCOME TO THE JUNGLE!
Axl Enrolose parou o show do Guns n' Cover em São Paulo. Mas foi ele quem pediu...
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quarta-feira, março 10, 2010

Eu, o alienado!

(hic! Não liguem para a charge...eu estava num baile funk quando a desenhei! Hic!)

Confesso que me sinto envergonhado com minha própria alienação. Não sei o que é “Avatar”, “Guerra ao Terror” parece com alguma frase dita por George Bush, crepúsculo é um fenômeno meteorológico, perguntaram o que achei sobre o “Oscar” e pensei que se tratava do nosso cestinha Oscar Mão Santa e, por fim, “Dourado”, pra mim, é apenas um peixe.

Então eu preciso me atualizar. Todo mundo comentando sobre essas coisas e eu absolutamente por fora. Culpa do trabalho, essa nobre invenção que disseram “enobrecer”. No meu caso, ainda vai me “empobrecer”, sobretudo quando se trabalha no setor da educação. Então resolvi tirar um tempinho para me atualizar com algumas notícias e não sei se fiz o correto: liguei a televisão e zapeei pelos canais!

ZAP! Eu sei que dia 08 de Março foi o Dia Internacional da Mulher. Parabéns a todas as mulheres, mas quem resume bem a situação das mulheres no Brasil é o goleiro Bruno, do Flamengo. Olhem quanta sensibilidade: “Muitos que são casados sabem que, às vezes, em um relacionamento, é preciso uma discussão, ou até mesmo algo mais sério. Quem nunca brigou ou até saiu na mão com a mulher?. Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, xará. Quando a adrenalina está alta não tem lugar”.

É melhor eu mudar de canal...ZAP! Opa, mais Flamengo? É como dizem, “uma vez Flamengo, sempre Flamengo”, o tempo todo na TV. E é o caso do jogador Adriano, mais uma vez metido em encrencas, agora em um “barraco armado” com a noiva numa favela no Rio de Janeiro. Uns dizem que o problema do “Imperador” é o alcoolismo, outros negam que o jogador seja alcoólatra. A convocação do jogador para a Copa do Mundo em Junho corre sério risco. O técnico Dunga não gosta desses comportamentos e quer evitar a “galera da balada”, como aconteceu em 2006 com Ronaldo, Roberto Carlos e cia.

ZAP! Ei, mas o que é isso? Comercial de Cerveja! E olha quem está ali...é o Dunga, técnico da seleção! E quem é aquele? É o Luís Fabiano, atacante da seleção! Puxa, que interessante! Todo mundo fala do suposto alcoolismo do jogador Adriano, mas ninguém comenta estas propagandas? Estaria com a razão o dr. Pangloss, personagem criado por Voltaire para satirizar o filósofo, cientista e matemático Leibinz no impagável “Cândido ou o Otimismo”? Segundo Pangloss, “vivemos no melhor dos mundos” e acho que eu sou um chato: a “inocente cervejinha” que é estimulada ao consumo pela propaganda incessante na TV, é uma bebida alcoólica. A seleção brasileira pode não trazer o título da África do Sul, mas Dunga e Luís Fabiano ajudarão a manter o Brasil nas primeiras posições no ranking de "trânsito assassino", já que boa causa dos acidentes envolve motoristas embriagados.

E ZAP! Hora dos comerciais. E propaganda de uma TV por assinatura, a SKY. Lembrei-me de um causo. Dia desses, na sala de aula, coloquei no quadro a palavra “SKY” e perguntei se alguém sabia o que ela significava. Um aluno tomou a palavra e respondeu, decididamente: “Significa TV!”. Ora, falantes que somos todos da língua de Shakespeare, sabemos que SKY, em português, é “céu”. O que parece apenas uma piada sem graça demonstra o quão influente e eficaz é a propaganda na TV a ponto de transformar marcas de fantasia em substantivos ou expressões correntes. Tem aí um Gillete?

Chega de comerciais! ZAP! Nossa, um massacre na Nigéria deixou centenas de mortos. Quer dizer, não se sabe se são 500 ou 55 mortos, entre mulheres e crianças. De qualquer é terrível. Dizem que o motivo é a disputa por terras e até mesmo, claro, petróleo. Mas o que foi utilizado para justificar os massacres que vem acontecendo naquele país há anos? Claro, a religião! A velha pendenga entre cristãos e muçulmanos. E mais uma vez a religião é utilizada para fins bem diferentes do que “ligar o homem ao divino”. Nessas horas me lembro do diálogo entre o Dr. Pangloss e o “herege” Tiago, sobre os homens: “Deus não lhes deu nem canhões (...) nem baionetas, mas eles fizeram baionetas e canhões para se destruírem”.

Chega, é hora de desligar a TV. Sei não, acho que tenho a sensação de que prefiro continuar “alienado” de certas coisas. Agora, se me dão licença, volto ao meu trabalho ao som de “Paradise City”, do Tio Axl Enrolose que faz turnê pelo Brasil com o Guns n’ Cover. Vai ver sou mesmo um saudosista.

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quarta-feira, março 03, 2010

Eu quero um "Especialista de Simplicidade"

(eu sei que ninguém sentiu falta das minhas toscas charges, mas mesmo assim eu insisto...dê um clique)

Ultimamente ando um tanto questionador e não acho isso ruim. A dúvida movimenta a busca para a solução. Isso foi tão profundo quanto uma frase de Paulo Coelho, então vamos deixar de filosofia de botequim e partir logo “pros finalmente”: qual destas atividades é pior:

a) autenticar documento ou reconhecer firma em um cartório;
b) solicitar qualquer serviço no DETRAN de sua cidade;
c) tentar resolver um problema qualquer, uma cobrança indevida ou cancelar algum serviço junto à operadora telefônica do seu estado;
d) dar entrada em um processo de aposentadoria junto ao INSS;
e) fazer a declaração de imposto de renda você mesmo, sem cair na malha fina e receber a restituição justa e rapidamente;
f) todas as alternativas acima e mais um monte de outras atividades.

Difícil, não é? Lidar com essas coisas é realmente muito complicado, leva tempo, dinheiro – principalmente se tiver que rolar um “cafezinho” pro funcionário liberar um documento qualquer – e, principalmente, é necessário ter uma bela e farta paciência! E pensar que todo mundo achava que com o computador tudo seria mais rápido, prático, eficiente e, principalmente, acabaria o reinado das “xérox da identidade e comprovante de residência”.

Mas não fique desiludido! Em breve existirão profissionais para resolver todos esses problemas! Tratam-se dos “Especialistas em Simplicidade”! Não é uma maravilha? E o que me diz dos “Conselheiros de Aposentadoria”? Eu acho sensacional. São as chamadas “profissões do futuro”.

Confesso que me decepcionei um pouco com a descrição de um “Especialistas em Simplicidade”, que são (ou serão) os profissionais responsáveis em simplificar e melhorar a eficiência da tecnologia da informação das empresas. Mas não duvido nada de um “desvio de função” e logo esses profissionais serão contratados por cidadãos comuns para resolver os problemas mais básicos, como a simples troca de um monitor comprovadamente com defeito de fábrica e que leva dias, até meses e ninguém te dá uma solução.

É claro que para alguns setores – DETRANs, cartórios e prefeituras – já temos o nosso “especialista em simplicidade” camarada, o grande Despachante, que sempre consegue dar um “jeitinho” para agilizar os serviços mais complicados que aparecem ao lidar com essas instituições. Eu acho incrível o progresso científico e tecnológico da humanidade, porém mais incrível ainda é quem consegue bolar sistemas tão burocráticos que ninguém consegue dar um fim. Sinceramente, isso não é para qualquer um, as mentes que criaram tais sistemas devem ser muito complexas – o que talvez explique a razão para que nós, simplórios, sejamos tão incapazes de compreender certos mecanismos.

Diriam que não precisamos compreender, e sim nos submeter e pronto. Vai saber? De qualquer forma, aguardo ansioso por um “Especialista em Simplicidade” para simplificar meu dia a dia. E talvez assim eu disponha de mais tempo para deixar de lado a filosofia e ficar só no botequim. Mas só na base do guaraná e suco natural. Ou será que quero complicar demais?

CONCURSO CULTURAL DA REVISTA SUNSHINE

Se você tem o dom da escrita ( contos, crônicas e poesias) e do desenho, não deixe de participar do concurso cultural da Revista Sunshine e tenha o seu trabalho publicado na mais charmosa e-magazine da grande rede! Saiba mais clicando na ilustração abaixo e participe!

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