domingo, agosto 24, 2008

SOBRE JOGOS OLÍMPICOS E SOBRE PAULO FREIRE, O DEMÔNIO

Terminaram os jogos olímpicos de Pequim. Um evento realmente grandioso e os chineses fizeram bem feito (apesar de toda a censura e do jogo de esconde-esconde da realidade chinesa - medalha de "ouro" aí também para os censores) e viraram uma potência olímpica nos esportes ( investir US$ 38 bilhões só para festa? Nada). E agora começa o "balanço do desempenho dos atletas brasileiros em Pequim". Prato cheio pros comentaristas de plantão - e este blogueiro também dá seus pitacos, mas sem a aura de "especialista".

O desempenho dos atletas brasileiros, no ponto de vista deste blogueiro (que escreve para seus 02 ou 03 corajosos leitores), foi muito bom. Não é fácil ser atleta no Brasil – com exceção dos jogadores profissionais de futebol da primeira divisão e daqueles que estão no futebol europeu.

Os programas esportivos certamente terão alguns desses atletas em seus estúdios por esta semana e logo depois tudo volta ao normal, ou seja, o “PROGRAMA ESPORTIVO” de qualquer TV vira “PROGRAMA FUTEBOLÍSTICO”, com técnicos comuns e pernas de pau adquirindo status de craques e celebridades.

Há muitas críticas por aí sobre o desempenho dos atletas. Críticas que vem não apenas do “povão” do qual este blogueiro se inclui, mas também dos “palpiteiros profissionais” que estão nas redações de jornais, sites e TV’s. Geralmente são pessoas que entendem tanto de judô quanto eu entendo de física quântica. E criticam com propriedade e exigem sempre “a vitória”.

No esporte, ganha-se e perde-se. O brasileiro não sabe ganhar e nem perder: quando algum atleta vence uma prova ou torneio, é um ufanismo nojento e irritante, em que as apresentadoras de TV adoram ressaltar a palavra “muuuuuundo” ( “Brasil é campeão do MUUUUUUUNDO”). Patriotada? Pataquada. Quando este mesmo atleta é derrotado (é esporte, sabem?) os comentários são lacônicos e os sites de internet já exibem logo enquetes do tipo “Fulano decepcionou nas olimpíadas”? O SIM é esmagador. E nos fóruns todos os termos possíveis para humilhar e ridicularizar o atleta derrotado. E na “imprensa especializada” a coisa é pior – gente despreparada emitindo “opiniões”.

Somo um povo muito carente e por isso muito exigente. Mas exigimos pouco de nós mesmos. Passamos muito a responsabilidade para “os outros” ( geralmente os outros são os “governantes”) . Analisar o comportamento do brasileiro diante de vitórias ou derrotas no esporte poderia render uma tese interessante, o que não é objetivo desse blog ( com posts longos e que quase ninguém lê, à exceção dos já habituais 02 ou 03 leitores).

Por isso eu gostei da Mari e de algumas jogadores do vôlei mandando alguns “críticos” calarem a boca e ficarem quietinhos. A Maureen poderia ter feito o mesmo e tantos outros atletas. Poderiam ter feito mais: ao invés de falarem que as medalhas conquistadas “são do Brasil”, poderiam dizer que a medalha eram deles mesmos e compartilhavam a vitória com os familiares, alguns amigos e quem os apoiou até Pequim.

Porque os aproveitadores estão aí, à espreita. Carlos Artur Nuzmann, o midiático presidente do COB ( Comitê Olímpico Brasileiro) , já anda atraindo os holofotes (e como gosta!) para falar do desempenho dos atletas brasileiros e Pequim e emendar a candidatura do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas de 2016. Certamente irá utilizar o exemplo dos jogos Pan-Americanos ( a 5ª divisão do esporte mundial). Pelé e Janeth já foram “eleitos” como “embaixadores”.

Falando em Jogos Pan-Americanos, qual a herança deixada pelo evento no Rio de Janeiro? Flávio Gomes em seu excelente blog dá a resposta:

“Quem mora no Rio sabe direitinho o que restou do Pan: um estádio para o Botafogo jogar, uma piscina abandonada, um ginásio que não é usado para jogo nenhum, um autódromo destruído e uma Vila Olímpica que está afundando. Pobre de quem comprou apartamento ali.”

Ah! E a mãe do Tiagoooooooo!

A “REVISTA VEJA” TEM A SOLUÇÃO PARA A EDUCAÇÃO!

A “revista” tem continuado com seu nobre propósito de melhorar a educação brasileira, abrindo nossos olhos para as "verdades", tentando comparar a realidade brasileira com a realidade finlandesa ( são muito parecidas, de fato) e descobrindo os porquês dos péssimos índices educacionais de nossos alunos.

A culpa, é claro, é dos professores, mas agora com um componente poderoso: o comunismo.

Não, não estamos em uma cápsula do tempo de volta aos anos 50 e 60. O grande problema da educação brasileira é a ideologia comunista, esquerdista retrógrada que “catequiza” nossos estudantes. Karl Marx e Che Guevara são criminosos ao lado de outro terrível ícone da esquerda xiíta: Paulo Freire.

É, Paulo Freire. O educador que escreveu um absurdo como este:

Me parece demasiado óbvio que a educação de que precisamos, capaz de formar pessoas críticas, de raciocínio rápido, com sentido do risco, curiosas, indagadoras não pode ser a que exercita a memorização mecânica dos educandos. A que “treina” em lugar de formar. Não pode ser a que deposita conteúdos na cabeça “vazia” dos educandos, mas a que, pelo contrário, os desafia a pensar certo (...), a pensar criticamente. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Indignação

Terrível, não? Que perigo! Para a “revista” VEJA e as jornalistas Monica Weinberg e Camila Pereira isso tudo que Paulo Freire escreveu é uma bobagem. Gustavinho Mauricinho Ioschpe também acha isso tudo uma grande bobagem. O negócio é conteúdo. É despejar toneladas de fórmulas e regras tudo para que o país figure bem nos "PISA" que correm o mundo. Como se a educação de cada país, com suas particularidades, história e realidades pudesse ser qualificada através de uma simples prova.

Mauricinho e demais especialistas em educação da revista defendem a neutralidade do ensino. Mas é bastante interessante a neutralidade pregada pela ‘revista’. A ‘neutralidade’ da livre concorrência, da educação e dos alunos como mercadorias e das privatizações inconseqüentes ( melhorou a telefonia aí no seu estado? Quanto custa o acesso à internet? O atendimento do "call center" é bom?), além do consumismo fútil. Mas não é essa a bandeira neoliberal?Ops! Agora, certamente serei acusado de esquerdista xiíta amargo! Então voltamos no tempo! Capitalismo X Socialismo, Neoliberalismo X Comunismo! Genial! Tem coisas que só a VEJA faz por você.

Dos problemas históricos e verdadeiros da educação brasileira a “reportagem” não se ocupa. Mas na verdade este blogueiro não se preocupa com a revista em si. Preocupa-se, na verdade, com os leitores da revista sem espírito crítico (ops!) que lêem tal panfletagem e correm para escrever na secção de cartas que tal conteúdo “foi muito oportuno” (já repararam que este termo está sempre presente nas cartas dos leitores de VEJA? Por falar em adestramento...). Paulo Freire será bastante conhecido agora de um seleto grupo de leitores que se dizem "formadores de opinião" ( o instituto Paulo Freire publicou uma série de respostas à "revista". Clique AQUI e, de fato, veja).

Poderiam mudar para a Finlândia. E levar o staff de VEJA junto. Mainardi ( a anta), Mauricinho Ioschpe ( o especialista em educação), Moura e Castro ( o guru da educação) e tantos outros próceres geniais da “revista”.

domingo, agosto 17, 2008

HIPOCRISIAS

Prestem atenção nesta notícia:
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Pressionados por dificuldades financeiras, os Estados preparam uma rebelião contra a
lei que cria o piso salarial nacional para professores públicos da educação básica, sancionada há pouco mais de duas semanas, no dia 17 de julho, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Depois de uma análise e do cálculo dos custos, os governadores alegam que não têm de onde tirar dinheiro para pagar as novas obrigações. Somente a soma do acréscimo na folha de pagamento de três dos Estados mais populosos do País - São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul - chega a R$ 6,5 bilhões por ano.

A mobilização que já começou por contatos entre os governadores do Sudeste, prossegue na reunião do Consed e terá uma nova etapa no encontro dos governadores do três Estados do Sul e do Mato Grosso do Sul, na semana que vem, em Florianópolis.

A lei em questão estabelece que os professores da rede pública não podem ganhar menos de R$ 950 por mês. A maioria dos Estados já paga esse piso, mas inclui nele as parcelas adicionais e gratificações. Pela nova regra, os R$ 950 passam a ser o vencimento básico, ao qual os benefícios se somarão. O item mais polêmico, no entanto, a exigência de reserva de um terço da carga horária para atividades fora da sala de aula, que vai exigir a contratação de milhares de professores nas redes estaduais e municipais de todo o País.

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Ótimo. Lembrem-se disso nas eleições. Não apenas nestas eleições de 2008, mas em todas as outras.

O discurso de todos os candidatos (seja do mais conhecido parlamentar ao Zé do ônibus que quer ser vereador) é o “vamos priorizar a educação e a saúde”.

E quando a educação recebe alguma atenção (com em relação à lei que estipula o piso mínimo) a hipocrisia dos “nobres governantes” entra em cena. As máscaras caem e despedaçam.

As justificativas dos governadores são absurdas. Ora, se queremos uma educação de qualidade então teremos que continuar com escolas sucateadas, sem recursos e com professores trabalhando em jornadas absurdas de 60 horas semanais à custa de um salário miserável?

É evidente que os governadores terão que contratar novos professores. Mesmo sem o piso que alegam “não ter condições de pagar” (tadinhos!) existe um défict muito grande de profissionais na rede pública de ensino. Segundo o próprio conselho nacional de educação, existe uma defasagem de 235 mil professores no ensino médio, sobretudo das matérias de física, química, biologia e matemática.

Muitas profissionais formados em química e biologia, por exemplo, preferem trabalhar em outras instituições ou se dedicam a pesquisas e mesmo ao ensino superior. Quem sente-se atraído em ganhar menos de R$ 950 e cumprir longa jornadas em ambientes sem o mínimo de recursos, infra-estrutura, salas super lotadas podendo com tudo isso desenvolver uma doença psicossomática e, de quebra, submeter-se a secretários de educação, assessores e “especialistas” incompetentes e tentando fazer crer que a escola brasileira encontra-se na wonderland?

Só um lembrete: gratiticação não é salário. Ao aposentar, o professor recebe apenas o “salário base”, perdendo os benefícios. Por isso há professores por aí cansados, doentes e sem condições de trabalho que não largam o ofício. Questão de sobrevivência.

Este blog é apolítico, mas deixa um alerta: lembre-se desses canalhas na hora de dar seu voto nas urnas. E acreditem: a gritaria só não é maior porque estamos em ano eleitoreiro. Mas não deixem se enganar: a pele de cordeiro é tão curta que não esconde mais o lobo.

Pois nessas horas aparecem os ufanistas berrando “Brasil, Brasil”, mas o fato é que os atletas são lembrados apenas nessas horas, nas parcas e suadíssimas vitórias.

Na hora de reunir condições de treinamento, política de esportes, patrocínio e toda a sorte de recursos necessários para que o atleta tenha bom desempenho, este mesmo Brasil-il-il-il “vira as costas”. Quem consegue se virar no exterior, como o César Cielo, tem que “passar o prato” aqui e ali, mendigando um patrocínio, uma oportunidade.

E alguém aí tem alguma dúvida de que os tais jogos Pan-Americanos se constituem na 5ª divisão do esporte mundial? Só mesmo os ufanistas e os ingênuos acreditam que tais jogos tem “alto nível”.

Ah, e a mãe do Thiago Pereira, com o insuportável “Vai Thiagooooooo!!!”.

sábado, agosto 02, 2008

Otoridade!


No Brasil, então, podemos ser caxias ou autoritários, como personagens típicos do mundo das leis e da ordem; podemos ser renunciadores e beatos que querem estar fora deste mundo, quando somos religiosos e pretendemos fundar um modo de existência paralelo; e podemos também ser malandros e jeitosos, políticos hábeis e sagazes, quando não enfrentamos a lei com sua modificação ou rejeição frontal, mas apenas a dobramos ou simplesmente passamos por cima dela.

Da Matta, Roberto. O que faz o brasil, Brasil?. Ed.Rocco, 12ª edição
Creio que esta definição sobre o modo de ser do brasileiro - de como ele se relaciona com as leis e as “otoridades” em seu cotidiano – é perfeita. Por mais que queiramos ser “caxias” e seguir todas as recomendações para o mínimo de ordem e cumprimento de leis, existe toda uma máquina burocrática e as indefectíveis “otoridades” que nos obrigam a transitar por todos esses modelos. Quem já não abriu mão de uma “cantada”( também conhecido como “jeitinho”) para conseguir alguma coisa diante de uma “otoridade”intransigente e cheio de “num pode” – mesmo que se tenha razão e esteja apenas e tão somente exercendo um direito adquirido ?

Não, não estou escrevendo errado, não. É “otoridades” mesmo. É aquele sujeito simplório, ignorante e desconhecedor até de sua própria função mas que tem uma farda, um uniforme ou está protegido por um balcão e tem o poder de “adiantar ou atrasar” sua vida com um simples carimbo ou número de cadastro em computador.

O mais curioso é como se dá a transformação em “otoridade”. Basta o sujeito colocar o crachá ou a farda e repentinamente a sensação é de que ele adquiriu super poderes, tal como um Clark Kent careta e certinho que entra em uma cabine telefônica e em 3 segundos lá está o Superman confiante e poderoso.

Se isso explica o comportamento das policiais que atiram primeiro e perguntam depois? Nada justifica, é claro. Mas enquanto as autoridades constituídas ( estas, de alguma forma, eleitas ou especialistas que ocupam cargos com relevância e que teriam o “poder”) falam em “capacitar melhor os policiais”, infelizmente a postura de alguns policiais que agem como verdadeiros “otoridades” e “donos do pedaço” continua sendo comum.

Morei alguns anos ao lado de um batalhão da PM. A postura de alguns desses “defensores da lei e da ordem” era deplorável: paravam os carros no meio da rua, não sinalizavam, desciam e batiam papo com os colegas. Quem estava atrás querendo passagem não podia buzinar. Um sujeito que ousou buzinar duas vezes foi “advertido” por 3 policiais que praticamente cercaram o carro; mulheres que passavam na rua eram paqueradas com todos os gracejos imagináveis; viaturas estacionadas em frente a garagens residenciais e o dono, para sair ou entrar, tinha que procurar por alguma “otoridade” que retirasse a viatura da frente. E tinha que pedir isso com todo o jeito possível...

Claro que não são todos os policiais, evidente. Mas no momento em que vestem a farda ou o uniforme e colocam os apetrechos, muitos se transformam no arquétipo da “otoridade”, o que os tornaria cômicos, se não utilizassem da truculência ( e às vezes até tiros) para se impor - e isso se aplica a alguns "seguranças" de lojas, estacionamentos e outros estabelecimentos comerciais.

As “otoridades” estão às pencas por aí. Não apenas no serviço público, mas também nas empresas privadas. A diferença é que em tais empresas as “otoridades” chamam os mortais do outro lado do balcão de “senhor /senhora”, além de tentar enrolar e testar a paciência do reles mortal. Experimente ir a um balcão de atendimento de uma dessas empresas que se acostumaram a resolver tudo via telefone.

Se há solução? Vai saber. Parece ser algo histórico, que já vem “encravado” no DNA brasileiro, desde o seu "descobrimento" ( leia o final da carta de Pero Vaz e veja um puxa-saquismo explícito para, logo depois, um "pedido especial" por parte do escrivão). Sem dúvida que um sujeito honesto e que procura levar seu dia-a-dia na retidão de seus atos revolta-se em ter que abrir mão do “jeitinho” para lidar com as “otoridades” atrás do balcão com um crachá ou com um fardamento qualquer e fazer valer seus direitos adquiridos ou mesmo conseguir uma simples informação.

Mas infelizmente o conceito de “bom cidadão” é aquele do sujeito que “paga todos os impostos”. Não raramente, para exercer a cidadania, só mesmo com o "jeitinho" para "amolecer as otoridade". Saindo disso, é "caxias". E é assim, nessa ambigüidade, que vamos "tocando a vida".


O AMOR É MESMO LINDO...
...não é verdade? Aposentados pelo INSS e que estejam viúvos ou à procura de uma companheira 30 anos mais jovem, linda e charmosa, basta seguirem o exemplo deste italiano, o tal de Flávio Briatore.

Tudo bem que ele é apenas o chefão da equipe Renault de F1 e dono de uma fortuna considerável, mas o que realmente importou para a moça ( Elisabetta Gregoraci, a nova esposa do empresário) talvez tenha sido outro fator - ou fatores. Bem, como diria um cantor de uma banda que eu não gosto, "quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração"? 

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