sábado, fevereiro 26, 2005

I have a dream

Eu tenho um sonho. O que para muita gente é fácil, para mim é complicado e até difícil de entender. Parece até que ando um tanto deslocado dos contextos éticos e sociais que predominam na Terra de Santa Cruz.

Mas eu tenho um sonho, sim.

Eu adoraria ser um tremendo cara de pau!
Sei lá. Ontem me perguntava se valia a pena alguns conceitos. O homem é um ser em conflito. Bem ou mal, luz ou escuridão, ter ou não ter ( hoje, ter ou ter) e por aí vai. Mas alguns passam a impressão de não ter tais conflitos. São os cara de pau.
Vejamos o tal Severino Cavalcanti, que foi eleito presidente da Câmara dos Deputados em Brasília. Nem bem passou uma semana depois de sua “vitória” (aspas necessárias, pois ele pensa que ganhou, quando na verdade é só um peão manipulável) ele já pede pressa para a votação do aumento dos seus salários em 100%.
Agora imagine um cara desses subindo no palanque lá no sertão do Cabrobó e falando em “saúde, educação e vida digna pro povão”? Ou nas periferias. Mas não é só políticos, não. Tem muita gente cara-de-pau por aí e até com destaque na mídia.

Aliás, tem que tomar cuidado ao citar nomes em blogs, sabiam?Dá processo,agora... Principalmente dessa gente falida que vive de ostentação. Basta abrir qualquer jornal na coluna social ou uma dessas revistas de consultório como “Caras” ou “Quem” e lá estarão eles. Os maiores caras de pau de Pindorama.
Tem um empresário que deu calote em centenas de funcionários de uma grande loja de departamentos em São Paulo e responde à diversas ações na justiça e já teve até prisão decretada; Mas ele está lá na revista, brindando com amigos e amigas da “socila”, super charmosos.
E tem outra socialite na mesma revista que conta “seu drama”: separou-se do marido, empresário ( claro!) e reclama “estar falida”. Mas ostenta a pose em seu “simples” apartamento ( “foi o que sobrou”) com uma dessas bolsas que eu teria que trabalhar por uns 05 meses sem comer e sem pagar outras contas só para conseguir uma igual.

Mas agora vem o bom e velho estilo Groo de contestação: Como essa gente que deve milhões e milhões, deram calote e vivem em apartamentos ou mansões “simples”, viajam de jatinhos e preferem cruzar a cidade com helicópteros e são clientes de lojas como Daslu e similares ainda conseguem fazer compras? O Zé Pretinho ali da esquina deixou de pagar a 13a prestação da televisão e imediatamente teve seu nome cadastrado no SPC-Serasa. Não pode comprar mais nada a prazo ou crédito.
Eu não sei se o que falta ao Zé Pretinho é grana ou um pouquinho mais de cara de pau. A galera que se lustra com óleo de peroba não tem dinheiro, mas não perde a máscara. Ou será a imprensinha fofoqueira que é cara de pau?
Que o Brasil é um país rico em madeiras, o mundo já sabe. Mas já estão exagerando... Cara de pau é o que há, mas não só o que há!

Ainda os "cara de pau"
Todo mundo sabe que o Brasil é um país cujo trânsito nas grandes cidades é assassino; Todo mundo sabe, também, que álcool e direção não se misturam e que tais bebidas são responsáveis pela maioria dos acidentes de trânsito com vítimas fatais.
Olhem só porquê o sonho de ser um cara de pau hoje não é só meu, mas de muita gente: Quanto será que o tal Falcão, da banda "O Rappa" ganhou pra estampar sua carranca e dar vender sua voz num comercial de cerveja? E o sujeito sobe depois no palco e vem com seu "discurso social".
Agora, cara de pau mesmo foi a tal modelo que entrou pela porta dos fundos no casamento do Rogordinho fenômeno e Daniela Cica. O cachê da modelo quintuplicou depois dessa história toda aí.
Políticos,socialites, empresários, modelos, cantores...todo mundo com o bolso cheio. E o Groo, honestozinho e idealista aqui, sem um pila no bolso!
Perguntinha 1

Jogador de futebol, o que é menos ruim,hoje: ficar no Brasil e ter a mãe seqüestrada ou ir jogar na Europa e ouvir os gritos de “macaco” toda a vez que toca na bola?
Perguntinha 2
Perto de 30 milhões de brasileiros telefonam e pagam impostos pra votar nos tais paredões do Big Brother. Não seria fantástico (ops!) se essa galera fosse mobilizada para ações mais interessantes?



terça-feira, fevereiro 15, 2005

A arte arde

A arte arde
Baluarte covarde!


Sempre gostei de artes, embora não saiba muito bem distingüir obras de arte. Dizem que uma obra de arte é caracterizada pela liberdade e espontaneidade que o artista tem em realizá-la. Sem amarras. Deve ser por isso que não me tornei artista, pois minha professora de educação artística sempre vinha com regras para meus rabiscos.


Ah,sim, eu rabisco, de vez em quando. Uns desenhos ruins de morrer. Mas acho até que isso poderia ser arte, pois é minha criação,livre e espontânea. Ou não. Na verdade sempre tive dúvidas do que é “arte”.


Faz algum tempo fui a uma exposição no Museu de Arte Moderna de Salvador. Um lugar bonito, o Solar do Unhão; Por si já é uma obra de arte. Se tem um local que vale a pena conhecer em Salvador é esse museu. Então, a exposição. Era de um artista famoso regionalmente, tanto que esqueci o nome... Era uma coleção de quatro telas, muito grandes, ocupando uma grande ala do museu. Uma dessas telas consistia no seguinte: o quadro, branco, com um quadrado preto no meio.


Um quadro branco com um quadrado preto no meio.

Eis a obra. Me perguntei se a tinta do artista terminou ou se ele fazia aquela obra por etapas. Sim, seria genial: a cada final de semana, ele fazia um pouco. Seria ótimo, mas não era assim. A obra era aquilo mesmo: um quadro branco com um quadrado preto no meio. Fui forçar um pouco a memória...o que aquele professor de história da arte disse certa vez em uma entrevista na TV? Ah, certo, que cada um vê o que quer.

Eu não sei o que outras pessoas vêem num quadro branco com um quadrado preto no meio. Pra mim continua um quadro branco com um quadrado preto no meio. Se outras pessoas enxergam ali uma bailarina ou uma paisagem futurista, fico com inveja. Gostaria de ter esse dom. Mas sou muito óbvio. A única forma de enxergar algo além de um quadro branco com um quadrado preto no meio era tomar uma caixa de cerveja...hmmm...quadro...quadrado...caixa de cerveja...talvez.

Mas neste final de semana retornei ao museu. Um passeio bom. Tempo bom. Acabou o carnaval, graças! Mas no museu havia uma exposição de algumas instalações...vocês sabem, um cara pega um rolo de arame farpado e joga tinta amarela em cima. Expõe no museu. É arte. No meio da rua é lixo. Um dia chego lá. Mas fiquei por ali vendo as instalações e tentando entender o que aquele pedaço de tábua fazia ali na exposição. Descobri que aquilo não era obra de arte, e sim parte das obras de restauração do museu. 

Tô dizendo que esse negócio de arte deixa o sujeito louco...

Mas parei em frente a uma obra instigante: o artista catou um desses fogões antigos naquela cor azul-posto de saúde ( quem viveu a infância dos anos 80 sabe do que estou falando...daquele azul das geladeiras, das máquinas de lavar, dos azulejos...era chique,tão pensando o quê!), bem detonado mesmo, tirou aqueles acendedores e colocou ali um rádio toca-fitas motorádio ( saudosismo anos 80); Nas bocas, algumas tranqueiras de plástico...um xícara, um vasinho...e,na tampa, duas fotos p&B retratando cenas de um casamento. Fiquei um tempão parado olhando aquilo. Não conseguia ver grandes coisas...nem a chapinha com o nobre da obra ajudava: “o casamento”. Eu digo pra todo mundo que sou meio lerdo...só conseguia pensar de que ferro-velho o cara tinha tirado aquilo tudo...Já estava desistindo quando minha namorada, que é melhor observadora do que eu, me explicou:

- Ora, representa o casamento, mesmo. Fogão. A mulher, antigamente, se casava com o fogão. Os objetos são todos antigos e esse rádio indica que a mulher tinha o desejo de divertir-se, o casamento não é ficar no pé do fogão.

Gostei muito da explicação. De verdade. Mas não fiquei totalmente satisfeito. Aquilo era o olhar de outra pessoa. Mas arte é liberdade de interpretação, não é? Talvez outras pessoas tenham enxergado o mesmo que minha garota, ou talvez além...mas eu só conseguia enxergar um fogão velho azul-posto de saúde detonado com um motorádio acoplado nos acendedores.

Ah, por que fui aprender que 2 +2 =4?

Baluarte

Falando em arte, o ca$amento do ano: Daniela Cicarelli e Ronaldo Nazário Fenômeno. Vai ser num castelo luxuosíssimo na França. Só o buffet custou R$ 300 mil. A conta da cerimônia chega perto de US$ 1 milhão. O castelo é recheado de obras de arte. Que certamente serão apreciadas pelos convidados. Claro.

Covarde

E tem jornalista por aí dizendo que o Robinho humilhou o tal de Tévez com uma dança imitando um passista de escola de samba quando ele comemorava seus gols contra o MSI, ex-corinthians. Deixem o moleque em paz. Jogar o futebol que ele joga é uma arte; Dançar como um passista de escola de samba é uma arte.E humilhar a escola argentina de futebol é uma arte magnífica!

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

EU CARNAVAL,TU CARNAVAIS...

Mal terminou o carnaval e outro já começou. A venda de abadás para o Carnaval 2006 está a pleno vapor. Cerca de 5.000 abadás para o ano que vem foram vendidos somente hoje, 10/02. Para quem pensava que a forte chuva que caiu em Salvador nos dois últimos dias de folia fosse desanimar os foliões, eis aí a resposta.
Carnaval deixou de ser diversão pelo menos nas grandes cidades. Quem vê a “gente bonita” na televisão distribuindo sorrisos pode até espantar-se com essa afirmação. Mas estou falando de diversão como deveria ser: apenas o ato de encontrar-se com amigos, conhecer pessoas novas...hoje, paga-se por isso.
Mas ainda há esperanças. Senta que lá vem história...

UM CAUSO GROOTESCO DE CARNAVAL

Foi há 04 anos em uma cidade do interior da Bahia chamada Miguel Calmom. Não perguntem ao velho Groo quem foi Miguel Calmom. Saibam apenas que Groo e seu primo ( que chamaremos de “primo grootesco”) foram a uma festa de Carnaval promovida pela prefeitura local. E, festa promovida por prefeituras do interior seguem esse modelo: um palco montado na praça central da cidade, com um monte de bandinhas regionais emulando um axéxelento e uma grande atração. No caso desta festa a atração principal era o grande cantor Lairton e seus teclados ( quem não se lembra: Aaaaaiiiii é amooooorrr....aiaiaiai é amooor.....).
Groo e seu primo grootesco estão lá no meio da bagunça, com a praça lotada de foliões da cidade mesmo e muita gente de cidades vizinhas. E os nossos amigos juntam-se a outros amigos, e cada um vai se “arranjando”, se é que entendem a expressão. Groo tá só na dele, sorvendo a cervejinha e jogando conversa fora. Até que o primo grootesco apresenta um amigo ali mesmo da sensacional Miguel Calmom:
- Bicho, esse cara jogava vôlei contra a gente e depois sumiu!
- É, trabalho, estudo...aí teve que levar a vida mais a sério, né?
- Só. Rapaz, a seleção daqui era páreo duro!
E o Groo entra na conversa:
- Ah, você era da seleção daqui?
- É, a gente formou um time que diziam que era a seleção...que a gente jogava contra os times daqui da região e ganhava muito jogo, sabe?
-Ah, certo. E jogou muitas vezes lá contra o time do Mundo Novo?
- Rapaz, já jogamos algumas vezes...mas sabe o que era bom nesse negócio? Era sair e conhecer esse monte de cidade! A gente saía e ia pra longe, Capim Grosso,Mairi,Serrolândia,Várzea do Poço,Jacobina...Hoje não faço mais isso. Procê ver, a última vez que fui pro Mundo Novo foi quando minha vó morreu!
- É mesmo? Quem era sua vó, desculpe perguntar.
-Não, não, tudo bem...era Anerina, conhecida como véia Nerina.
Groo e seu primo se espantam. Talvez um pouco surdo pelo barulho do “aiaiaiaiai é amoooorrr”, Groo pergunta:
-Como é?
-Véia Nerina.
- Nerina...Guimarães?
- Isso! Conhece?
-Se conheço? Bicho, tu sabe quem é o Véio Dú?
-Oxe, o véio Dú é meu tio, porra, irmão da minha finada vó!
-Pois é! E o véio Dú é meu vô!
-Rapaz...então a gente é primo???
-Puta merda!
- Não acredito! E a gente jogava vôlei, vinha pra cá sem saber que tinha parente, disse o primo grootesco.
E foi um tal de mostrar a identidade do outro, pra conferir os sobrenomes Guimarães e Lopes... e o “novo primo” do Groo já foi sentenciando:
- Não, não, vamo ali, vamo ali, tomar umas! Rapaz, peraí que cês vão conhecer mais primos!
E o “novo primo”tinha um irmão e uma irmã e foi apresentando para seus dois “novos primos”. Foi primo pra lá, primo pra cá que até confunde. Mas o melhor desse “novo primo” que Groo e o primo grootesco conheceram,além da simpatia, é que o cara é daqueles que conhecem TODO MUNDO da cidade! E foi uma beleza! O cara andava dois passos e parava uma menina conhecida dele:
- Olha, esses são dois primos meus, um de São Paulo outro de Salvador....
E foi assim. Groo e seu primo grootesco já conheciam QUASE TODO MUNDO que estava presente na praça. E cerveja, e novas amizades, e camaradagem... Groo não se arrependera de jeito nenhum em ter percorrido uns 50 km de estrada ruim e agüentar Lairton e seus teclados ( aiaiaiaiai é amoooorrrr....). Para Groo um carnaval assim valia a pena, pois não é sempre que se conhece novos parentes perdidos por aí.
E já eram 5 da manhã quando Groo e seu primo grootesco resolveram ir embora. Os novos parentes e novos amigos não queriam deixá-los irem embora. “Dorme aí,pô, tem lugar!” “Lugar é o que não falta” foram as expressões que utilizaram para convencer Groo e seu primo grooteco a ficarem por lá. Mas não ficaram. Decidiram ir embora para pegar a festa de Mundo Novo também. Afinal, era apenas o começo do Carnaval. Despediram-se e prometeram voltar. Só que não voltaram, mas viram os novos primos em outras ocasiões, em outras cidades. A Groo ficou a lembrança da descoberta dos parentes e aprendeu algo: preste atenção com quem conversa...pode ser seu parente.

EPÍLOGO

Groo e seu primo grootesco enfrentam os 50 km de estrada ruim na volta e chegam ao destino por volta de umas 06, 06:30 da matina. Com aqueles olhos vermelhos de sono de uma noite na farra, nem notam um senhor passando com seu jegue com os litros de leite que ele acabara de tirar:
- ‘dia!
Um tanto atrasado e meio abestalhado, Groo responde:
- Ô...’dia!
Duas senhoras, a caminho da Igreja, passam e comentam:
- Esses jovens de hoje...só querem saber de farra!

Ah, como o tempo é implacável!

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