Observe bem esta foto acima. O que pode parecer um fato engraçado ou pitoresco é, na verdade, mais uma amostra de nosso trânsito violento, irresponsável e assassino.Resumindo a história: um motorista de ônibus em alta velocidade perdeu o controle do veículo, bateu em dois carros, atravessou a pista e bateu em outros dois e foi parar na Praia de Armação, em Salvador. O resultado disso foi a morte de uma médica que trafegava com seu veículo em outra pista, no sentido contrário, além de vários feridos. Felizmente a praia onde o ônibus foi parar havia pouco movimento.
O trânsito brasileiro é dos mais violentos do mundo. Mata em torno de 38 mil pessoas por ano, segundo dados de 2007 e não deve ter mudado muito em 2 anos, apesar da Lei Seca ( aliás, esta lei “secou”? ). Este é o prêmio que boa parte dos motoristas brasileiros, que se acha um Ayrton Senna no comando de um automóvel, “conquistou” para o país.
O trânsito de Salvador é igualzinho ao de qualquer grande capital brasileira: caótico, violento e sem planejamento. Não pode se comparar ao de São Paulo (poucas cidades no mundo podem) com sua frota de 6 milhões de automóveis. Para piorar, o transporte público na capital baiana é dos piores e o pequeno metrô da cidade arrasta-se em uma obra sem fim por 10 anos. E com boa parte dos motoristas soteropolitanos sendo agressiva e mal educada no trânsito, a conhecida simpatia baiana perde-se no buzinaço de suas estreitas e mal planejadas vias.
Passo constantemente pelo local onde ocorreu o acidente. Ali, sinto-me em um Grande Prêmio: à direita ou à esquerda, os carros desenvolvem alta velocidade, desprezando que a região possui muitos banhistas, já que a pista é marginal à orla. Uma característica comum em Salvador é o “carro colado”: não importa a velocidade ou a faixa em que você esteja sempre tem um motorista com o carro “colado” atrás do seu dando sinais incessantes de farol e descendo a mão na buzina. Isso é prática comum para vários motoristas de ônibus por aqui.
O que falta para tornar nosso trânsito mais civilizado? Educação? Leis rígidas? Punição? Fiscalização? Mais exigências para se tirar a carteira de habilitação? O código de trânsito brasileiro é rigoroso; muitas escolas já têm em seu currículo “educação para o trânsito” (isso quando as professoras não estão ensinando crianças de 10 anos a lavar as mãos, escovar os dentes ou lidando com brigas de gangues na escola); a fiscalização, embora capenga, existe, mas não dá para "grudar" um guarda em cada cidadão para verificar o que ele apronta ao volante.
Na verdade falta mesmo é uma boa dose de coletividade no trânsito. Em uma sociedade que preza o individualismo e a competitividade, são justamente estas características que encontramos em nosso trânsito, não coincidentemente. Juntemos estas posturas citadas à embriaguez de irresponsáveis, à pressão exercida aos motoristas por empresários do setor de transporte coletivo e à função social do automóvel ( status, poder, velocidade, “meu carro é melhor que o seu”) e temos este quadro deplorável.
Tão deplorável quanto algumas pessoas que, neste acidente em Salvador, ao invés de ajudarem as vítimas, foram procurar o que saquear nos automóveis envolvidos no drama. Pelo o que se percebe, o menor problema do trânsito é o automóvel.
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Como se vê, a solução passa bem longe da “formação de agentes públicos” caçando e denunciando pirataria por aí. Há boas idéias e iniciativas surgindo. O próprio 



E nisso de bater o tempo todo e dar tanta atenção ao que diz a igreja católica (estamos em um estado laico, a igreja não apita, ao menos oficialmente, por aqui, mesmo que quisesse entrar na justiça para impedir o aborto: a legislação brasileira permite tal procedimento se a mãe correr risco de morte e se a gravidez surgir em decorrência de estupro), esquece-se do que deveria ser a principal indagação neste caso em Pernambuco: o que está acontecendo para que tantos casos de abuso e violência sexual contra crianças surjam todos os dias no Brasil?
Dona Neuza chega à escola cambaleando de sono. Merenda por lá mesmo na cantina e assiste às aulas. Pega no sono às vezes, mas logo desperta. É raçuda. Já tem filho adulto e voltou a estudar depois que “o marido largou”. Maridão achava que esse negócio de mulher estudar à noite era pra “botar chifre”. Ela quer estudar pra “tirar o 2º grau e arrumar um serviço melhor”. Sonha, inclusive, com faculdade. De Artes, porque é boa em trabalhos manuais.

