quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Mas que droga!


“Vejam só que Festa de Arromba
No outro dia, eu fui parar
Presentes no local
O rádio e a televisão
Cinema, mil jornais
Muita gente, confusão”
Erasmo Carlos

Não é segredo para ninguém que a Bahia gosta de uma festa, vide o carnaval, micaretas, lavagens, procissões e o que mais aparecer de data comemorativa – ou não, parafraseando Caetano Veloso e o pensador Cleber Machado.

Mas tem uma “gente boa” abusando das “Festas de Arromba” por aqui. Em Feira de Santana, a 100km de Salvador, a polícia foi dar uma olhada numa festinha de aniversário que acontecia em uma elegante casa de eventos na cidade e prendeu mais de 100 pessoas, das quais 60 são traficantes ou tem alguma associação com o tráfico de drogas. A festança, que contava com a presença até de crianças de colo, tinha vários atrativos: som alto, piscina, cerveja, uísque e, claro, todos os tipos de drogas no melhor esquema “self service”.

Esta festa em Feira de Santana aconteceu dia 23 de Fevereiro, na terça-feira. Fato isolado? Que nada: como cantaria o vocalista do Chiclete com Banana, “é festa! é festa!”. Pois ontem, dia 24 de Fevereiro, quarta-feira, a polícia foi dar uma olhada em uma outra festinha, desta vez em Salvador, e o resultado foi 32 presos – sendo que 12 destes são “menores de idade”. De tanto dançarem o “Rebolation-chon-chon”, dançaram pra valer.

Ao invés do excelentíssimo governador do estado da Bahia se preocupar com propaganda e com uma ponte megalomaníaca ligando Salvador à Ilha de Itaparica – ao custo aproximado de R$ 2 bilhões – acho bom ele se preocupar de fato em construir presídios, porque se a “gente boa” continuar levando a sério a música “e vai rolar a festa”, vai faltar lugar para prender toda essa galera festeira.

É UMA DROGA!

Estes fatos incendeiam mais ainda a eterna discussão sobre uma política antidrogas no país. A simples repressão criminal parece não surtir efeito e é cada vez mais o número de pessoas envolvidas com drogas ilícitas direta ou indiretamente. Note: drogas ilícitas, como cocaína, maconha, crack. Desde que o homem iniciou sua trajetória neste simpático planetinha ele se envolve com drogas de todos os tipos, inclusive o álcool. Até na Bíblia encontramos relatos de porres históricos, como o de Noé. Sem falar em verdadeiras obras-primas artísticas que foram realizadas sob inspiração de estimulantes diversos. Tem música e livro por aí que é uma verdadeira “viagem”, mano! E até no seu simpático e suado dinheirinho: até 80% das cédulas de real no Brasil tem resquícios de cocaína, acredite se quiser e leia aqui - é bom colocar o link para que alguns doidos não saiam por aí cheirando as notas de real pra saber se é verdade ou não.

Evidente que a repressão criminal é obrigatória. No entanto é preciso haver políticas de prevenção mais eficazes do que simples outdoors espalhados pelas ruas e propagandas veiculadas na TV. A escola tenta desempenhar um trabalho preventivo/informativo, porém o ambiente que a cerca é, muitas vezes, dominada por traficantes. E as drogas atingem todas as classes sociais, não é “exclusividade” dos mais pobres e nem de escolas de periferia, por exemplo – há muitos ( muitos mesmo!) colégios particulares caríssimos que omitem certos casos temendo a “propaganda negativa”.

E há um agravante: o tráfico de drogas só perde para a venda de armas e à pirataria no ranking das atividades ilegais mais lucrativas no mundo. É um negócio que movimenta US$ 400 bilhões por ano e mesmo com as políticas repressivas, não há prejuízo – para os barões das drogas, evidente. E o tráfico tem diversas ramificações, desde os morros e periferias das cidades às mansões em bairros nobres passando por escalões oficiais do governo e demais poderes constituídos.

Mas o que fazer efetivamente para ao menos reduzir o consumo de drogas como a cocaína, o crack, álcool e tantas outras substâncias? Há quem defenda a descriminalização das drogas, e gente “de peso” como o ex-presidente e pavão político FHC I e II, o insano; outros pregam maior repressão e penas pesadas tanto para traficantes como aos usuários; outros alegam que o estado não deve mais se omitir às suas responsabilidades na área social.

O autor deste blog, que só escreve bobagens, faz o convite aos seus 3 ou 4 corajosos e pacientes leitores e os convida para uma festa – podem ficar tranquilos que eu não vou chamar a “gente boa” do começo desse texto – democrática e passa a bola para vocês: o que fazer para reduzir o consumo de drogas no país?

Sigam-me na droga do twitter: www.twitter.com/jaimeguimaraess

22 comentários:

  1. Um problema cada vez mais frequente e real, mas parece que as pessoas vedaram seus olhos e não querem saber de solução.
    Criar leis mais severas pode ser a solução.

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  2. Sem dúvida, certas coisas me causam uma DEPREÇÃO profunda, mesmo. Fazer o que, é o PRESSO que se paga...rs

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  3. pois é....dificil msm é combater esse mal da nossa sociedade, imaginar um mundo sem drogas é até díficil né, estaríamos livres de tanta coisa, a maior parte dos crimes são decorrentes das drogas....teríamos um mundo melhor...mas o planalto esta se ocupando de crimes locais, dos ratos que infectaram Brasília...
    então....

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  4. Só morando em Feira para saber como anda esta cidade... Triste,triste.

    Mas pelo menos tirou uma galera - por um tempo - de circulação. Pena que não resolva.

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  5. Complicado mesmo isso. Até agora não vejo uma receita. Talvez tudo ao mesmo tempo...talvez algo em que ninguém pensou...

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  6. Isso é pergunta que se faça? rsrsrs
    Difícil, viu. Mas enquanto existirem os aliciadores e os traficantes o consumo não vai acabar, pois tem muita gente fraca que se deixa levar pela tentativa de alívio momentâneo de seus problemas proporcionado pelas drogas e não percebe que não conseguirá se livrar desses problemas e ainda vai ganhar outro pior!
    Além disso, pais irresponsáveis estão dando em árvores e quanto mais criança e adolescente solto na vida, mais gente para se aproveitar da situação!
    É por essas e outras que quero morrer quando vejo gente convocando para Marcha da Maconha. Já pensou se fosse tudo liberado?

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  7. Não existe nenhuma lei que proíba alguém de enfiar o dedo na tomada, também não tem lei que proíba de consumir veneno mata-rato.
    Mas estranho... Não tem muita gente que faça essas coisas não... Por que será?

    Eu continuo afirmando que o lucro do tráfico só existe poque é tráfico, e o interesse de muitos jovens e crianças só existe porque é proibido.
    Sou a favor de legalizar, liberar de vez e cada qual que cuide da sua própria vida.

    Se "vai faltar lugar para prender toda essa galera festeira", então que não prendam.
    Já não ficou suficientemente claro que décadas de repressão não resolveram nada? Lembro que errar é humano, mas insistir no erro é estupidez. Por que então insistir no que não resolve?

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  8. O que acontece é que as leis aqui são brandas demais, ou melhor, a execução delas. Aqui bandidos têm seus "direitos humanos" muito mais respeitados do que os de trabalhadores honestos. "Os assassinos estão livres, nós não estamos", dizia Renato Russo. Indulto de natal e dia das mães mais me parece uma piada, "seria engraçado se não fosse triste". A coisa aqui deveria ser muito mais radical, não basta proibir, tem que haver coação mesmo.

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  9. O fato é: o usuário banca o crime. Sim! Por que se o tráfico tem a força que tem, o armamento que tem, alguém banca! E um desses "investidores" com certeza é o usuário.
    Não é um problema fácil de se resolver nem para o Brasil e nem para o mundo... Se fosse fácil o tráfico não movimentária o imperio global que tem.
    Acho que o usuário deve ser punido tbm! Por que se ele investe no trafico ele deve pagar pelo crime cometido!
    Beijos, beijos, beijos!!!

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  10. Meu grande Jaime, na concomitância da repressão com a educação visando prevenir, há que se fazer uma espécie de operação mãos limpas, envolvendo autoridades, seja de qual escalão for. A droga é um atrativo, sem dúvida, mas é, principalmente (e aí é que mora a tragédia) um grande e lucrativo negócio para polícias, juízes, (des)ilustres parlamentares e outras pessoas de forte poder de influência na sociedade. Acontece então que só os incautos vão ser penalizados e só os de sempre não sofrerão qualquer incômodo, fazendo reinar sua absoluta hipocrisia. obrigado pela atenção de sempre. Meu abraço. Paz e bem.

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  11. Nossa..essa é uma pergunta que me faço quase que diariamente.Em cada novo atentendimento..sou Assistente Social e convivo bem de perto com usuários, familiares e amigos de usuários. Bom a questão é realmente muito complexa e por isso mesmo precisa ser analisada de diversos ângulos. Não adianta pensar que construindo mais presidios vai resolver, prender mais pessoas...simplesmente legalizar ou coibir ainda mais o uso. Pra mim a questão é que as pessoas e estou falando aqui de um grupo específico: os mais pobres, encontram-se sem a mais absoluta alternativa eu atendo pessoas que não tem nada a perder e a droga acaba sendo o melhor dos refúgios o crack principalmente. Alguns vão dizer que isso é discurso de assistente social que vê todo mundo como coitadinho etc...mas enfim..eu penso que o investimento tem que ser na educação e na qualidade de vida das pessoas. O que adianta oferecer tratamento aos dependentes se quando eles terminam acabam voltando pra mesma realidade de onde sairam.
    Precisamos bem mais que policiais nas ruas ou delegacias e pres[idios, de uma educação de qualidade para todos e políticas públicas efetivas que garantam pelo menos o direito de escolha às pessoas. Agora não adianta as pessoas ficarem propagando que são contra o uso e etc quando temos vários amigos que fumam maconha com a maior naturalidade do mundo..ai alguém pode dizer que a maconha é diferente..é menos pesada..e eu perguntaria...e de quem você compra?? Não seria de um traficante? Nós..em maior ou menor grau alimentamos todos os dias essa máquina na medida que somos coniventes e chamamos o preto pobre da favela de maconheiro e o branco classe média usuário de amigo.

    Ai desculpa..falei demais..mas é que o tema é realmente pesado pra mim....de tudi isso o que quis dizer e não sei se consegui falar é que a responsabilidade é nossa tb..não só dos politicos que nós elegemos..não só da polícia não só de quem usa.A responsabilidade é minha e sua de tomar uma posição e ser intransigente quanto a ela. Não admitir o uso em seu espaço de convívio...conversar com usuários que vc conhece a respeito..problematizar..entender os motivos e ferecer ajuda. Esse é o nosso papel. Não somos meros coadjuvantes apesar dessa posição ser muito mais cômoda.

    Bjosss

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  12. Ah, que pergunta fácil!!! Manda uma mais difícil! rsrs

    Meu amigo Jaime, não sei o que dizer sobre esse texto. Sabe aquela sensação de que é um caso perdido, de que não há como remediar essa situação?
    Essa sensação de impotência toma conta de mim quando se trata desse assunto. O tráfico de drogas é muito lucrativo para todos os envolvidos, dos traficantes até os políticos mais poderosos e a própria polícia.
    Se isso não é vergonhoso? Não tenho dúvidas disso. O nosso Brasil está cada vez queimando mais o seu filme, não só diante de nós mesmos, brasileiros, mas diante do mundo.
    Realidade cruel essa...

    Abraços e bom domingo!

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  13. CAra e ainda pensaram em legalizar a maconha, MEU DEus, que isso não seja possivel nunca!
    ...
    Eu acho que o governo deveria investir mais em campanhas, e mais importante ainda deveria ir seriamente em busca dos grandes traficantes do país, e não deixarem que essas drogas circulem por aii.
    Eu lembro e quando fiz o PROERD aprendi algumas coisas, mas acho que o ensino deveria ser bem mais pesado, sei que são crianças, mas é por ai que temos que começar...
    bom final de semana :D

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  14. Muito bem escrito! Esse pessoal, quando vai preso é o mesmo do seu comentário no meu blog sobre o auxilio-reclusão(aliás, parabéns pelo comentário).
    Sou a favor do sequestro dos bens dos traficantes, e de penalidades mais severas.Mas, de nada adianta se a corrupão continuar brotando no meio da polícia e dos políticos. Há muita gente "graúda" interessada em que grandes traficantes não sejam neutralizados. Dinheiro de droga alimenta muitas bocas, inclusive em Brasília. A corrupção é a mãe de todos os outros crimes, e a impunidade é o pai. Na Itália, nos anos 90, foi feita a "operação Mãos limpas" que livrou o país de uma grande parte da máfia, e incluiu no pacote os políticos, policiais e até juízes corruptos. Alguns direitos desses canalhas foram suspensos para se chegar a um final esperado. Aqui no Brasil os advogados da bandidagem tem apoio dos direitos humanos e e do Constituição. Fazer o que?

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  15. Oi Jaime, tudo bem?
    Li o seu texto, sou daqui de Feira de SAntana, e essas festaspor aqui e pelo Brasil são mais comuns do que o povo pensa. Tive contato com uns jornalistas, certa vez, que me falaram que as festinhas dos políticos de Brasília são nesse estilo. Se os nossos governantes tem atitudes como esta, como cobrar uma campanha anti-drogas?? Eu acho difícil. Eu sou a favor da descriminalização da maconha como há em alguns países o uso controlado, que reduziu e muito problemas com tráfico, violência, etc. Só que não adianta fazer isso com a maconha e as outras drogas continuarem ilícitas financiando o tráfico também. Políticas de educação sim, são boas opções, mas tudo tem que ser levado muito a sério, mas essas medidas demoram, seria preciso algo que fosse mais rápido nessse combate, e talvez leis mais severas e uma fiscalização muito maior fosse ágil nesse sentido. Mas sinceramente, muitas e muitas pessoas consomem drogras, e essas pesssoas estão no poder, e também na fiscalização, então como garantir um funcionamento eficaz? Eu não tenho esperança quanto a esse problema.

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  16. Fala sério! Eu ando mais sumido que cabeça de bacalhau e quando resolvo aparecer, você me faz uma pergunta dessas... Peraí que eu volto outra hora! Uahhahhahhahha!!!

    Questão difícil. Eu vivo no Rio e isso, por si só, me torna meio que "entendido" do assunto. Não me refiro às drogas, porque essas, nunca experimentei, mas o que elas são capazes de fazer. Não é novidade pra ninguém que a violência cada vez maior da cidade tem ligação direta com o tráfico de entorpecentes.

    Legalizar? Sei lá. Ficava bonito na música do Planet Hemp. Tem prós e contras - talvez mais contras do que prós. Agora, é fato que usuário e traficante não é a mesma coisa. Então qual é o caminho? Qual seria a solução?

    Sinceramente? Não sei, e me envergonho por, num caso como esse, não ter uma posição definida. Sabe o popular "em cima do muro"? Então, tô trepado nele. Vou dar uma descida e aí, depois, te conto o que descobri.

    Abração, Jaimão! E vê se da próxima vez, pega leve...

    Uahhahahhahhahaa!!!!

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  17. Caramba, que coincidência!

    Acabei de postar sobre uma "festa" que entrei de gaiata nesse estilo aí, só que espero eu, um pouco menos da pesada!
    É tenebrosoooo!

    beijos!

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  18. ps: sou eu, a Alina, criei um blog novo, comentei no seu orkut.
    bjs!

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  19. Eita festa da mulesta,cara! VC escreveu certo p/linhas certas.Resultado,virei seguidora!
    Cabra de Mundo Novo é cabra -macho mesmo.
    Obrigada pela visita e por ler a estória real da minha mãe,"fessora" n os anos 30,no interior da Bahia.Voltarei! bjks

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