segunda-feira, julho 27, 2009

FORA, SARNEY! ( e depois?)

(clique na imagem para melhor visualização)

Diante dos sucessivos escândalos no digníssimo e probo senado ( de grandes e relevantes serviços prestados à população), é crescente um movimento pedindo a saída do seu presidente, o nosso agente secreto Sarney, José Sarney. É o “FORA SARNEY”, sucesso absoluto no Twitter, na imprensa, no Cãogresso e, espero, nas livrarias: que tal um "FORA SARNEY" também nas prateleiras? Dá lugar para outros escritores melhores por aí, ora!

É apenas uma questão de tempo: o vovô da Bia vai deixar a presidência do senado e, quem sabe, até mesmo o mandato, embora tenha amor à vida secreta, digo, pública. Isso deverá acontecer menos pelo clamor popular e virtual e mais por conveniências políticas.

El Bigodón vai sair. E depois, o que acontece? (leia o "papo grampeado" para ter uma pista)

Essa situação é bem semelhante ao caso do coronel e babalorixá ACM, que Deus (ou quem se interessou pelo material) o tenha. Com o escândalo da fraude do painel do senado, painho ACM renunciou à presidência da casa e ao mandato. Não se preocupou, pois sabia que voltaria nas próximas eleições nos “braços do povo”.

E foi isso o que aconteceu. ACM voltou ao senado graças aos currais eleitorais no interior. Desde o escândalo no painel do senado, os carlistas dificilmente ganharam eleições em Salvador. E com a morte de Painho, os antigos puxa-sacos abandonaram o barco de vez. É mais fácil a Ivete Sangalo eleger-se prefeita dos soteropolitanos do que o ACM Neto. ( até porque o jingle da Piriguete Sangalo em uma campanha seria "e vai rolar a festa", o que causaria grande impacto na terra da alegria)

Seria muito bom que o “FORA SARNEY” desencadeasse um movimento em prol da inelegibilidade (eita nomezinho!) de políticos envolvidos em corrupção e outros “atos secretos”. Isso deveria fazer parte de uma reforma política séria e que ajudaria a nos livrarmos do Sarney, do Collor, do Arruda, do Maluf, de inúmeros coronéis do Nordeste – sem esquecer, claro, “o povo aprender a votar”, embora qualquer tentativa de “consciência política” vá às favas quando aparece um saco de ração para o gado esfomeado nos currais.

Há quem diga que o "FORA SARNEY" é apenas uma modinha que algumas sub-celebridades lançaram pelo Twitter e que acabou "pegando". Mas eu acho uma boa ideia, afinal não podemos subestimar a internet. As pessoas têm a oportunidade de conhecer a ficha corrida do Sarney, o que foi o plano cruzado, plano verão, congelamento de preços, a esculhambação dos ministérios e como a famiglia age no Maranhão.

É informação. Mas informação que fica restrita apenas na esfera virtual não resolve muita coisa em um país cuja maioria da população fica “sabendo das coisas” através da TV. É o tipo de conversa que deve ser levada para a mesa do boteco, para caminhada no parque, recepção do consultório médico, sala de aula, fila do banco, salão de beleza, enfim, criar e disseminar “massa crítica”. Ano que vem tem...Copa do Mundo! E eleições também, não esqueça.

Ou então o #FORASARNEY vai terminar, como de praxe, em #PIZZA.
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quarta-feira, julho 22, 2009

O tempo passa, o tempo voa, e o FEBEAPÁ continua uma boa!

O irreverente jornalista e escritor Sérgio Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta, é o genial criador do FEBEAPÁ ( Festival de Besteiras que Assola o País), uma coletânea de bobagens ditas e cometidas durante o período em que a “redentora” veio salvar o país da ameaça dos comunistas comedores de criancinhas na década de 60.

De lá pra cá muita coisa mudou no Brasil. Somos pentacampeões mundiais de futebol, a ditadura militar acabou, elegemos agora nossos governantes, o país enfim é uma democracia e...er...bom, aparentemente alguma coisa mudou, não?

Mas algumas coisas continuam as mesmas: o Chaves não sai da grade de programação, o Corinthians ainda não tem estádio e o FEBEAPÁ continua por aí, firme e forte. Se o grande criador de tipos como Tia Zulmira e do Primo Altamirando ainda estivesse vivo, certamente não faltaria material para inúmeros volumes do festival.

Vejam, por exemplo, o processo movido pela talentosa atriz Juliana Paes contra o humorista José Simão, da Folha de SP. O humorista está proibido de falar ou escrever o nome da atriz (que é muito boa, diga-se de passagem) por ter feito algumas anedotas com o nome e a personagem da moça na novela, inclusive utilizando um trocadilho genial com a palavra “casta” ( abordando o sistema indiano de classe social e a castidade).

Obviamente a atriz sentiu-se agredida quanto à sua honra e à sua moral. Eu entendo. Ela quer ser reconhecida finalmente como a boa atriz que é. O fato de ser conhecida nacionalmente por conta de seus volumosos quadris em revistas masculinas e em generosos shortinhos enquanto vende cerveja é apenas um detalhe. E eu não sou machista, por isso solidarizo-me à Juliana Paes e digo: ela é uma atriz muito boa! E como!

Quer ver outra para o FEBEAPÁ? Vem do Paraná! E dessa você vai gostá: que tal todas as palavras em inglês ou em qualquer outro idioma em uma propaganda serem traduzidas para o português? Tudo para proteger nossa língua e soberania! Tem coisas que só o governador Roberto Requião faz por você!

Não é uma boa? Vejamos... o “Forno de Microondas 28l com 800w de potência e sistema de descongelamento chaos” ficaria assim: “Forno de Microondas 28l com 800w de potência e sistema de descongelamento caótico”. Ideal para donas de casa desorganizadas.

Na verdade o projeto do governador paranaense não é inédito. Recentemente o deputado Aldo Rebelo também já tentou “proteger” a língua portuguesa também com um projetinho. E é claro que vai dar certo, afinal a linguagem é facilmente controlada graças a leis e projetos que visam resgatar a soberania do povo diante dos invasores estrangeiros! Viva la Revolucion!

Acho o projeto útil e certamente evoluirá para a tradução até do economês: “o aumento do superávit primário em 4,5% deve-se ao reajuste da taxa Selic que gerará um acréscimo à oferta de bens de capitais, a ser discutido na reunião do Copom”.

Como escreveu o próprio Stanislaw, "um dia eu vou contar isto aos meus netinhos e os garotos vão comentar: esse vovô inventa cada besteira!"
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terça-feira, julho 14, 2009

A dignidade humana no Brasil é um ato secreto

De vez em quando eu ainda assisto TV, sobretudo telejornais, CQC e um ou outro jogo de futebol, mesmo que meu time não dê muitos motivos para acompanhá-lo. Felizmente a TV não é minha única fonte de informações e notícias.

Mas uma reportagem que assisti em telejornal local (do poderoso e desenvolvido estado da Bahia) mostrava o depósito de lixo da cidade de Barreiras, no Oeste baiano. “Depósito” de lixo é modo de falar, pois se trata de um terreno onde os caminhões e coletores jogam por lá mesmo as sobras e inutilidades do consumo humano.

E justamente por ser um local de sobras e inutilidades estão ali também os chamados “catadores de lixo”, que disputam com ratos e urubus o sustento necessário para sua sobrevivência. Guardadas as devidas proporções, não muito diferente do que eu e você fazemos todos os dias ao lidar com certos ratos e urubus da política, do serviço público, de empresas sacanas que tem marketing bonitinho e produtos que são verdadeiros lixos (e você só descobre depois que paga e utiliza).

O que me chamou a atenção nesta reportagem foi a declaração de uma catadora, que “mora” no local tendo como quintal montanhas e mais montanhas de lixo e sacos plásticos que voam de um lado pra outro na frente do barraco:

- Eu tenho muito orgulho de trabalhar aqui, pois é daqui que tiro meu sustento.

Dificilmente eu fico “chocado” com certas situações, até porque não sou galinha pra chocar ovo e tomo cuidado com aparelhos eletrônicos para não tomar choque. Mas diante da cena e dos fatos mostrados é impossível não lembrar de Manuel Bandeira com seu desconfortável e genial poema “O bicho”.

Alguns podem argumentar que se trata de “dignidade” em tirar (literalmente) o sustento em meio ao lixo, ratos, urubus e outras pragas. Bom, a mulher poderia roubar, explorar crianças ou traficar drogas, então que se dedique ao alpinismo de montanhas de lixo, pelo menos ganha a vida na honestidade, não é? Outros podem argumentar que “alguém precisa fazer o trabalho sujo”. É verdade, mas para isso já temos o Sarney. E o Congresso Nacional inteiro.

Curioso que ao abrir aquele livrinho de piadas chamado “Constituição Brasileira”, logo na primeira piada, digo, artigo, lê-se que o Brasil tem, dentre outros fundamentos, a “dignidade da pessoa humana”. E mais adiante, logo no terceiro artigo, lê-se que um dos objetivos do Brasil é “erradicar a pobreza e a marginalização”. Eu sei, a piada é boa, é engraçada, agora pare de rir.

Infelizmente esta mulher e tantos outros que “tiram o sustento” em condições tão humilhantes não têm escolha, principalmente quando a barriga começa a roncar. Ingenuamente nos perguntamos por que o tal livrinho citado não é levado a sério, nem pelos governantes e nem por nós.

Taí um ato que não deveria ser secreto.
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terça-feira, julho 07, 2009

Michael Jackson ( ainda!) em Katmandu

Advertência: sei que todo mundo já está saturado de Michael Jackson. Mas o assunto continua “fresquinho” na mídia ( ao contrário do defunto) e este texto foi manuscrito no dia da morte do artista e achei por bem digitá-lo e publicá-lo.

Como alguns teimosos leitores já sabem, passei alguns dias em Katmandu, sertão baiano, terra de cabra macho e morenas de riso fácil. Apesar de não constar no mapa, Katmandu é um lugarejo evoluído: tem energia elétrica e internet. Lenta, mas tem.

Por isso a morte do pop star Michael Jackson teve maior destaque entre os katmandunianos do que a morte de Zequinha da Jega ( morto pela esposa ao ser pego em adultério com a cabrita de João Teotônio, uma tragédia regional. Diagnóstico do médico: morto por coices).

Sabendo da minha presença na cidade, o editor do jornal “A TRIBUNA DE KATMANDU” pediu que eu escrevesse “qualquer coisinha” sobre Michael Jackson. Compartilho com vocês, corajosos e teimosos leitores do Grooeland ( já são 6 ou 7, yes!).

“Ben era uma linda criança que fazia sucesso cantando e dançando com seus irmãos. Mas Ben só demonstrava alegria em cima do palco ou para as câmeras de TV, pois era uma criança infeliz. Seu pai era um linha-dura, um sujeito que exigia demais dos filhos e se preocupava mais com o dinheiro do que com a felicidade dos garotos.

Ben tornou-se um milionário, mas não teve infância nenhuma. O garoto cresceu, mas perdeu parte de sua vida, submisso ao pai e ao show bussiness. Tornou-se um fenômeno pop, com milhões de de discos vendidos, uma legião de fãs que cultuavam o jovem ídolo e até mesmo quem não era fã rendia-se ao talento de suas perfomances e estilo.

Livre da influência paterna e milionário, Ben dedicou-se ao seu projeto: retomar a infância. E isso incluía uma ruptura total com o passado, até mesmo sua pele negra. Ben deixou de lado as obrigações de adulto e voltou a ser criança. Uma triste criança deformada e bizarra. Tentou algumas atitudes adultas, como casar e ter filhos, mas ele nunca se interessou em ser adulto. Ben preferia ter 8 ou 9 anos de idade.

O que sobrou? Nos últimos anos Ben não era nada mais que uma carcaça vazia, uma curiosidade. Na verdade nunca mudou: sempre foi uma criança infeliz em busca de sua infância perdida.”


- É, tá bonitinho, piegas...do jeito que o povo gosta. Vou publicar!
- Bom, confesso que não foi fácil. Sabe, eu nunca me importei muito com Michael Jackson...
- Nem eu. Mas como todo mundo só fala nisso, não vou ficar de fora. Se o negócio vende, tô nem aí.
- Sabe, agora que escrevi esse texto...pensando melhor, tive pena dele.
- Amigo, eu tenho pena é de mim mesmo. A única coisa em comum entre eu e o Michael Jackson é dívida!
- Falando em dívida, essa minha “colaboração” pro jornal vai render algo ao pobre coitado aqui?
- Sem chance. Se der certo mais tarde a gente pendura uma cerveja ali no Bolinha!
- Cara, que mão de vaca, hein?
- Pois é...I'm bad!

Nota de utilidade

O jornalista José Castro está sofrendo um processo de “crime de calúnia” por ter escrito o texto “Coronelismo no Ministério Público Mineiro”.

Acompanho os textos do jornalista José Castro desde o blog “Tamos com Raiva” (volte, Cris!) até a revista eletrônica Nova-e, com seus artigos sempre muito bem fundamentados, sem leviandades ou acusações espúrias. Pelo contrário, o jornalista, experiente e honesto como é, sempre emitiu suas opiniões através de fatos comprovados. A liberdade de expressão sofre um duro golpe com um processo deste porte.

E é por não concordar com qualquer espécie de censura, que convido aos leitores e visitantes do grooeland a assinarem o abaixo-assinado em solidariedade ao jornalista José Castro. Chega de censura, pela liberdade de expressão!

Nota de inutilidade

Estou no Twitter. Me acompanha, é inútil mas útil ao mesmo tempo: http://twitter.com/jaimeguimaraess

quinta-feira, julho 02, 2009

Papo (grampeado) entre senador e senador

(outra charge besta. Clique nela se quiser visualizar melhor...ou pior)

Hola, amigos! Mesmo distante e alheio a alguns acontecimentos durante uma semana inteira, o sistema de grampos deste infame grooeland acabou funcionando muito bem lá mesmo em Katmandu, província de Kuala-Lumpur, sertão baiano. O papo grampeado desta vez é entre dois senadores de la Republica Federativa del Brasi. Evidente que os nomes dos nobres políticos serão mantidos em sigilo, até porque prezo minha integridade física.

Senador J.R.S – Senador!
Senador D.E.M – Olá, senador! Bom falar contigo...
Senador J.R.S – É, é bom mesmo. Que história foi essa do seu partido pedir publicamente meu afastamento? Não esperava isso de vocês, que até me ajudaram a voltar a ocupar uma posição de destaque no cenário nacional!
Senador D.E.M – Ouça, senador...
Senador J.R.S – Não, senador, ouça o senhor! Eu estou na vida pública desde quando o senhor usava fraldas! Reconheço uma traição a quilômetros de distância, seja aqui em Brasília ou lá em Macapá!
Senador D.E.M – Senador, o senhor está nervoso. Acalme-se e ouça: nosso partido pediu seu afastamento por uma questão de conveniência. Ora, o senhor acha que nós estávamos falando sério? Aquilo foi jogo de cena pra imprensa e pra opinião pública!
Senador J.R.S – Não sei se acredito nisso aí,não...
Senador D.E.M – Pode acreditar, senador! Até hoje só demos motivos pro senhor acreditar em nosso partido, não é? Aliás, o senhor sempre foi seguidor de nossa filosofia, até mesmo durante aquela conversinha mole de “redemocratização”...
Senador J.R.S – É, eu sei.
Senador D.E.M – Pois então, senador! Aquele papinho de “diretas já”, aquela bobagem toda...mas é como se diz, senador: se o cavalo passa selado, a gente monta, né? E ficamos tão bem diante da opinião pública que o senhor chegou a um cargo que jamais sonhara antes!
Senador J.R.S – É verdade, é verdade.
Senador D.E.M – Então não se preocupe, senador, com o que dissermos para a imprensa. Saiba que internamente apoiamos o senhor, é um exemplo para todos nós!
Senador J.R.S – Assim o senhor me deixa emocionado, senador, e na minha idade...
Senador D.E.M – Calma, senador. Vai dar tudo certo. Vamos combinar assim: faça sua parte lá na sua base eleitoral. O senhor ainda manda e desmanda por lá, não é?
Senador J.R.S – Claro, amigo. Até governador de oposição metido a besta eu tiro do poder pra dar o estado de presente pra minha filhinha querida!
Senador D.E.M – Ótimo. Aqui, faremos nossa parte: o senhor dá um tempo, vai escrever um romance e deixa poeira assentar. Logo arranjamos outro escândalo político, o povo esquece essa história toda de mordomo, atos secretos e depois o senhor volta numa boa...
Senador J.R.S – Muito bem! Acho que vou seguir seu conselho, senador. Bom saber que posso contar com vocês! Já estava me sentindo injustiçado, sabe? Como se tudo fosse culpa minha! É preciso ter mais respeito com minha trajetória política!
Senador D.E.M – Não fique assim, senador. Sabe como é, esse pessoal que hoje pede sua saída amanhã te coloca lá no poder de novo, nem fique preocupado com campanhas de internet, modinhas de twitter e outras novidades passageiras. Sempre terá nosso apoio, conte conosco! Agora, cá entre nós: na sua idade essa agitação política toda não é desgastante? Por que o amigo não se aposenta e se dedica integralmente à literatura?
Senador J.R.S – Não posso.
Senador D.E.M – Por que?
Senador J.R.SPorque tenho amor à vida pública!

Nota de inutilidade pública:
Não sei bem como funciona esse trem, mas me acompanhe lá no tal twitter: http://twitter.com/jaimeguimaraess

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