segunda-feira, novembro 30, 2009

Serjão ou o otimismo (Panetones e cia)


AVISO: Em respeito às nobres senhoritas e senhoras que acessam este tosco blog e, principalmente, para conservar a pureza e inocência das crianças e adolescentes que caem aqui por acaso enquanto fazem “pesquisa escolar” na net, omitimos os palavrões vomitados por uma das personagens desta inútil crônica, afinal aqui é um espaço familiar, p****!

Gosto de sentar numa mesa de bar com o meu amigo Serjão, que em termos de beberagem só fica atrás do Bukowski e do Fausto Wolff e ainda assim tenho dúvidas se ficaria mesmo em desvantagem. Mas ao contrário do velho safado, que dava vexames e do velho lobo que chorava como criança quando ficavam bêbados, Serjão desanda a falar e geralmente fala com propriedade e lucidez impressionante para quem acaba de secar copos e mais copos de cerveja. Não perde a erudição, mas só abusa um pouquinho dos palavrões, mas nada que seja muito assustador perto de uma sala de aula, por exemplo. Eu, que encontrei Jesus ( a dra. Cristina de Jesus, que me aconselhou ficar longe do álcool, salgadinhos e outros venenos que entopem as artérias e causam impotência), fiquei com a minha limonada trocando uma ideia com o Serjão.

- É, Serjão, meu velho...o ano tá acabando! E passou rápido!
- Foi, e esses filhos da p**** aceleram o tempo! Desde Outubro já estavam com essas musiquinhas chatas de Natal pra todo o lado! P***, que negócio irritante!
- Ah, qualé, Serjão, cadê o seu lado criança? Deixe-se levar pela magia do Natal, do Papai Noel...
- Que p**** de Papai Noel o cacete! Natal é negócio, meu caro, é dinheiro! Vê se a molecada pobre lá da favela tem essa p**** de magia do c**** dessa m**** de Natal importado dos EUA! P***, os caras fazem uma decoração com motivos de inverno em plena periferia sob um calor de 30 graus! Somos é muito otários mesmo!
- Serjão, não precisa ficar nervoso, toma aí sua cerveja. O seu problema é que tu é um cara muito pessimista, sabe?
- E como não ser, c****? Como é que alguém pode ser otimista neste c* de país? Me diz aí, senhor Pollyana, como?
- Sei lá, cara, mas ficar xingando...
- Xingo porque não tem outro jeito e se o povo ao menos xingasse melhorava! Mas nem isso. Só xingam a mãe do juiz que roubou o time, só isso. Aliás, nem a m*** do meu time tem mais dignidade: entregaram o jogo praquele time que conta com a simpatia da maior rede de televisão do país, aqueles mafiosos!
- Peraí, Serjão, aí já é demais, cê tá delirando!
- Delirando? P***, vai t**** no c***, c****! Eu já estou com quase 40 anos, já passei da fase de acreditar em duende e sei bem o que estou dizendo! É como diria a Margarida lá do Fausto, livro daquele alemão metido a filósofo, o Goethe: Tudo gira em torno da grana, meu caro, aprenda isso, você que ainda é jovem!
- Sou extremamente jovem!
- E burro, pelo jeito. Olhaí outro escândalo de um político filho da p***! E o pior é que o desgraçado já aprontou uma vez e deveria ter sido condenado, mas nessa m**** de país a cadeia é só pra pobre e o filho da p*** voltou pro poder e, diga-se de passagem, graças a um monte de c**** que votou nele de novo! E pra justificar a propina, veja só, o cara teve a cara de pau de falar que 50 mil reais era pra comprar Panetone pros pobres! P**** que p****!!! Vá se f****, raça maldita!
- É, é a versão moderna da Maria Antonieta...hehehe! Pena que não tenha uma guilhotina pra esse caso.
- Que guilhotina o que, rapaz! Tinha que ter uma revolução nesta m*** de país, isso sim! Primeiro cortava as cabeças dessa raça toda e depois invadia o palácio e expulsava a corriola a chutes e pontapés mesmo!
- Calma, Serjão, não precisa ser radical também...
- Pô, vou te dizer uma coisa: gosto de você, mas você é ingênuo pra p***, hein? As coisas aqui nesse país só se conseguem mesmo na base da porrada, da truculência, a história do Brasil foi construída assim, na base do cacete e da malandragem!
- Quer dizer que não tem solução?
- Lógico que tem, p****! É entrar no ritmo do povão, que nem liga pra essas coisas e é até capaz de cobrar os panetones na cesta básica! E logo tá todo mundo dançando o “pagode do Panetone” ou “a dança da arruda” porque aqui tudo termina em festa mesmo. Mas eu prefiro a outra solução!
- Qual?
- Ô Manolo, traz mais uma garrafa, c*****!

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quarta-feira, novembro 25, 2009

E quem se importa com livrarias fechando as portas?

(yes, a charge é minha. Pode xingar, mas seja gentil)
Outro dia me perguntaram qual era o meu local preferido no Shopping Center. Respondi que era a porta de saída, o que não deixa de ser uma verdade, mas uma meia verdade: tem também as livrarias, que eu sempre gosto de visitar e folhear algumas obras interessantes – e quando sobra um trocado, levo o livro para casa.

Há poucos dias fui ao Shopping e, claro, dei uma passadinha em uma livraria que eu gosto bastante. Mas havia algo estranho: primeiro, parecia que o estoque não renovava e algumas prateleiras estavam vazias; e o mais estranho de tudo: a loja oferecia um desconto de 30% em todos os livros.

Então o negócio é aproveitar! Não é todos os dias que tem uma “promoção” assim na livraria, não é? Mas antes de caçar alguns bons livros, vou tirar uma pequena dúvida com o proprietário da livraria:

- Não me diga que estão fechando a loja...
- Digo, sim. Infelizmente.
- Bom, nem vou perguntar o motivo.
- É, é só dar uma olhada na loja.

Quase vazia, mesmo com o cartaz enorme na fachada anunciando o desconto. E desta forma mais uma livraria na cidade fecha suas portas, ao passo que casas de shows e bandas de pagode que fazem sucesso com letras didáticas proliferam na capital baiana.

É complicado apontar apenas uma causa para o fato do brasileiro não dar importância para a leitura. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro apenas confirmou o que já se sabia: o contingente de leitores no país é muito reduzido. Há diversos fatores para que isso aconteça: falta de estímulo à leitura, preço dos livros, concorrência com a mídia eletrônica, analfabetismo, enfim, há uma gama de justificativas.

De fato, pagar R$ 20 por um pocket book, por exemplo, é uma afronta, mas se pensarmos que um sábado à noite em um pagodão “Todo Enfiado” ou nos funks “Atoladinhos” regado com a cervejinha leva tranquilamente 30 conto do cidadão não há muito sentido falar em “custo”, e sim em “prioridade” e “estímulo”; o livro continua sendo caro, sim, para quem ganha um salário mínimo e precisa sustentar a família.

E as bibliotecas das escolas: por que quase sempre vazias ou até mesmo servindo como “motelzinho” para namoricos de alunos, como acontece em algumas unidades escolares? Há quem diga em falta de incentivo à leitura nas escolas, mas eu prefiro dizer que falta continuidade. As crianças, na educação infantil e nas séries iniciais do ensino fundamental I ( o velho primário) começam a ouvir as histórias contadas pelas professoras, frequentam a biblioteca, escolhem livros para ler, são movidas pela curiosidade de uma ilustração e assim são “fisgadas” ( o trabalho de um ilustrador de livro infantil é muito importante e deveria ser mais valorizado, assim como as Histórias em Quadrinhos). No entanto não há continuidade ao longo dos anos escolares, chegando ao ensino fundamental II (ginásio) quando finalmente há a “obrigatoriedade” da leitura. Isso afugenta as crianças e pré-adolescentes, que vêem a mídia eletrônica como algo muito mais prazeroso e divertido. E a leitura deveria ser isso nas escolas: prazerosa e divertida.

Mas não é só a escola. A própria pesquisa do Instituto Pró-Leitura demonstra que 63% dos não-leitores jamais viram os pais lendo algum livro. Aí poderíamos ter variantes como analfabetismo, baixa formação ou simplesmente desinteresse nas camadas sociais mais “privilegiadas”. O tempo passa, novas formas de se pensar e se relacionar assumem papeis relevantes na sociedade, mas a boa e velha ‘formação familiar’ ainda é fundamental. Uma pena que o próprio conceito de “família” vem se modificando, mas essa é outra história.

E o que irá substituir aquela livraria no shopping? Não sei e nem procurei saber. Talvez uma dessas lojas que vendem aparelhos de celular ou um stand do estilo “Central do Carnaval”. Ou, quem sabe, uma grande lanchonete de fast food pra entupir as artérias de todo mundo. Isso, sim, faz falta para as pessoas. Uma livraria a menos não importa.

PS: aproveitei a promoção e adquiri o delicioso “Confissões de um Anjo da Guarda”, de Carlos Trigueiro e “À Mão Esquerda”, do genial Fausto Wolff. Enquanto isso, o stand de vendas pro Reveillon com Ivete Sangalo e Psirico (ao menos tem Vanessa da Mata pra salvar a passagem de ano), com ingressos mais baratos custando R$ 130, “bombava”!


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terça-feira, novembro 17, 2009

FEBEAPA II - Mais do mesmo

(pra variar, outra charge tosca para rodar o mundo! Eu sei que deveria ter vergonha disso...)

Já escrevi em outra oportunidade aqui mesmo neste pouco acessado blog sobre o FEBEAPA – Festival de Besteiras que Assola o País, termo criado pelo genial coleguinha Stanislaw Ponte Preta para referir-se de forma muito bem humorada e sarcástica às...bobagens que assolam o país, ora essa!

Herdeiro da tradição do grande Stanislaw, mas sem o talento do falecido cronista, resolvi trazer 3 exemplos de como o FEBEAPA continua firme e forte no país e o material é de (pouca)qualidade! Gostaria de agradecer a todas as personalidades que ajudam a manter o festival.

Olhem que legal: Dona Canô desistiu de ligar pro presidente Lula! Que? Não sabem quem é Dona Canô? Ah, é porque você não mora na Bahia. É uma simpática velhinha de 102 anos que é apenas mãe do Caretano Seboso e da Maria Betânia. E isso basta para torná-la celebridade por aqui, com o seu nome batizando viadutos, ruas, praças, sambas e o que mais puder para puxar o saco dos filhos ilustres. Mas Dona Canô queria ligar pro Lula para pedir desculpas pelo filho, o Caretano, que chamou o presidente de analfabeto, grosseiro e sei lá mais o que. Eu fiquei decepcionado: esperava que Dona Canô falasse algo mais interessante pro Lula, coisa do tipo “aumenta a nossa aposentadoria”.

Aliás, quem chama o Lula de analfabeto, sem querer defender o ex-cumpanhero, deveria aproveitar que é alfabetizado e procurar saber o que é de fato um analfabeto. O presidente pode não saber de um monte de coisa ( e isso ele sabe muito bem), mas analfa, definitivamente, não.

E eu, em nome dos milhares de blogueiros que existem no Brasil, gostaria de agradecer ao juiz Pedro Sakamoto, da 13ª Vara ( por que chamam de “vara”? que estranho!) civil de Cuiabá, que proibiu dois blogueiros de “emitirem opiniões pessoais” sobre o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Pedro Riva. Segundo o Ministério Público, o cidadão faria parte de um esquema que desviou cerca de R$ 80 milhões da Assembleia.

Desta forma, gostaria de agradecer ao juiz por: a) multiplicar bastante o número de blogueiros que emitirão opiniões pessoais sobre o assunto; b) tornar tais denúncias conhecidas em todo o território nacional; c) dar uma lição, na prática, de como os blogs incomodam um bocado os setores mais conservadores que ainda não se deram conta da revolução que está acontecendo em termos de comunicação no planeta. Gracias, juiz!

Vocês já estão com a paciência mais curta do que minissaia quando ainda lêem alguma coisa relacionada à doce Geisy, aluna da UNIBAN que desfilou toda sua graça, simpatia e belas coxas nos corredores da faculdade e deu aquela confusão toda. Mas ainda há muitos que buscam respostas para um comportamento tão agressivo com a moça da minissaia. O genial jornalista Gilberto DimEINSTEIN parece ter encontrado a resposta,recheada de dados e estatísticas: a culpa, pelo jeito, é da “ascensão das classes C e D ao ensino superior”. Trocando em miúdos: pobre, na faculdade, só faz merda! Talvez tenha sido isso que o jornalista quis dizer com “esse pessoal vai fazer cada vez mais barulho”. É, pobre é PHoda, mesmo! Baixa o som ae, mano!

Diante de tantos exemplos do FEBEAPA, durma-se com um barulho desses! O coleguinha Stanislaw continuaria tendo um vastíssimo material para trabalhar.

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sexta-feira, novembro 13, 2009

Foi a Pirataria que venceu?

(sim, a charge tosca é minha. Clique para ver melhor os detalhes grotescos)

Eu já afirmei por aqui que não sou muito chegado a cinema de um modo geral. Para eu entrar em uma sala de cinema e desfrutar da “sedução da 7ª arte” tem que haver muito poder de convencimento por parte da outra pessoa - evidentemente que do sexo feminino, afinal estamos falando em “sedução”e, se o filme for ruim, parte-se para outras atividades no escurinho. E ser for bom, também. Mas essa é outra história.

Nem sala de cinema, nem TV, nem DVD. Sempre preferi a literatura e a música para meus momentos de lazer. Uma questão de gosto, apesar de ter assistido a alguns bons filmes na vida. Gosto de alguns clássicos como as comédias incríveis do Monty Phyton, um e outro do Hitchock, “Cidadão Kane” ( que já assisti umas 3 ou 4 vezes) e uns filmes mais "atuais" e esquisitos como o sensacional “Trainspointing” (e a trilha sonora é ótima!), “Cães de Aluguel” e “Corra Lola Corra”.

Mas recentemente estive assistindo os filmes da trilogia de “O Poderoso Chefão” por indicação muito feliz de uma amiga (que tem bom gosto, diferentemente de mim) e gostando muito da trama. Assisti as partes I e II e no fim de semana passado fui buscar a parte III na locadora. Só que a locadora estava com um aspecto diferente. Algumas prateleiras vazias, cartazes retirados...perguntei ao dono se eles estavam planejando alguma reforma. Mas não era nada disso:

- Infelizmente, vamos encerrar nossas atividades. A gente tá até vendendo uns filmes aqui para fechar mesmo o negócio.
- Puxa, que chato! Mas vocês vão encerrar as atividades aqui no bairro ou vão fechar de vez?
- É, vamos fechar de vez. Não dá mais pra continuar.
- Mas o que houve, desculpe perguntar...
- A pirataria venceu, simplesmente isso.

Fiquei triste pela família que era proprietária da locadora, mas pensei nessas palavras: “a pirataria venceu”. Será que é só isso mesmo?

Já escrevi por aqui o que eu penso sobre a pirataria. Acesse que é interessante (modéstia à parte, eu já escrevi melhor, sei lá o que está havendo). Retornando: a pirataria tem grande parcela de culpa no fechamento das locadoras no Brasil. Só em Salvador, nos últimos 02 anos, mais de 600 locadoras fecharam as portas. Mas convenhamos: vídeo locadora é um tipo de negócio que mais cedo ou mais tarde sofreria este baque.

E não apenas por causa da pirataria: com a popularização da internet e o acesso cada vez maior a conexões banda larga ( embora de forma tímida, os números são favoráveis e mostram crescimento a esse tipo de serviço, mas precisa melhorar muito – principalmente o preço e a qualidade da conexão) fica muito fácil baixar filmes na grande rede. Ainda há as chamadas “TV’s por assinaturas”e, embora as mensalidades ainda sejam caras para a maior parte da população, é mais uma “concorrente” para as locadoras.

Muitas ainda resistem e vão resistir por algum tempo. Por anos ou décadas, talvez. Mas é natural que isso aconteça: profissões desaparecem ou assumem novos perfis, instituições são extintas ou se adaptam aos novos tempos. A própria internet é um exemplo que se renova o tempo todo. Como diz o grande Nelson Ned, “tudo passa, tudo passa”.

PS: Infelizmente, chegaram bem antes e levaram pela bagatela de R$ 15 a trilogia de “O Poderoso Chefão” e por R$ 5 outros filmes muito bons, entre eles Monty Phyton. Não sobrou nem mesmo “Garganta Profunda”, afinal esse é um grande clássico.

POLUINDO A BLOGOSFERA – Além deste texto chato e charge horrível que vocês conferiram aqui, fui convidado pela Vivi Righi para escrever um texto no blog “Fluindo o olhar”. Enviei um texto e uma charge e ela, muito gentilmente, publicou. Agradeço a Vivi e à equipe que faz o blog “Fluindo o Olhar”. Acesse AQUI para ler o texto. E seja gentil!

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sexta-feira, novembro 06, 2009

Concurso: adivinhe qual é o único que não vale a pena?

(charge de autoria do autor do blog que é autor dessas mal digitadas linhas. Péssimos trabalhos de autoria!)

Navegando pela internet entre twitter, blogs, portais de notícias e sites educativos como o x-tube, resolvi dar uma olhadinha na minha caixa postal para ver se aquela gatinha do msn se lembrou de mim e enviou alguma mensagem cheia de amor, afeto e spam erótico. Numa dessas eu poderia até ganhar uma indenização, quem sabe, não é? Ah, sim, eu falava sobre minha caixa postal. Continuemos.

Recebi uma newsletter sobre concursos públicos, pois estou atento e propenso a mudar de profissão já que na mega-sena não tem jeito, eu não acerto sequer 2 míseros números. O jeito, então, é estudar um bocado e concorrer com milhares de candidatos que também buscam a estabilidade de um emprego público ( todo mundo reclama do serviço público, mas todos querem essa boquinha!).

E tem muito concurso bom! Tem, por exemplo, o concurso do Ministério Público do Trabalho, para todos os estados do país, que oferece R$ 21 mil de salário! Com uma grana dessas, eu trabalharia até no Pará, a terra sem lei! Pena que é só para aqueles que possuem curso de Direito, e na minha época de faculdade eu fui de esquerda, desses que usavam até camiseta do Che Guevara. É, eu sei, mas eu tinha 18 anos, pô!

Mas há outros concursos. Tem o concurso da ABDI, Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial, da qual eu nunca ouvi falar e, provavelmente, nem você. Os salários variam entre R$ 4 mil e R$ 9 mil mensais, para trabalhar no Distrito Federal. Seria uma boa, se não fosse somente para “formação de cadastro”. Ou seja, uma espera quase eterna a depender da colocação.

Até aqui na Bahia tem um concurso: para a Empresa Baiana de Água e Saneamento, conhecida como EMBASA (ou ENVASA, porque só envasando a água no balde para que ela chegue até em casa). Salários que variam entre R$ 800 para quem possui nível médio e está disposto a trabalhar na “manutenção” ( no esgoto, inclusive) e R$ 4 mil para quem possui nível superior. Deu sede!

A listinha de concursos é em ordem decrescente. E lá no final vejo o concurso da Secretaria de Educação e Cultura do Piauí, a SEDUC. Por mera curiosidade, resolvo dar uma olhada. É um concurso para preencher cargos de professores e supervisores pedagógicos, e exigindo nível superior. O salário é estupendo: R$ 670,00.

É isso aí: um sujeito com nível médio que vai limpar as latrinas e lidar com o esgoto aqui na Bahia vai ganhar bem mais do que um professor com nível superior no Piauí. Não se trata em desvalorizar o profissional que trabalha no depto. de saneamento - que tem uma função importante, é claro – mas isso demonstra bem o quanto vale um professor no Brasil e porque não adianta o MEC fazer propaganda bonitinha e nem os discursos demagógicos sobre educação que ouvimos por aí de autoridades e “especialistas” que assinam colunas repletas de tolices: se a coisa continuar assim, voltaremos aos tempos do Brasil colonial, onde a educação ficava a cargo dos jesuítas.

Eu gostaria muito que esse concurso não tivesse nenhum inscrito, nenhum profissional ou recém-formado disposto a pagar a inscrição de R$ 60 para preencher essas vagas. É preciso ter alguma dignidade, mesmo diante do desemprego. Porque uma coisa é trabalhar no esgoto limpando a merda da cidade inteira, outra coisa é estar literalmente na merda, abaixo do esgoto, no fundo do poço. Joguem uma corda e resgatem os professores...enquanto eles ainda existirem. Senão ninguém mais passa em concurso nenhum!
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domingo, novembro 01, 2009

Tempo, tempo, mano velho!


( sim, fui eu que fiz a charge. Pra visualizar melhor esse desastre rabiscado, clique na imagem)

Um blog vive de atualizações frequentes e este Grooeland tem passado por atualizações apenas esporádicas ultimamente. Meus 2 ou 3 leitores que sobraram perguntam se eu esqueci do blog ou se não estou inspirado para escrever ( como se um dia eu tivesse inspiração para alguma coisa). Há até quem pense que eu esteja fazendo parte de alguma campanha do tipo “por uma internet com menos bobagens” ao não contribuir com esses textos e charges que são verdadeiras bobagens na grande rede.

Mas se preocupem – sim, se preocupem, pois não tenho intenções de matar este blog, não sou roteirista da Marvel ou DC Comics que gosta de matar, aleijar e clonar (para depois matar e aleijar) super-heróis ( é por isso que só compro gibis do Tex e edições históricas do Homem-Aranha). Ah, desculpem pela digressão, prometo que não faço mais.

O fato deste blog não ter passado por atualizações mais recentes é por falta do elemento mais caro que existe hoje na sociedade. Não, espertinho, não estou falando de dinheiro, água ou garotas de programa que durante o dia são dançarinas em programas de auditórios imbecis: estou falando do tempo.

Quantas vezes você falou esta semana “estou sem tempo”? Algumas vezes, não é verdade? Talvez você tenha até se surpreendido ao ver na televisão uma propaganda sobre o Natal. Sim, estamos em Novembro e o Papai Noel já começa a seduzir as pobres almas consumistas que estourarão o cartão de crédito e o 13º salário no final do ano.

O tempo está "correndo" mais rápido? Essa é a impressão que se tem. Na verdade estamos passando por uma espécie de transição para um período que divide até mesmo os sociólogos, filósofos e achólogos (como este que vos escreve) que se debruçam sobre essas questões; você pode escolher: sociedade pós-moderna, sociedade contemporânea, sociedade da informação, enfim, fica a gosto do freguês.

Um blog como este é perda de tempo, porque tem muitas palavras (alguns “blogueiros” desses joguinhos de orkut “comente no blog acima” que o digam), mas o twitter com 140 caracteres(!) é ideal, é rápido, dinâmico e teoricamente não se perde tempo (é o que dizem, ha ha ha); catar o feijão, deixar de molho, preparar o tempero, botar na panela de pressão e esperar uns 40 minutos é algo impensável quando se tem refeições prontas, em pacotinhos que podem ser preparadas em 30 segundos com o forno microondas; um fato que tenha ocorrido há apenas 30 minutos já é considerado “old”.

Reparem como a nossa concepção de tempo está alterada. Um dia com 24 horas ainda é “lamentado” por algumas pessoas – e nessas horas eu recomendo que elas se mudem para o planeta Vênus: lá, um único dia é equivalente a 243 dias terrestres (neste caso eu sou defensor de que o carnaval ocorra no planeta Vênus). Assumimos tantos compromissos e com a velocidade das informações e inovações tecnológicas parece mesmo que um dia é muito pouco para dar conta de tantas coisas. Interessante perceber como as tecnologias mais recentes (sobretudo as TIC - Tecnologias de Informação e Comunicação) vem modificando não apenas valores, comportamentos, mas também a própria distribuição do tempo e o relógio biológico das pessoas.

Organizar o tempo é o grande desafio que o próprio tempo nos oferece e nisso não tem nada de “lição de moral”, até porque eu mesmo preciso me organizar, vide as atualizações no blog. Existe até um movimento chamado "slow movement", que prega a "desaceleração" neste ritmo de vida corrido que levamos em nosso dia a dia. Kafka, que mastigava cada pedaço de comida pelo menos 10 vezes, adoraria a ideia.

Mas pode passar o tempo que for, a sabedoria de minha avó continua super atual: “apressado come cru”. Ou, pior ainda, não come e quando o faz não deixa ninguém satisfeito.

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