domingo, setembro 27, 2009

Tá falido? Não sabe fazer nada? Filie-se a um partido político!

(é isso aí, parceiro: a charge é do autor do blog. Quer ver melhor? Clique nela)

É, meu caro...você foi “o cara” até pouco tempo atrás. Você foi considerado o ator mais talentoso do país e chegou a fazer até umas pontas em Hollywood. Aproveitando a fama, aventurou-se na música ( seu CD não saía das paradas de sucesso), escreveu um livro ( com o título “Confissões”, permanecendo na lista dos mais vendidos durante meses), ganhou muito dinheiro fazendo propaganda até de papel higiênico e, claro, traçava todas que apareciam pela frente, desde as modelos e deusas da TV e até as mamães das filhas que faziam festinha de 15 anos (que tempo bom, hein? Um baita cachê só pra aparecer, dançar com a aniversariante e tchau!).

Mas você envelheceu...bom, nem tanto assim na verdade, mas seu livro é vendido em baciada das Americanas por R$4,99, ninguém dá notícias de seu CD e os convites para fazer uma novela não aparecem. Você teve que vender sua linda mansão à beira mar porque não aguentava mais pagar o condomínio e seus possantes veículos foram a leilão para saldar dívidas. E as mulheres? Ah, que ingratas, só lembram de você para cobrar a pensão alimentícia de um monte de filhos!

Você não estudou, não investiu em um negócio, os “amigos” sumiram, em resumo, você não sabe fazer nada e está falido da Silva. E agora?

Não se desespere, pois há uma saída (ou entrada, como preferir): torne-se político!

É isso mesmo. Siga o exemplo do Romário e do Popó: filie-se a um partido político e tente uma vaga na Câmara dos Vereadores, na Assembléia Legislativa, no Senado, enfim, sonhe alto! Lembre-se do Ronald Reagan e do Arnold Schwarzenegger! Ou do Clodovil e do Túlio Maravilha!

É o melhor “emprego” do mundo, ideal para falidos que não souberam aplicar a dinheirama que ganharam enquanto a fama e o sucesso batiam à porta até mesmo quando não queriam. Entrar para a política, no Brasil, significa “tirar o pé da lama”, levantar um troco, descolar umas vantagens aqui e ali. Sem falar na imunidade parlamentar, é claro.

Não, não estou duvidando das nobres intenções do Popó e do Romário na política. Sei que lutarão (principalmente o Acelino!) não apenas pela criação de uma séria política de esportes no país, mas também defenderão o equilíbrio nas finanças públicas e o planejamento familiar. Afinal, é de gente assim que a política brasileira precisa, parceiro!

Portanto, amigos e amigas, larguem essas bobagens como estudo, qualificação e leitura. Filiem-se no diretório do partido político mais perto de suas residências ( tanto faz de “esquerda”, “direita”, “centro”, é tudo igual), coloquem seus carismas em ação de preferência acompanhados de um bom jingle e sejam felizes nas próximas eleições, livres de problemas por 4 anos! Tempo suficiente pra fazer um bom pé de meia. E, se falir novamente, é pra isso que existe a reeleição!

Revista Sunshine edição primavera (eu contribuí com texto e charge) - download aqui.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Revista Sunshine nº 03 - É primavera! E eu estou por lá!

Meus queridos 4 ou 5 leitores que me prestigiam aqui de vez em quando ( obrigado, pessoal!) devem sentir a falta de atualizações mais freqüentes. Não se preocupem, já tem um texto prontinho para a próxima atualização, para azar da blogosfera e dos que arriscam a passar por aqui e ler estas mal digitadas.

“Ah, hoje não tem texto e nem charge?” Tem, sim senhor. E em grande estilo: estou na REVISTA SUNSHINE – Edição Primavera.

É um trabalho primoroso do grande Rubens Medeyros ( guardem este nome com muito carinho: vocês ouvirão falar muito deste grande talento!) que dá um verdadeiro show na diagramação, design e ilustração desta revista virtual, enriquecendo mais ainda as brilhantes contribuições dos colabores. Tem para todos os gostos: poesia, contos, crônicas, mitologia, ensaios fotográficos...

Apenas para citar um exemplo do naipe dos colaboradores e do que vocês vão encontrar lá, tem a extraordinária Nat Valarini com um ensaio fotográfico maravilhoso e um texto com o já reconhecido talento de nossa Garota Pendurada.

E tem eu, ora, cafezinho pequeno, com um texto e charge sobre “tatuagens”. Deem uma lida por lá. Aliás, gostaria de agradecer publicamente ao Rubens pela oportunidade. Gracias, Rubens!

Bom, chega de enrolar e faça logo o download da revista, clicando AQUI ou no link direto AQUI.

Prestigiem, vale muito a pena! Recomendo entusiasticamente!

quarta-feira, setembro 16, 2009

"Punheteiros do asfalto"

(sem estresse: clique na charge para visualizar melhor. E relaxe...)

De que forma você extravasa sua irritação no trânsito? Você xinga todo mundo, cola no carro da frente, irrita os outros com gestos obscenos, grita sozinho, disputa acirradamente com outro motorista um espaço na rua de 5 cm?

Tome cuidado, meu prezado leitor. Você pode ser um “punheteiro do asfalto”.

A definição não é minha. Partiu de uma vistosa (e como...digo, e como é vistosa!)garota que, ao relatar como procura suportar um trânsito cada vez mais carregado, saiu-se com esta. E justifica com a seguinte tese: “Esses homens todos sofrem de impotência. Olha só: no trânsito são todos apressadinhos, ignorantes e mal educados. Imagine nas preliminares e na hora de transar. Bando de punheteiros, é o que eles são, punheteiros do asfalto!”

Achou esta tese absurda? Até que não. Ela está certa: quando falamos em trânsito, lembramos do que? Tá, dos flanelinhas sacanas que cobram fortunas para deixarem seu carro intacto, meu patrão; mas lembramos principalmente de estresse ( or stress, if you speak english). E, caso você não saiba, o estresse não causa apenas nervosismo, dores de cabeça, alteração na pressão arterial, insônia e mais um monte de outras coisas; o estresse causa também impotência sexual.

Não é fácil manter a mente quieta e a espinha ereta diante de um trânsito caótico. Afinal, enquanto você dirige, o seu ilustre cérebro tem que processar cerca de 1300 informações visuais por minuto – e isso em um trânsito ameno; agora imagine isso Em uma cidade como São Paulo, que possui uma frota de 6 milhões de veículos e nos horários de pico ( eu falei pico) chega a ter em média 4 milhões de carros nas ruas.

É mole? Não, neste caso é duro, mesmo. Trânsito é Phoda. E não pensem, mocinhas, que estão livres dos males do estresse. Neste caso, no trânsito, o conselho é: fique fria, para esquentar os motores mais tarde, e não o contrário...se é que me entendem.

Portanto, ao invés de extravasar como os “punheteiros do asfalto” fazem, prefira ouvir uma música (nem que seja Ministry ou AC/DC), ache graça da cara que os manés fazem ao xingar os outros, enfim, procure não se enervar tanto. Ou então escolha: broxar ou engrossar...as estatísticas de 34 mil mortos ao ano no trânsito brasileiro.

Evite que o carro te deixe na mão, em vários sentidos.

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domingo, setembro 13, 2009

Salve Salvador!

(clique na charge para vê-la melhor e não se preocupe: não são seus olhos, é ruim assim mesmo)

The city’s a blaze, the town’s on fire
The woman’s flames are reaching higher
We were fools, we called her liar
All I hear is “Burn”!


Quem acompanhou os noticiários nos últimos dias viu que a coisa em Salvador tá pegando fogo: ônibus queimados e módulos policiais metralhados por ação de bandidos em suposta represália à transferência de um traficante para presídio de segurança máxima em Catanduva, Paraná.

As pessoas que moram em outros estados ficam impressionadas com tanta violência e se questionam o que está acontecendo “nesta terra tão maravilhosa e tão tranquila”.

Salvador é uma cidade que tem belezas e histórias fantásticas, mas é uma capital com quase 3 milhões de habitantes e boa parte desta população é pobre, sem acesso a serviços essenciais de qualidade como educação e saúde, por exemplo. Mas permanece o marketing construído há muitos anos e mantido até hoje como um verdadeiro mantra: “Salvador, terra da alegria, da felicidade”. Axé! Sai do chão, vai rolar a festa!

E é neste mito que muita gente por aqui ainda se apega. A violência na cidade é crescente, mas isso não aconteceu da noite pro dia. É o resultado da falta de planejamento, de infra-estrutura, de investimento em educação, esportes, cultura, lazer. É um terreno fértil para a criminalidade e as drogas tomarem conta do pedaço. Tais ações necessárias para a melhoria de vida da população foram desprezadas por governantes passados e atuais, privilegiando apenas o marketing da cidade “movida a festas o ano todo”, na promoção “do maior carnaval do planeta” e da “cidade mais linda do mundo”. Bom para o turismo, então pensemos pelo lado positivo: são apenas ônibus e módulos policiais. Os trios elétricos foram poupados.

“Seu amargo, seu infeliz! Isso é coisa de gente invejosa, chata e hipócrita!” Calma, calma...e quem não gosta de festa, praia e um clima ensolarado e alegre? Eu gosto, mas também gostaria de uma cidade com infra-estrutura melhor – não apenas para o turista; e gostaria também que boa parte da população que gosta de se iludir com a imagem de uma Salvador de 50 anos atrás finalmente “caia na real” para o presente, deixando de lado a filosofia passiva do “fique na sua. (que chega ao ponto do prefeito admitir ter desviado verba da merenda e saúde para o carnaval e não haver reação nenhuma)

Enquanto a cidade vive no marketing da “minha cidade é linda demais” e “a cidade de luz e prazer correndo atrás do trio”, a fumaça da violência chega até o exterior e a bandidagem dá um suadouro nos soteropolitanos. Eu, particularmente, prefiro o calor do sol numa bela praia tomando uma água de coco e observando o que a baiana tem. Ah, e sem churrasquinho.

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quarta-feira, setembro 09, 2009

Seja um professor e seja o que Deus quiser!

(clique na imagem para visualizar outra ilustração de mau gosto do autor deste blog)

Eu sei que você está interessadíssimo (a) na reta final do “Caminho das Índias” para saber qual será o destino da Maya (parente do Tim?) e de tantos outros personagens tão numerosos quanto os deuses indianos, mas preste atenção no intervalo comercial da novela. Se você, jovem de 18 anos, está indeciso quanto seu futuro, a propaganda do MEC dá uma forcinha: seja um professor.

Esta é a forma que o Ministério da Educação encontrou para atrair futuros professores e assim tentar contornar um grave problema que é o défict de profissionais nas escolas, sobretudo das matérias de Química, Matemática, Física e Biologia. É um verdadeiro “apagão” de professores e as perspectivas não são das melhores: o número de formandos em cursos de licenciatura vem caindo ano a ano.

Não é difícil saber o porque. A propaganda do MEC é linda, afinal os professores são mesmo as pessoas mais interessantes, inteligentes, charmosas, lindas, gostosas e gente fina que há – ei, alguém tem que falar bem, certo? Tá, eu sei que você tem más recordações daquela professora de Matemática que só pegava no seu pé...mas o fato é que apenas uma propaganda bonitinha não vai atrair ninguém para o exercício do magistério e tampouco "disfarçar" os inúmeros problemas da educação no país.

Até porque todos sabem a realidade da profissão, menos o Gustavo Ioschpe e “especialistas” em educação da VEJA. Baixos salários, violência nas escolas e infra-estrutura precária são apenas alguns motivos que tornam a docência cada vez menos interessante. Há quem enumere vantagens de se tornar um professor, como ter duas férias no ano, maior autonomia nas atividades ( e essa autonomia nem sempre é possível) e estabilidade de emprego, caso seja concursado; no entanto estas vantagens acabam diluídas diante das cargas horárias excessivas, desvalorização do magistério, assédio moral e ausência de plano de carreira, sem contar nas dificuldades com material didático, tecnologias da informação/ comunicação na escola e trabalho extra para casa.

Como percebem, atrair os jovens para o magistério vai muito além de uma simples propaganda. Ainda há o idealismo, a vontade, a vocação em ser professor ou professora e estes são alguns dos fatores que vem mantendo diversos cursos de licenciatura espalhados por aí. Mas não há "amor" que resista ao descaso e o MEC precisa parar de fazer cinema água com açucar, deixar o “luz, câmera, ação” de lado e utilizar apenas “ação”. E um piso salarial de R$ 950 não é o que chamaria de uma ação atrativa. (aliás, lembrem-se que alguns governadores entraram na justiça contra este piso. Lembre-se disso principalmente em 2010)

Quem sabe com menos holofotes, menos maquiagem e mais planejamento sério e execução os professores não tenham um destino mais auspicioso? Hare baba!
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quinta-feira, setembro 03, 2009

Semana da Pátria, filhos da mãe...gentil!

Ah! Finalmente, Agosto se foi! Ufa! Eu não deveria perder tempo com crendices, pois é apenas um mês no calendário, mas definitivamente desgosto de Agosto (ei, foi proposital, viu?), apesar do meu pai e de uma amiga da qual gosto imensamente festejarem seus aniversários neste período.

Mas arranquei a última folhinha do mês de Agosto e lá apareceu... 01 de Setembro! Ah, que maravilha! Já me senti bem melhor. E mais ainda quando li as efemérides: dia do professor de educação física e inicio da Semana da Pátria!

Imediatamente coloquei-me na posição de soldado, pousei a mão direita sobre o peito e comecei a cantar mais desafinado do que a Vanuza: "Ouviro dos Piranga..."

(uma digressão rápida, prometo: privacidade, hoje, é luxo. Quase todo mundo tem um celular que “tira retrato e faz filme”. Portanto se você, anônimo ou sub-celebridade, fizer alguma burrada em espaço público e até privado, corre o risco de “cair na net”. E depois não adianta pedir pro youtube remover o vídeo, porque já “espalhou” por aí. Exposição de imagem, é assunto pra outra vez )

Onde eu estava mesmo? Ah, sim, em casa, detonando o hino nacional. Eu me lembro bem da semana da pátria quando eu ainda estava na escola, há uns 300 anos como aluno: todas as manhãs deste período cívico nos enfileirávamos e cantávamos o “Ouviro dos Piranga” e acontecia o hasteamento da bandeira. E em nossos cadernos fazíamos duas faixas com lápis de cor, verde e amarelo, para lembrarmos do amor à Pátria.

Não é querendo bancar o saudosista até porque não tenho esse perfil, mas estive reparando este princípio de ‘Semana da Pátria’ nas escolas e na cidade em geral. Não há nenhuma menção ao fato, a não ser o jogo entre Brasil x Chile. As bandeirinhas e bonezinhos do Brasil estão à venda por "5 real"; o Hino Nacional está na contra-capa dos livros didáticos, mas a verdade é que pouca gente se arrisca a cantá-lo. Também, quem é que sabe o que significa “plácidas”, “retumbantes”, “penhor”, “lábaro”?

Mas não estou jogando a responsabilidade para a escola, afinal ela tem muitas atribuições como servir de posto para Bolsa-Família, creche, boca de fumo e até ensinar. Patriotismo, na minha humilde concepção, vai além de vestir uma camisa amarela, pegar uma bandeirinha, um bonezinho e berrar “Brasil, Brasil! Pen-ta-cam-pi-ão!” – isso é ufanismo bobo e muita gente confunde o meio de campo – pra isso já temos o Dunga; a melhor demonstração de “amor à pátria” que pode haver é exercer a cidadania e o espírito crítico. E isso, evidente, não deve ficar a cargo exclusivamente da escola.

Pensei nisso tudo enquanto terminava o “pátria amada Brasil” e logo fui prestar uma homenagem aos professores de educação física: o relógio deu o sinal, saí correndo, saltei as sujeiras que os cachorros das madames deixam nos passeios, driblei os buracos das ruas, arremessei o lixo numa cesta certeira de três pontos e cruzei a linha de chegada em cima da hora no trabalho! Melhor que as tradicionais 10 voltas na quadra! E a galera já cantava o hino do momento: “todo enfiado/ todo enfiado”!

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